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outubro 6, 2026
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Forças do Iêmen dizem que estreito na entrada do Mar Vermelho 'está sob controle'; houthis atacam aeroportos sauditas

Por · outubro 6, 2026
Forças do Iêmen dizem que estreito na entrada do Mar Vermelho 'está sob controle'; houthis atacam aeroportos sauditas


As forças do governo internacionalmente reconhecido do Iêmen afirmaram estar “sob controle” de cidades na região do Estreito de Bab el-Mandeb, na entrada do Mar Vermelho, em meio a uma ofensiva contra os houthis, com o apoio da Arábia Saudita. A operação tenta barrar o recente avanço da milícia, aliada do Irã, mas enfrenta pesada resistência e retaliações contra o território saudita, incluindo ataques a aeroportos nesta terça-feira.
Nova guerra: Mais de 1.500 rebeldes houthis foram mortos ou feridos nas últimas 24 horas, diz governo do Iêmen
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De acordo com representantes do governo iemenita, baseado em Áden, suas forças assumiram o controle de Dhubab e Mokha, às margens do Estreito que davam aos houthis a capacidade de interferir no trafego de navios — por ali, passam cerca de 12% de todo comércio marítimo internacional. Contudo, os relatos são contestados por observadores independentes, que confirmam os pesados combates na região, mas sem sinais claros de um lado vitorioso. Os houthis dizem que as alegações oficiais são “histórias fabricadas”, e garantem que estão em vantagem no campo de batalha.
— Será um sinal fundamental para nós saber se as forças do governo iemenita, lideradas pelas Brigadas dos Gigantes do Sul e outras forças sulistas, conseguirão manter o controle desta cidade. Isso porque, no momento, ao analisar o plano de batalha, vê-se que Mokha está cercada pelos Houthis por três lados, restando apenas o Mar Vermelho — declarou Fernando Carvajal, ex-conselheiro para o Iêmen no Conselho de Segurança da ONU, à al-Jazeera.
Edifícios danificados na cidade de Taiz, capital da província de Taiz, no sudoeste do Iêmen. No país, os Houthis estão em confronto contra as forças governamentais e a Arábia Saudita
AFP
Em outra frente, o porto de Hodeidah, bastião dos houthis desde outubro de 2014, é alvo de intensos bombardeios e de uma ofensiva por terra, com apoio aéreo e naval saudita. A queda da cidade, ao lado da conquista da capital, Sana, foi uma das grandes vitórias da milícia em seus avanços iniciais na década passada.
“Se houver agora um esforço sério para retomar Hodeidah, isso seria um golpe muito maior para os houthis do que simplesmente perder território ao redor de Bab al-Mandab. Não está claro se os sauditas e iemenitas irão tão longe, mas uma coisa está acontecendo com certeza: o momento atual não está permitindo que os houthis respirem”, escreveu na rede social X a analista iemenita Fatima Alasrar.
Lançada no domingo, a contraofensiva iemenita quer não apenas barrar os avanços recentes dos houthis, que culminou com o controle parcial do Estreito de Bab el-Mandeb, mas também retomar territórios ocupados pela milícia, incluindo Sana. De acordo com o comando saudita, mais de 100 aviões prestam apoio às forças terrestres locais, e mais de 300 alvos “de interesse” foram atingidos no fim de semana. Há intensos combates em regiões montanhosas de Taiz, onde os houthis controlam importantes estradas e vias e dificultam os avanços das tropas do governo.
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Em paralelo aos combates em terra, os houthis anunciaram retaliações contra a Arábia Saudita, atingindo ao menos três aeroportos — Jazan, Abha e Najran — deixando feridos e causando estragos. Na véspera, a milícia afirmou ter atingido o aeroporto de Riad, um dos principais do país, além de instalações da estatal petrolífera Aramco.
“Reiteramos nosso aviso a todas as companhias aéreas internacionais para que não continuem operando voos no espaço aéreo saudita, uma vez que este se tornou um cenário de nossas operações militares — com exceção do espaço aéreo sobre as cidades sagradas de Meca e Medina”, disse o porta-voz da milícia, Yahya Saree, em publicação no Telegram.
Milícia nega: Arábia Saudita acusa houthis de atacarem cidade sagrada de Medina
Depois de anos em relativa suspensão, a guerra civil no Iêmen foi retomada em julho, quando os sauditas bombardearam o aeroporto de Sana em resposta à chegada de uma aeronave iraniana, e os houthis impuseram um bloqueio naval à Árabia Saudita no Mar Vermelho. No mês passado, a milícia, que serve como uma força auxiliar de Teerã na região, conquistou novos territórios, incluindo áreas que lhe permitiram exercer o controle de Bab el-Mandeb. O possível fechamento do estreito, assim como os bloqueios no Estreito de Ormuz, foram levantados pelo Irã em negociações para encerrar o conflito iniciado por EUA e Israel em fevereiro.
Na segunda-feira, em mais um sinal de que pretende escalar a ofensiva contra os houthis, os sauditas anunciaram que seus parceiros no chamado Pacto de Meca, Turquia e Paquistão, concordaram com o acionamento da cláusula de defesa mútua da aliança, e que mandarão tropas e equipamentos militares ao território saudita. Não foram fornecidos detalhes sobre o número de tropas ou armamentos, tampouco qual papel terão ali.
Em comunicado à AFP, um porta-voz do secretário-geral da ONU, António Guterres, condenou “os contínuos ataques transfronteiriços dos Houthis” contra a Arábia Saudita e disse estar “profundamente preocupado com a acentuada escalada dos combates”. Desde a retomada dos confrontos, quase mil pessoas morreram e 189 mil deixaram suas casas para escapar da violência. Para enfrentar o que chamou de “novo choque humanitário”, o chanceler francês, Jean-Noël Barrot, anunciou um aporte de € 3 milhões em ajuda destinada ao Iêmen, “elevando nossa ajuda total à população iemenita para mais de 7 milhões de euros em 2026”, afirmou.

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