O presidente Donald Trump disse nesta sexta-feira que os militares dos EUA atingiram outro barco de tráfico de drogas em águas internacionais, matando três pessoas. Inicialmente, Trump não disse se o ataque ocorreu nos arredores da Venezuela, onde a Marinha dos EUA enviou uma pequena armada para combater o tráfico de drogas, mas pouco depois, o secretário de Defesa Pete Hegseth confirmou a ação na região.
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Sem especificar inicialmente quando esse novo ataque aconteceu, Trump disse em sua plataforma Truth Social que a Inteligência dos EUA confirmou que o barco transportava drogas “por uma passagem conhecida de narcotráfico a caminho de envenenar americanos”. A postagem incluía um vídeo de uma lancha na mira de algum tipo de arma, explodindo em chamas ao ser atingida por munições.
“O ataque matou três narcoterroristas homens a bordo do navio, que estava em águas internacionais. Nenhum membro das Forças Armadas dos EUA foi ferido neste ataque”, escreveu Trump.
Mais cedo, o procurador-geral da Venezuela, Tarek William Saab, pediu que a ONU investigasse o que qualificou como “crimes contra a Humanidade” cometidos pelos Estados Unidos no Caribe, ao disparar mísseis contra lanchas que, segundo Washington, transportavam drogas.
“O uso de mísseis e armas nucleares para assassinar em série pescadores indefesos em uma pequena lancha são crimes contra a Humanidade que devem ser investigados pela ONU”, declarou Saab, citado em um comunicado de imprensa.
Por sua vez, o ministro das Relações Exteriores Yván Gil disse que a Venezuela pediu ao Conselho de Segurança da ONU que exija a cessação imediata das ações militares dos EUA no Mar do Caribe.
“As mesmas autoridades americanas alegam que essas ações resultaram em assassinatos extrajudiciais de civis, com a intenção de semear o terror entre nossos pescadores e nosso povo”, postou o ministro nas redes sociais. Ele afirmou que “é essencial que a soberania política e territorial da Venezuela e de toda a região do Caribe seja respeitada”.
Em agosto, o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou o deslocamento de forças navais para o Caribe, sob pretexto de atuarem no combate a cartéis do tráfico de drogas na região. Imediatamente, sinais de alerta se acenderam na Venezuela, onde o presidente Nicolás Maduro é acusado de ser o líder de uma organização criminosa conhecida como Cartel dos Sóis, associada ao comando militar local, e há uma recompensa de US$ 50 milhões por informações que levem à sua captura — Caracas nega qualquer relação de Maduro ou seus comandantes com o grupo.
Desde então, ao menos três barcos acusados de serem ligados ao tráfico foram destruídos pelos americanos — em um dos ataques, no começo do mês, 11 pessoas morreram, o que levantou questões sobre a legalidade das ações dos EUA, inclusive por parte dos parlamentares de oposição a Trump. Até o momento, a Casa Branca nega ter planos para derrubar Maduro.
Pelo lado venezuelano, o governo ordenou que suas Forças Armadas fossem colocadas em estado de alerta, e lançou uma campanha para que os cidadãos se juntem a milícias voluntárias, uma iniciativa que, segundo o Palácio de Miraflores, atraiu milhões de pessoas. Nos últimos dias, também foram convocados exercícios de treinamento básico para o emprego de armas de fogo e de táticas de combate. No sábado, esses treinamentos foram realizados em mais de 300 quartéis no país.