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Estratégia de ‘Nós contra eles’ vai melhorar a imagem do governo? Especialistas analisam

BRCOM by BRCOM
julho 6, 2025
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Lula levanta placa pedindo taxação dos super ricos durante caminhada em Salvador — Foto: Ricardo Stuckert / PR

A exemplo da crise do mensalão em 2005, quando viveu seu momento mais difícil de popularidade e de relação com o Congresso, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vem intensificando neste terceiro mandato o apelo ao discurso de “ricos contra pobres” e às críticas ao “andar de cima” da sociedade brasileira. O objetivo da comunicação do governo é associar a imagem do petista ao eleitorado de baixa renda, segmento que contribuiu para sua eleição em 2022, e usar pressão social para compensar impasses na articulação política.

Estrategistas políticos e marqueteiros ouvidos pelo GLOBO se dividem sobre a eficácia do discurso, caso se mantenha até as eleições de 2026. A ênfase nas desigualdades sociais ainda tem o poder de atrair a atenção de eleitores e mobilizar a militância petista, reconhecem. Mas duas década depois a mudança da imagem de Lula e de seu partido junto à população pode enfraquecer a mensagem, que tem de ser acompanhada de melhorias concretas na economia para funcionar, alerta uma parte deles.

Ao longo da última semana, Lula fez declarações defendendo uma nova alíquota de Imposto de Renda para pessoas com remuneração superior a R$ 50 mil e, em visita à Bahia, ergueu um cartaz pedindo “taxação dos super-ricos”. A medida, costurada pelo Ministério da Fazenda para abrir espaço à isenção de IR para quem ganha até R$ 5 mil, é aprovada por 76% dos eleitores, segundo pesquisa Datafolha de abril — entre os mais pobres, 78% são favoráveis.

— A ideia de justiça social continua mobilizando as camadas populares, mas se a narrativa não vier acompanhada de alívio concreto no bolso, pode gerar ressentimento nesse eleitorado. Quando o governo bate nos “ricos”, mas é percebido como um Estado que cobra muito e entrega pouco, ele começa a ser confundido com aquilo que critica — avalia Marcos Carvalho, diretor da AM4 e um dos marqueteiros da campanha digital de Bolsonaro em 2018.

Com a derrubada do decreto que aumentava o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), o PT e apoiadores passaram a mirar sua artilharia no Congresso. Vídeos e publicações nas redes sociais têm buscado colocar na conta sobretudo do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), os empecilhos a propostas que atendem à população de menor renda.

Lula levanta placa pedindo taxação dos super ricos durante caminhada em Salvador — Foto: Ricardo Stuckert / PR

O discurso de antagonizar o Centrão aos eleitores mais pobres veio à tona também em uma declaração do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que questionou na semana passada se o Congresso teria interesse em “prejudicar a parcela mais pobre” do país. Haddad referia-se a um suposto risco de retaliação dos parlamentares, após o governo acionar o Supremo Tribunal Federal (STF) para manter o aumento de alíquota do IOF.

— Essa tentativa de enquadrar o Congresso, com a narrativa de que o Centrão não está ajudando o país, só se consolidará se o governo conseguir vender uma imagem de vítima à população. Lula já recorreu a esse papel em outras ocasiões. O problema é que não vejo sua imagem com a mesma credibilidade de outros tempos, há uma certa fadiga de material — afirma o marqueteiro Paulo Vasconcellos, que atuou na reeleição do governador do Rio, Cláudio Castro (PL), em 2022.

Coordenador da última campanha do prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD), e integrante do núcleo da campanha de Lula em 2022, o marqueteiro Marcello Faulhaber considera, por sua vez, que a guinada no discurso petista é um “instrumento poderoso” para 2026. Para Faulhaber, a retórica atual se assemelha ao discurso aguerrido de Lula na primeira eleição presidencial que disputou, em 1989, quando o PT chegou ao segundo turno.

