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outubro 6, 2026
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Ser mãe muda a forma de liderar? O que essa experiência pode ensinar

Por · outubro 6, 2026
Ser mãe muda a forma de liderar? O que essa experiência pode ensinar


Virginia Fonseca e Bianca Andrade construíram carreiras que ultrapassaram as redes sociais e chegaram ao mundo dos negócios. Mães e empresárias, as duas fazem parte de uma geração de mulheres que concilia decisões profissionais com a rotina de cuidar dos filhos. Nesse encontro entre vida pessoal e carreira, surge uma questão: experiências vividas na criação de uma criança podem influenciar a maneira de conduzir uma equipe?
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Para Juliana Viero, a resposta passa menos por levar métodos de gestão para dentro de casa e mais pelo caminho inverso. Mãe de uma menina, ela conta que a experiência com a filha mudou sua percepção sobre cobrança, limites e relações no ambiente profissional.
“Eu não levei a liderança da empresa para casa. Levei a maternidade para a empresa. Ser mãe me fez entender que firmeza não precisa vir acompanhada de dureza. Você pode estabelecer limites, cobrar, dizer não e continuar tratando o outro com respeito. Quando percebi isso dentro de casa, comecei a questionar por que no ambiente profissional deveria ser diferente”, afirma.
Há sete anos, Juliana também se dedica à educação parental e se especializou em Disciplina Positiva. A partir dessa experiência, passou a relacionar alguns dos conceitos presentes na criação dos filhos à convivência entre adultos.
Firmeza sem autoritarismo
Uma das questões está na maneira de estabelecer limites. Na criação dos filhos, regras e consequências fazem parte da rotina. No ambiente profissional, a lógica pode aparecer na forma como cobranças e responsabilidades são conduzidas.
“Disciplina Positiva não significa deixar passar ou diminuir a cobrança. Acho que existe uma confusão em torno disso. É justamente o contrário: existem combinados, consequências e responsabilidades muito claras, mas sem humilhar ou diminuir alguém para conseguir um resultado. Eu trouxe muito dessa lógica para a forma como lidero”, explica.
Essa perspectiva também modifica a relação com os erros. Segundo Juliana, mais importante do que encontrar rapidamente um culpado é entender o que levou ao problema e criar condições para que a situação não se repita.
“Ninguém é cobrado por errar tentando acertar. A gente cobra quem esconde o erro. Quando você cria uma cultura em que as pessoas têm medo de admitir que alguma coisa deu errado, o problema não desaparece. Ele só chega até você mais tarde e, muitas vezes, muito maior”, pondera.
A mesma lógica vale para quem ocupa posições de comando. Juliana não considera que exercer autoridade signifique ter todas as respostas.
“Ser CEO não significa entrar em uma sala sabendo todas as respostas. Acho muito mais perigoso um líder fingir que sabe tudo do que admitir que precisa ouvir alguém que conhece melhor aquele assunto. Autoridade, para mim, não diminui quando você escuta. Ela amadurece”, defende.
Afeto e cobrança podem coexistir?
Acolhimento e cobrança costumam ser colocados em lados opostos quando se fala sobre ambiente profissional. Na visão de Juliana, não é necessário escolher entre os dois.
“Afeto não elimina exigência. Eu posso me importar profundamente com uma pessoa e ainda cobrar dela aquilo que foi combinado. Talvez uma das coisas mais importantes que a maternidade tenha me ensinado seja justamente essa: acolher não significa dizer sim para tudo”, ressalta.
A questão ganha outra dimensão quando envolve segurança. Em atividades nas quais prazos e resultados podem pressionar decisões, ela defende que determinadas prioridades não sejam negociáveis.
“Se o prazo exigir arriscar uma vida, a vida vence. Sempre. Nenhuma entrega, nenhum contrato e nenhum resultado financeiro justificam colocar alguém em risco. E eu quero que qualquer pessoa dentro da empresa saiba que tem autoridade para parar uma atividade se perceber que alguma coisa não está segura”, frisa.
Ser mãe torna alguém uma líder melhor?
Não necessariamente. Ter filhos não é requisito para desenvolver escuta, negociação, empatia ou capacidade de conduzir equipes. A relação entre maternidade e carreira, no caso de Juliana, é resultado de uma experiência individual.
“Existe uma expectativa de que a mulher precise deixar a maternidade do lado de fora quando entra em uma reunião para demonstrar profissionalismo. Eu fiz o contrário. A maternidade desenvolveu em mim habilidades que uso todos os dias como CEO: escuta, negociação, paciência, capacidade de colocar limites e, principalmente, entender que pessoas diferentes precisam de abordagens diferentes”, conta.
A experiência também fez com que ela passasse a observar não apenas o resultado de uma decisão, mas o caminho percorrido até ele.
“Antes, talvez eu olhasse muito para o resultado final. A maternidade me ensinou a prestar atenção também no processo. Não basta perguntar se chegamos onde queríamos. Eu passei a perguntar como chegamos, quem foi afetado no caminho e se eu gostaria que aquilo se repetisse da mesma maneira”, reflete.
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Divulgação
A maternidade não determina uma forma de liderar, mas pode ampliar o olhar sobre cobrança, limites, erros e relações profissionais. Para Juliana, perguntas que nasceram na convivência com a filha passaram a acompanhá-la também nas escolhas que faz no trabalho.

Ser mãe muda a forma de liderar? O que essa experiência pode ensinar