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setembro 25, 2026
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Entre afagos e brindes com Trump, ajuda da China ao Irã foi prato indigesto da visita de Xi aos EUA

Por · setembro 25, 2026
Entre afagos e brindes com Trump, ajuda da China ao Irã foi prato indigesto da visita de Xi aos EUA


Em uma visita a Washington marcada mais pelo simbolismo do que por anúncios concretos, um tema espinhoso surgiu na reunião entre o presidente da China, Xi Jinping, e seu anfitrião, o líder americano, Donald Trump: as relações entre Pequim e o Irã, protagonista de uma guerra inconclusiva lançada pelo republicano em fevereiro. Dados comerciais apontam para um aumento nas trocas comerciais entre os dois países, incluindo petróleo e manufaturados, e serviços de inteligência apontam para a cooperação com fins militares. Mas confrontar o governo chinês não é uma prioridade imediata para a Casa Branca.
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Antes do encontro de quinta-feira, membros do governo Trump deixaram em segundo plano as cobranças sobre os iranianos. Marco Rubio, secretário de Estado, disse que os líderes “conversariam sobre temas relevantes” de maneira franca. O Departamento do Tesouro citou sanções aplicadas contra instituições chinesas acusadas de violar sanções. E o presidente preferiu ressaltar a relação de amizade que acredita ter com Xi para se afastar das críticas, vindas até de sua base.
—O presidente estabelecerá relações com qualquer pessoa para promover nossos interesses nacionais e fechar bons acordos para o povo americano — disse Anna Kelly, porta-voz da Casa Branca, citada pelo portal The Hill.
A portas fechadas, Trump se permitiu ser mais duro: em entrevista à rede CNBC, o embaixador dos EUA na China, David Perdue, afirmou que o presidente alertou Xi que “qualquer ajuda que oferecessem ao Irã — seja direta ou indireta, envolvendo inteligência, peças ou equipamentos militares — seria totalmente inaceitável”.
— O presidente Trump reiterou isso ontem (quinta-feira) de forma muito clara. É uma mensagem que vem sendo reforçada constantemente — declarou Perdue à CNBC, antes de retomar o atual tom conciliatório do governo. — Quero dizer, foi uma conversa muito franca e aberta; a cada diálogo, acredito que percebemos um nível diferente de proximidade ao tratar dessas questões complexas que estamos enfrentando.
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A relação comercial chinesa com o Irã é bem mais antiga do que a “Operação Fúria Épica”, e tem no petróleo o protagonista. A China é a maior compradora de Teerã, absorvendo 80% das exportações, e tem ignorado o aperto das sanções internacionais, incrementadas em 2018 com a política de “Pressão Máxima”. Uma complexa rede de empresas, instituições bancárias e intermediários coordena as operações no limite da lei, por vezes dando ao petróleo iraniano novas denominações de origem.
Refinarias independentes são o principal destino, e uma vez que servem majoritariamente o mercado doméstico, ficam blindadas de restrições financeiras externas. A estratégia é amparada por um pacto estratégico de 25 anos firmado em 2021 entre Pequim e Teerã. Segundo dados da consultoria Kpler, o volume diário exportado para a China era de 1,57 milhões de barris em fevereiro, mas diante do bloqueio do Estreito de Ormuz, em agosto ele ficou pouco acima de 500 mil barris.
Nos últimos meses, a pauta comercial de Irã e China sofreu mudanças estratégicas. De acordo com o Wall Street Journal, citando documentos da aduana iraniana, houve mais de 1,3 mil envios de cargas chinesas consideradas de “uso duplo” — civil e militar — para clientes iranianos. A lista inclui componentes eletrônicos, de exportação restrita. No aeroporto Imam Khomeini, o principal do país, caixas com motores, peças de aeronaves e equipamentos de navegação por GPS se tornaram uma visão recorrente na alfândega, declara o jornal.
Empresas chinesas também enviam produtos químicos usados na produção de combustíveis para mísseis balísticos, e uma delas foi incluída na lista de sanções do Departamento do Tesouro dos EUA. Diante do impasse naval em Ormuz, os voos entre os dois países foram incrementados, com a companhia Mahan Air, uma das mais sancionadas do planeta, atuando como principal transportadora.
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Os iranianos apelam ainda para um sistema de permuta, em vigor há alguns anos, e que permitiu a aquisição de bilhões de dólares em produtos restritos, incluindo itens militares, como revelou a agência Reuters, no início do mês. Pequim rejeita as sanções americanas, afirmando que elas “não têm fundamento no direito internacional e não são autorizadas pelo Conselho de Segurança da ONU”.
— Francamente, se a Casa Branca tivesse me pedido um conselho, eu teria sugerido que o presidente não convidasse Xi Jinping a Washington para uma recepção tão suntuosa aqui nos Estados Unidos da América, dadas todas as questões preocupantes que temos em relação ao presidente Xi e ao Partido Comunista Chinês — disse o senador republicano Roger Wicker, citado pela Associated Press e preocupado, assim como colegas no Congresso, com os impactos dessa parceria no campo de batalha no Golfo.
Os itens entregues aos iranianos teriam ajudado a construir os mesmos drones e mísseis que caíram sobre bases e instalações usadas por tropas americanas, como no ataque que deixou seis militares mortos no Kuwait. E informações de inteligência dos EUA demonstraram que o apoio não foi apenas logístico: segundo a rede CNN, grupos chineses forneceram a Teerã dados que permitiram ações mais precisas contra as forças de Washington no Oriente Médio. Em maio, três empresas baseadas na China sofreram sanções por “viabilizar ataques militares do Irã contra forças dos EUA no Oriente Médio”, uma referência às imagens obtidas por satélites.
— Há uma razão para a melhoria na capacidade de definição de alvos deles, e isso se deve a algum tipo de assistência — disse uma das fontes ouvidas pela CNN que teve acesso às informações de inteligência. — Ganhar experiência em combate ajuda, mas receber uma mãozinha também ajuda muito.
Para o senador democrata Richard Blumenthal, “o povo americano deveria ficar chocado”.
— O presidente Trump deveria dizer a Xi: “Pare com isso, chega”, em vez de homenageá-lo e recebê-lo de forma tão elaborada — disse ao The Hill.
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A China afirma que “sempre cumpre rigorosamente suas obrigações internacionais”, e que se opõe “à exploração do conflito para difamar” o país. Trump e seu Gabinete tampouco pareceram dispostos a incomodar os chineses. Em julho, logo após o ataque a uma base na Jordânia que deixou três americanos mortos, Rubio disse que “nada do que a China fez alterou, de alguma forma, a trajetória… dos conflitos que estamos tendo com o Irã”
Sem crises públicas, a visita de Xi Jinping chega ao fim nesta sexta-feira, após uma visita aos Arquivos Nacionais. Pela manhã, ele foi recebido por Trump na Casa Branca para um chá, e o republicano declarou que “fizemos progressos enormes”, e que “avançamos muito, de forma muito positiva para ambos os países”. Os dois líderes não responderam perguntas dos repórteres, tampouco comentaram o plano iraniano para reabrir o Estreito de Ormuz em sete dias, anunciado no início do dia, mas cujos detalhes ainda são um mistério.
— Ormuz é uma clara linha vermelha para o Irã — disse Urban Coningham, pesquisador do Royal United Services Institute, à rede al-Jazeera. — Os iranianos não receberão reparações de guerra; portanto, o controle do estreito é a única maneira de se recuperarem economicamente. Não vejo possibilidade de eles recuarem em relação a isso.

Entre afagos e brindes com Trump, ajuda da China ao Irã foi prato indigesto da visita de Xi aos EUA