Uma exposição de curto prazo ao cigarro eletrônico pode lesionar o tecido mais delicado dos pulmões e torná-lo mais vulnerável a infecções virais, segundo um estudo liderado por pesquisadores do National Jewish Health e publicado no JCI Insight.
Peste pneumônica: como é transmitida a grave infecção pulmonar associada à morte de uma cientista na Rússia?
Psicólogos concordam: quem esquece nomes durante uma conversa provavelmente está sofrendo de sobrecarga mental
A equipe estudou células epiteliais e endoteliais pulmonares humanas, juntamente com tecido pulmonar humano cortado com precisão, todos retirados da porção distal do pulmão — região profunda e delicada por onde o oxigênio passa para a corrente sanguínea.
Eles então expuseram esses tecidos ao vapor do cigarro eletrônico isoladamente e, separadamente, testaram a exposição ao vapor seguida de infecção por um vírus respiratório, em modelos pré-clínicos.
Em apenas 24 horas, o vapor do cigarro eletrônico danificou a barreira protetora da porção distal do pulmão, desencadeou estresse celular, prejudicou o processo interno das células para eliminar componentes danificados, retardou o crescimento e o reparo celular e aumentou a morte celular.
Os resultados persistiram por 10 dias após o término de um período de exposição de apenas 5. A exposição prévia ao vaping também aumentou a carga viral do SARS-CoV-2 (vírus da Covid-19) e suprimiu diversos genes antivirais após a infecção.
Peste na Rússia: agência sanitária conclui que não há risco epidêmico após morte de técnica de laboratório
“Nossos resultados sugerem que mesmo uma exposição de curto prazo ao vaping pode iniciar lesões nas regiões mais profundas e delicadas do pulmão. É importante ressaltar que alguns efeitos persistiram após o término da exposição e alteraram a resposta imunológica a uma infecção viral subsequente”, afirmou a autora sênior Irina Petrache, pneumologista e chefe da Divisão de Pneumologia, Cuidados Intensivos e Medicina do Sono do National Jewish Health.
Os resultados ainda precisarão ser confirmados com outros estudos feitos em humanos, porém, já ajudam a explicar por que o vaping tem sido associado a lesões pulmonares e maior suscetibilidade a infecções respiratórias.
Estudo revela que mesmo o uso breve de cigarros eletrônicos pode causar danos pulmonares permanentes
