Milhares de estudantes de Ensino Médio, apoiados por sindicatos, pais e universitários, realizaram uma nova jornada de protestos na França nesta terça-feira, exigindo melhores condições de ensino, em uma inquietação social que se repete desde setembro. Cerca de 30 cidades registraram atos, com uma das organizações a frente da organização afirmando que 1,8 mil escolas foram parcialmente bloqueadas ou fechadas. Os manifestantes são acompanhados por um forte aparato de segurança, uma vez que os atos ficaram marcados pelos confrontos com a polícia — com 215 estudantes, 85 membros do corpo docente e 715 policiais feridos desde então.
Em protesto estudantil: Adolescente perde mão após pegar granada durante confronto com a polícia
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Os protestos começaram em setembro, com estudantes entre 15 e 18 anos, na etapa final da educação secundária , denunciando a falta de professores substitutos, a carga horária — que consideram excessiva — e a estrutura das salas de aula, não adaptadas às mudanças climáticas. Embora muitos protestos tenham sido pacíficos, alguns manifestantes incendiaram lixeiras, destruíram pontos de ônibus e enfrentaram a tropa de choque, que respondeu com cassetetes, gás lacrimogêneo e projéteis de defesa.
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Desde o início da manhã, grupos de estudantes reuniam-se pacificamente em frente às escolas. As autoridades preveem manifestações em todo o país e estimam entre 20 mil e 40 mil manifestantes apenas em Paris. O gabinete do primeiro-ministro, o centrista Sébastien Lecornu, pediu que as manifestações fossem “pacíficas” e que se retornasse a “uma forma de oposição estruturada, legal e democrática”.
Na capital, cerca de cem alunos bloqueavam o colégio Sophie Germain: alguns estavam de pé sobre lixeiras, outros seguravam faixas com frases como “Jovens demais para sermos ouvidos, velhos o bastante para levarmos gás”. No colégio Saint-Exupéry, em Créteil — a sudeste de Paris e local onde os protestos começaram —, os estudantes empilhavam grades em frente à entrada principal logo cedo.
— Estamos aqui para fazer nossa voz ser ouvida, uma voz muitas vezes esquecida — declarou um deles, Abderrahmane Abdelkader.
O governo tenta responder às reivindicações dos estudantes, ao mesmo tempo em que acusa o partido de esquerda radical “A França Insubmissa” (LFI) de estar por trás da agitação. Os protestos ocorrem meses antes da eleição presidencial de 2027, que escolherá o sucessor de Emmanuel Macron, e em um momento em que o governo busca aprovar um orçamento com forte ajuste fiscal para reduzir os elevados déficits e a dívida pública, em um contexto de preocupação nos mercados. Jean-Luc Mélenchon, candidato da LFI, expressou apoio aos manifestantes, embora tenha defendido o uso de métodos não violentos.
Repressão policial desproporcional
O governo está sob pressão devido à sua resposta repressiva. Na segunda-feira, um jovem de 15 anos perdeu uma mão após, segundo uma fonte sindical policial, pegar uma granada de dispersão lançada por agentes da tropa de choque em Lens, no norte da França. Vários sindicatos e organizações de direitos humanos acusaram a polícia de usar força desproporcional contra os manifestantes — entre eles, a Anistia Internacional, que pediu na segunda-feira o “fim da repressão policial desproporcional”.
— As imagens e os depoimentos amplamente divulgados na última semana levantam preocupações alarmantes sobre o uso perigoso de gás lacrimogêneo, cassetetes e técnicas de intervenção policial — declarou Anne Savinel-Barras, da AI.
A líder do sindicato CGT, Sophie Binet, afirmou que seus membros estariam presentes para “proteger os estudantes do ensino médio”.
A polícia abriu 10 investigações internas por acusações de brutalidade desde o início dos protestos, informou o ministro do Interior, Laurent Nuñez, na noite de segunda-feira. Desde o início do movimento, 24 escolas foram incendiadas ou saqueadas, e mais de 5 mil pessoas — 87% delas menores de idade — foram detidas, segundo as autoridades.
O primeiro-ministro busca enfrentar o problema da falta de professores e a renovação de prédios deteriorados, ao mesmo tempo em que promove uma lei para que os responsáveis por danos ao patrimônio público paguem pessoalmente pelos reparos.
Estudantes fecham 1,8 mil escolas em nova jornada de protestos na França
