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outubro 10, 2026
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Estúdios ganham espaço entre os imóveis 'triple A'

Por · outubro 10, 2026
Estúdios ganham espaço entre os imóveis 'triple A'


Os estúdios de alto luxo começam a ganhar espaço no mercado imobiliário do Rio de Janeiro, levando uma tipologia tradicionalmente associada a apartamentos compactos para empreendimentos com preços mais elevados e padrões de acabamento sofisticados. A chegada desse produto ao segmento de luxo acompanha a expansão dos imóveis de menor metragem na cidade.
Segundo levantamento da Brain Inteligência Estratégica para o Sinduscon-Rio,os compactos representaram 35% dos lançamentos residenciais nos sete primeiros meses de 2026, ante 10% em 2022.Eles também respondiam por apenas 15% do estoque disponível, enquanto a absorção média do mercado carioca chegava a 80% — cenário que ajuda a explicar o interesse crescente das incorporadoras por esse formato.
Esse movimento já aparece de forma expressiva nos lançamentos de estúdios. Dados da Abrainc, com base na GeoBrain, apontam crescimento de 194% nessa tipologia no Rio em 2025. A procura se mantém em 2026, inclusive em bairros da Zona Sul e em empreendimentos voltados para consumidores de maior poder aquisitivo.
No segmento de alto padrão, a estratégia das incorporadoras é extrair o maior tíquete possível de unidades menores. Na prática, isso significa oferecer estúdios mais amplos, com acabamentos refinados,em residenciais que agregam lazer, serviços e localização disputada. É o caso do Parque Studios, em Ipanema, quase na fronteira com o Leblon, recém-lançado pela Balassiano Engenharia.
Localização. O empreendimento ocupa endereço estratégico em Ipanema
Balassiano Engenharia/Divulgação
O gerente comercial da empresa, Leandro Costa, explica que Ipanema e Leblon têm pouquíssimos terrenos disponíveis, e o tíquete de um apartamento de metragem grande ficou fora do alcance de muita gente que deseja morar nos dois bairros.
— O estúdio de alto padrão abre essa porta com investimento de entrada menor e uma liquidez que poucos produtos têm. Os corretores também abraçaram o modelo, porque é um produto fácil de explicar e que atende a vários perfis ao mesmo tempo. O comprador hoje é mais criterioso: ele compara, visita e quer entender a planta. Quando o projeto entrega qualidade de verdade, é vendido com rapidez — pontua Costa.
MORADIA EFICIENTE
Mas quem é esse público? Na Lopes Select, braço da imobiliária voltado às unidades de luxo, as vendas indicam que boa parte dos compradores é formada por pessoas que trocam os hotéis por mais privacidade, mas querem dispor de áreas de lazer amplas e mais confortáveis, academias bem equipadas e boa oferta de serviços. Para esse grupo, monetizar a unidade não é prioridade.
— Os estúdios de luxo vêm se mostrando uma forma de moradia mais eficiente para casais sem filhos, jovens que querem morar sozinhos ou executivos que passam longos períodos na cidade e valorizam a localização. Sem contar os turistas que poderiam ficar em hotéis, mas preferem um apartamento em que terão conforto sem a movimentação de outras pessoas — diz um dos sócios da Select, Sandro Morais.
Essa proximidade com a hotelaria ajuda a explicar a lógica dos empreendimentos triple A. Assim como na escolha da hospedagem, o comprador pode optar por uma unidade mais compacta e prática ou por uma experiência mais ampla e sofisticada. É essa premissa que orienta o Arti, no Leblon, da Sig Engenharia em parceria com a RJDI.
— Os compactos de alto padrão são maiores, com design que divide melhor os ambientes, têm uma cozinha, mesa para trabalhar e sofá. Essa tipologia funciona muito bem em bairros como Ipanema e Leblon, que não dispõem de muitos hotéis — explica o sócio-fundador da SIG, Schalom Grimberg, que se prepara para lançar dois novos residenciais com estúdios de luxo nestes bairros da Zona Sul.

Estúdios ganham espaço entre os imóveis 'triple A'