Desde então, o petista moderou o discurso até se eleger, em 2002, com uma tônica de conciliação similar à adotada na campanha de 2022, que desembocou no slogan governista de “união e reconstrução”. Na ocasião, Lula conseguiu atrair eleitores mais distantes do PT, um dos focos de sua campanha, e venceu Bolsonaro por margem estreita. Agora à frente do governo, uma das tarefas de Lula, na avaliação de Faulhaber, é expor o “poder descomunal” do Congresso para reequilibrar a relação política.

— Os indicadores econômicos estão bons, e os partidos do Centrão não querem desembarcar do governo e ficar sem esses espaços até a eleição. Esse discurso mais combativo, de ricos contra pobres, é o único capaz de expor que o Congresso, na prática, hoje tem mais poder do que o Executivo federal, só que sem se submeter ao accountability — aponta Faulhaber.

Há dúvidas, tanto entre os analistas quanto entre integrantes do governo, sobre a permanência desse discurso mais inflamado até a eleição de 2026. Para Marcos Carvalho e Paulo Vasconcellos, por exemplo, a estratégia pode ser útil para garantir o apoio da base mais fidelizada ao PT em um primeiro turno, especialmente em um cenário de baixa popularidade de Lula.

Já Mauricio Moura, fundador do instituto de pesquisa Ideia e professor da George Washington University, pondera que a estratégia “não chega nas margens” — isto é, em eleitores menos envolvidos na polarização.

— A polarização estabelecida hoje é petismo e antipetismo. No eleitorado que rejeitava mais Bolsonaro do que o PT, e que foi fundamental na eleição de 2022, a narrativa tem pouca efetividade. Outro caso é o eleitor da classe C, que oscilou entre PT e Bolsonaro nos últimos anos. Esse grupo hoje não é da CLT, é do trabalho informal. Ele não quer uma briga entre ricos e pobres, ele quer empreender e ser rico. O discurso ataca justamente o sonho desse público — avalia.

Para Moura, a narrativa abraçada por Lula também ignora diferenças entre o cenário atual e o do mensalão. Há duas décadas, lembra Moura, o petista surfava na criação e expansão do Bolsa Família e de outros programas sociais, um tipo de “entrega palpável que facilita o discurso de que o governo está fazendo algo pelos pobres, enquanto outros fizeram pelos ricos”. Agora, em contrapartida, ele enxerga dificuldade em converter pautas como o fim da escala 6×1 em salto de popularidade, devido ao aumento da parcela da população no mercado informal.

Pesquisa Datafolha divulgada em junho mostrou um recuo no percentual dos que dizem preferir o trabalho de carteira assinada, independentemente da remuneração: hoje são 67%, dez pontos a menos do que o índice detectado em dezembro de 2022, na última vez em que o levantamento havia sido feito. Segundo a mesma pesquisa, hoje 31% dizem preferir trabalhar fora da CLT quando a remuneração é maior.

Entre os mais pobres, no entanto, o desejo de trabalhar na formalidade é maior do que em outros estratos de renda: 72% dos que recebem até dois salários mínimos mensais disseram preferir a CLT.

A tentativa de reforçar uma conexão com o eleitorado de baixa renda ocorre em um momento em que a avaliação de Lula vem caindo entre os mais pobres. Segundo a última rodada do Datafolha, de junho, 32% dos eleitores nesse estrato consideram o atual governo ótimo ou bom, quase o mesmo percentual (33%) dos que o avaliam como ruim ou péssimo. Em dezembro, era justamente a faixa de dois salários mínimos que dava maior aprovação a Lula: 44% avaliavam o governo positivamente à época, e 24% negativamente.

Marqueteiro responsável pela última campanha de Marcelo Freixo ao governo do Rio, e agora atuando junto ao governador de Minas, Romeu Zema (Novo), Renato Pereira avalia que o PT perdeu parte de suas ferramentas para dialogar com os mais pobres.

— O “nós contra eles” não funciona porque o PT, que já foi o antiestablishment, agora está mais perto do “eles”. O que define “elite” hoje não é tanto o poder econômico, e sim o discurso cultural, a defesa de valores progressistas, algo que tem maior aderência em Lula neste mandato. Isso afasta o “povão” e vai inviabilizar a tentativa do PT de se colocar ao lado dos oprimidos — diz Pereira.

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