A previsão de chuvas intensas até domingo no Rio reforça a preocupação com a frequência de temporais cada vez mais violentos e destrutivos no estado. A Climatempo emitiu um alerta para chuva excepcional, prevendo que o volume acumulado em apenas três dias supere a média de todo o mês de abril, aumentando o risco de deslizamentos e alagamentos em diversas áreas. Segundo meteorologistas, os temporais no Rio não são uma novidade, mas os impactos têm se agravado devido ao crescimento desordenado e à ocupação irregular de determinadas regiões, tornando-as mais vulneráveis a desastres naturais.
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De acordo com a Climatempo, a chuva intensa pode causar enchentes, enxurradas e alagamentos, além de aumentar o risco de deslizamentos de barreiras. As fortes rajadas de vento também representam perigo, podendo provocar quedas de árvores e de estruturas metálicas.
Segundo o meteorologista Guilherme Borges, da Climatempo, a chegada das frentes frias é a principal responsável pelos temporais no estado do Rio. Além disso, o aquecimento global, que intensifica esses fenômenos, também preocupa. Outro fator destacado por ele é a ortografia da cidade.
— As frentes frias passam com muita frequência pelo Sudeste e, ano após ano, o aquecimento global tem contribuído para intensificá-las ao chegarem ao estado. Na Região Serrana, a presença de montanhas na faixa oeste do estado favorece, em alguns casos, a intensificação de tempestades que se formam no interior do continente e avançam em direção ao estado — explicou Guilherme Borges.
Ele detalha que as frentes frias se formam pelo encontro de duas massas de ar com características distintas: uma fria e seca e outra quente e úmida. Quando a massa de ar frio avança sobre a região ocupada pela massa de ar quente, ocorre a formação da frente fria, resultando em mudanças bruscas no tempo, como queda de temperatura e chuvas intensas.
Para Thiago Sousa, meteorologista do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), os temporais no Rio não são um fenômeno inesperado. Segundo ele, desde os primeiros registros históricos, a cidade já enfrentava chuvas intensas e eventos extremos. No entanto, ele alerta que algumas áreas podem ser mais afetadas devido à falta de infraestrutura adequada, agravando os impactos das tempestades.
Ele cita relatos antigos que evidenciam a recorrência desses fenômenos. Em 1575, o padre José de Anchieta descreveu, em carta, a devastação causada pelas chuvas: “Choveu tanto que se encheu e rebentaram as fontes”. Já em 1756, uma enchente durou três dias e, de acordo com Machado de Assis, “uniu a cidade ao mar”, obrigando os moradores a usarem canoas para se locomover pelas ruas alagadas.
Em 1811, Thiago lembra das chamadas “Águas do Monte”, que destruíram parte do Morro do Castelo, que ficava no Centro do Rio, na região onde hoje está a Praça Quinze, ferindo moradores e derrubando casas. No século XX, os episódios continuaram: em 1966, após rios transbordarem, o Rio ficou submerso por cinco dias. No ano seguinte, 119 pessoas morreram após um deslizamento causado pela chuva. O meteorologista destaca que, em 1988, esse número chegou a 300 vítimas em somente duas semanas de temporais. Já no século XXI, as chuvas de abril de 2010 e 2019 também deixaram um rastro de destruição.
— Ou seja, temporais devastadores sempre fizeram parte da história do Rio. O que pode ter mudado é a forma como a cidade cresce, a ocupação desordenada, a impermeabilização do solo e o aumento da vulnerabilidade de algumas áreas, agrando os impactos desses eventos. Mas a ocorrência de tempestades intensas em si é algo comum no clima da cidade desde os tempos coloniais — explica Thiago Sousa.
De acordo com a Climatempo, uma frente fria se aproxima do Estado do Rio e deve provocar mudanças bruscas no tempo, com chuva contínua. Há potencial de enchentes, enxurradas e alagamentos. O risco de deslizamentos de barreiras também não é descartado. Além disso, as fortes rajadas de vento podem provocar quedas de árvores e de estruturas metálicas.
Segundo o meteorologista Guilherme Borges, da Climatempo, as áreas mais afetadas serão a parte sul da Serra Fluminense, como os municípios de Petrópolis, Teresópolis e Nova Friburgo, indicados em azul no mapa feito pela empresa. Os acumulados de chuva devem variar entre 250mm e 350mm.
Em seguida, a capital e o Norte, que inclui cidades como Campos dos Goytacazes, São Fidélis e Macaé, destacados em roxo no mapa, devem registrar acumulados entre 150 mm e 250 mm de chuva entre sexta-feira e domingo.
Já no Sudoeste do estado, na divisa com Minas Gerais e São Paulo, os acumulados de chuva devem ser menores, mas ainda elevados, variando entre 100mm e 150mm ao longo dos próximos dias.
— Há alto risco para alagamentos, enxurradas, transbordamentos de rios e até de deslizamento de encostas — disse Guilherme Borges.
Nos próximos dias no Rio, as temperaturas que devem diminuir. Segundo o meteorologista, o estado sairá de temperaturas como a da última quarta-feira, com máxima de 34 graus, para 24 graus no próximo domingo.
— É uma queda de quase 10 graus na temperatura. A máxima será de 36 graus na quinta-feira. Depois, essa massa fria avançará, fazendo com que a noite de sexta-feira feche com 23 graus, a de sábado com 21 graus e o domingo com apenas 24 graus — informa Guilherme Borges.
O Centro de Operações Rio (COR) destacou que a previsão é de que nesta quinta-feira haja pancadas de chuva no período da tarde, que podem ser acompanhadas de raios e rajadas de vento moderadas a fortes. A temperatura deve variar entre 38 graus e 23 graus.
Entre sexta-feira e sábado, a previsão é de chuva generalizada na cidade, iniciando na tarde de sexta-feira, com intensidade de moderada a forte, podendo atingir níveis muito fortes, também acompanhada de raios e rajadas de vento moderadas a fortes. No domingo, a previsão é de chuva fraca a moderada ao longo do dia. O céu deve permanecer nublado a encoberto, com ventos moderados.
Apesar de a chuva começar nesta quinta, as temperaturas, segundo o COR, só devem cair a partir de sexta-feira, variando entre 29 graus e 21 graus. No sábado, o declínio será mais acentuado, com a máxima prevista de 25 graus e a mínima de 18 graus.
Os ventos também ficarão intensos. A Climatempo prevê que, na sexta-feira, as fortes rajadas acontecerão durante os temporais, com rajadas previstas de 60 a 80 km/h. No sábado, venta ao longo de todo o dia com algumas rajadas alcançando de 50 a 70 km/h. Há condições para queda de galhos, árvores e estruturas metálicas.
A empresa também ressalta que o mar ficará agitado, com ondas que podem alcançar os 3 metros de altura durante o sábado e domingo.
Segundo a empresa, a virada do tempo pode provocar eventos que se assemelham a outros que aconteceram em Petrópolis, Teresópolis, Angra dos Reis e Paraty nos últimos anos.
