O Parque Arqueológico de Pompeia é o único vestígio completo de como eram as cidades do Império Romano há quase dois milênios. Apesar da destruição causada pela erupção do Monte Vesúvio em 79 d.C., algumas estruturas foram preservadas, já que a cidade nunca foi completamente reocupada. Graças a uma recente expedição, um grupo de arqueólogos encontrou duas esculturas esculpidas em uma parede, que sobreviveram ao desastre natural.
- ‘Documento histórico extraordinário’: Afrescos monumentais são descobertos em Pompeia
- O maior já encontrado no local: Pompeia, na Itália, tem luxuoso balneário descoberto em achado ‘único em um século’
No site oficial do Parque, foram publicados os detalhes do trabalho, que exigiu várias horas de escavação. De acordo com os especialistas, as esculturas foram encontradas na Região IX, uma área em constante transformação devido às escavações contínuas para a recuperação do patrimônio arquitetônico e histórico de Pompeia.
Essa seção da cidade não está completamente aberta ao público, mas desde 2024 tornou-se um centro de grande interesse para os amantes da arqueologia. A cada mês, são descobertos frescos únicos, obras de arte intactas, cores nunca antes vistas e até mesmo restos ósseos de vítimas da erupção.
As autoridades informaram que o entalhe encontrado se trata de um relevo funerário, representando uma dupla pompeiana em tamanho quase real. As esculturas pertenciam a um túmulo na necrópole de Porta Sarno e foram descobertas no âmbito do projeto “Investigando a Arqueologia da Morte em Pompeia”, conduzido pela Universitat de València em colaboração com o Parque Arqueológico de Pompeia, sob a direção do professor Llorenç Alapont.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_da025474c0c44edd99332dddb09cabe8/internal_photos/bs/2025/4/s/rmWuFATLOoAGgKnV6Upg/monumento3.png)
As esculturas foram transferidas para a Palestra Grande, onde passaram por restauração e serão exibidas na exposição “Ser mulher na antiga Pompeia”, com inauguração marcada para 16 de abril.
A área escavada em julho de 2024 pertence a um sítio arqueológico descoberto em 1998, onde já haviam sido encontrados mais de 50 sepultamentos por cremação, marcados por estelas e um grande arco funerário monumental. Recentemente, as escavações revelaram um túmulo monumental com um grande muro decorado com nichos, nos quais foram esculpidas figuras em relevo de um homem e uma mulher – possivelmente um casal.
Segundo os primeiros estudos sobre os acessórios esculpidos na figura feminina, acredita-se que ela fosse sacerdotisa de Ceres, e que ambas as figuras pertencessem ao período republicano tardio.
Gabriel Zuchtriegel, diretor do Parque, destacou a relevância da descoberta: “Essa campanha é uma oportunidade valiosa para expandir a pesquisa e valorizar a área extramuros de Pompeia.”
Ele também ressaltou a colaboração com a Universidade de Valência, que já havia levado à descoberta da tumba de Marco Venerio Secundio na mesma região. O projeto reúne especialistas de diversas áreas, incluindo arqueólogos, arquitetos, restauradores e antropólogos.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_da025474c0c44edd99332dddb09cabe8/internal_photos/bs/2025/q/B/af1Uq2SLq5Gn6J2hMEoQ/monumento4.png)
Essa descoberta aconteceu pouco tempo após outra revelação impressionante dentro do Parque: em fevereiro de 2025, arqueólogos encontraram um mural surpreendente retratando os Mistérios de Dionísio, o deus da festa e do vinho.
Um mural de dimensões extraordinárias
Segundo um comunicado oficial, essa obra de arte se enquadra na categoria de “megalografia” ou grande pintura, cobrindo três lados de um ambiente.
A descoberta ocorreu na Casa do Tiaso, dentro da Villa dos Mistérios de Dionísio. Embora a região já tivesse sido parcialmente escavada há 100 anos, essa parte específica nunca havia sido explorada.
De acordo com as autoridades do Parque Arqueológico de Pompeia: “Era algo que ninguém poderia ter imaginado.”
