Kimi Antonelli nasceu na Itália, em 2006, mais de uma década após a morte de Ayrton Senna. Apesar da nacionalidade diferente e da distância temporal, o jovem prodígio da F1 nutre uma admiração especial pelo brasileiro. No ano passado, quando ainda era apenas um estreante na categoria, o piloto da Mercedes aproveitou a vinda para o GP de São Paulo para visitar o túmulo do tricampeão no Cemitério Parque, no Morumbi. Na ocasião, prestou homenagens e foi flagrado lendo uma biografia de Senna. Um ano depois, o garoto retorna a Interlagos não mais como uma promessa, mas integrando o mesmo rol de campeões mundiais do ídolo que tanto reverencia.
Antonelli é o mais rápido no primeiro dia de treinos livres
Depois de conquistar o título de forma antecipada no GP do México, no último domingo, e se tornar o campeão mais jovem da história da F1, aos 20 anos, Antonelli vive mais uma semana de fortes emoções. Em reconhecimento ao carinho pelo ídolo brasileiro, o italiano foi convidado a conhecer a fazenda da família Senna em Tatuí (SP), na terça-feira. Lá, viu de perto relíquias que pertenceram ao tricampeão e teve a oportunidade de entrar na Lotus 98T guiada pelo brasileiro em 1986.
— Foi emocionante. Um dia muito especial que guardarei para sempre na memória. Serei eternamente grato à família Senna por permitir que eu vivenciasse isso e, inclusive, sentasse no cockpit da Lotus. Eu nem queria ir embora. Tentei ficar o máximo de tempo que pude — contou Antonelli, que já disse que continuará com número 12, que ficou marcado com Ayrton, mesmo podendo utilizar o número 1 no ano que vem. — A família Senna foi muito receptiva ao me mostrar os lugares onde Ayrton costumava passar a maior parte do tempo. Foi surreal pensar que ele esteve, de fato, naquele mesmo espaço onde eu estava. Foi um momento extremamente especial — completou.
Kimi Antonelli posa na Lotus guiada por Ayrton Senna em 1986, na fazenda da família Senna, em São Paulo
Arquivo Pessoal
No dia seguinte, Kimi repetiu a visita ao túmulo do ídolo, desta vez trajado com um boné azul, que remetia ao icônico boné do Banco Nacional e uma camisa do Senninha.
— Agora estou lendo outro livro sobre o Senna. Aquele do ano passado eu já terminei — contou Kimi, ao comentar a foto tirada pelo influencer EstagiáriodaF1 no ano passado, na qual lia uma biografia do ídolo.
Kimi Antonelli visitou túmulo de Ayrton Senna em 2025 e 2026
Estagiário da F1 (foto 1) / João Pedro Figueiredo (foto 2)
A admiração de Antonelli por Senna, aliás, fez o italiano ganhar a simpatia dos torcedores brasileiros. O piloto foi tão bem recebido em seu retorno ao país que passou a considerar o GP do Brasil como uma segunda corrida “em casa”.
— O apoio dos brasileiros tem sido incrível. Depois daquela foto, ainda mais. É por isso que fico muito animado de vir para cá. É como se fosse outra corrida em casa — celebrou.
Neste fim de semana, o novo campeão mundial preparou mais uma homenagem. Está usando uma pintura de capacete com as cores da bandeira brasileira, as faixas da icônica pintura do tricampeão e um desenho de um câmbio, referência à primeira vitória de Senna, conquistada apenas com a sexta marcha, no GP do Brasil de 1991.
— Sempre que puder, manterei vivo o legado do Senna. Ele é um herói para mim. O legado dele é muito forte no mundo, e me sinto feliz e privilegiado de usar o número 12. Ele era não apenas um grande piloto, mas uma grande pessoa fora das pistas, pelo que fez naquela época pelo Brasil. Ver o Instituto Ayrton Senna até hoje sob a direção da família e ver o legado dele tão forte, e o quanto ele é amado no Brasil e no mundo, é muito legal — destacou.
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Italiano decolou na F1 a partir de GP de São Paulo de 2025
O Brasil, aliás, tem lugar especial na carreira de Kimi também dentro das pistas. Foi a partir do GP de São Paulo do ano passado que o jovem decolou de vez na F1. Antes, ele havia conquistado apenas um pódio nas 20 primeiras corridas. Em Interlagos, terminou em segundo na sprint e na corrida principal. Ainda em 2025, subiu ao pódio mais uma vez em Las Vegas. E neste ano, enfileirou poles, vitórias e atuações marcantes, que culminaram em uma incontestável conquista do título.
Lando Norris, Kimi Antonelli e Max Verstappen no pódio do GP de São Paulo de 2025
Miguel Schincariol / AFP
O brasileiro Gabriel Bortoleto exaltou a idolatria do italiano por Ayrton Senna.
— O Kimi sempre deixou claro que o ídolo dele é o Senna e eu fico muito feliz de poder ver um piloto de outro país admirando tanto um ídolo que também é meu. Aí você passa a entender a dimensão do que o Senna é para o mundo, principalmente quando outras pessoas de diferentes países, com outras culturas, exaltam tanto um brasileiro que fez tanto pelo seu país — disse o piloto da Audi.
Kimi lembrou outro momento inesquecível que viveu nos últimos dias: o pódio no GP mexicano, onde o italiano celebrou o título de 2026 e foi carregado nos braços por Lewis Hamilton e Max Verstappen.
— Aquele momento no pódio com Max e Lewis foi marcante. Espero conseguir vê-los antes da corrida porque quero agradecer a eles pelo que fizeram. Sabe, quando olho para trás, para o pódio… o que eles fizeram foi algo genuíno e é isso que torna tudo ainda melhor. É uma lembrança tão marcante que vou carregar comigo para sempre. Já coloquei uma foto daquele momento em uma moldura e, com certeza, vou pendurá-la na parede. Eu jamais esperaria comemorar meu título daquela maneira. O fato de eles terem me levantado foi, sem dúvida, a cereja do bolo. Serei sempre grato a eles por isso. Afinal, receber esse gesto de dois pilotos incríveis, que marcaram a história do esporte, é algo muito especial — contou o novo campeão mundial.
Antonelli confessou que ainda precisa de mais tempo para processar tudo o que viveu nos últimos dias.
— Tive uma sequência de eventos muito intensa nestes últimos dias: conquistei o campeonato, depois prestei homenagem ao Senna e visitei a família dele. Sem dúvida, eu gostaria de ter tido mais tempo para sentar e refletir sobre o que aconteceu — revelou o jovem campeão mundial.
Mesmo com o título de 2026 garantido, Antonelli não vai tirar o pé do acelerador.
— Estou muito empolgado por estar aqui em São Paulo. Quero encerrar a temporada com chave de ouro e, ao mesmo tempo, começar a minha preparação para 2027. É fundamental terminar esta temporada de forma sólida para ganhar ainda mais confiança para o ano que vem — garantiu o italiano.
Ao que parece, o piloto de 20 anos tem planos para se manter no topo e continuar a fazer história na F1, assim como fez seu ídolo Ayrton Senna nas décadas de 1980 e 1990.
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