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outubro 17, 2026
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Família acusa ICE de divulgar foto de homem morto em 2017 como suspeito vivo no Texas; entenda

Por · outubro 17, 2026
Família acusa ICE de divulgar foto de homem morto em 2017 como suspeito vivo no Texas; entenda


A família de um homem morto em 2017 acusa o Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) de divulgar uma fotografia dele como se fosse a de um suspeito ainda vivo, procurado durante uma operação em Houston, no Texas. O episódio ocorreu no último fim de semana e terminou com um trabalhador da construção civil de 48 anos gravemente ferido após ser atingido por um veículo conduzido por um agente.
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Até quinta-feira, o ICE e o Departamento de Segurança Interna não haviam respondido aos questionamentos do jornal americano The New York Times sobre a identidade do homem procurado.
A imagem divulgada pelas autoridades mostrava Jose Mendoza-Cervantes, nome que a família associa a Jose Hector Jimenez Mendoza, morto em outubro de 2017. A filha dele, Jamie Jimenez, disse ao The New York Times que reconheceu o pai no cartaz do Departamento de Segurança Interna. Ela apresentou ao jornal uma certidão de óbito mexicana e fotografias que, segundo a publicação, parecem mostrar a mesma pessoa retratada na imagem oficial.
Família diz que homem morreu ao fugir de agentes
Jimenez contou que os familiares ficaram horrorizados ao ver a fotografia do pai, morto havia quase nove anos, divulgada em noticiários locais como se ele estivesse vivo. A certidão de óbito apresentada ao jornal indica que ele tinha 43 anos quando morreu em Laredo, no Texas.
Segundo a filha, ele caiu de um penhasco enquanto fugia de agentes de imigração perto da fronteira sul dos Estados Unidos. A morte, de acordo com ela, não havia sido noticiada anteriormente.
A família afirma que Jose Hector Jimenez Mendoza também usava nomes falsos, entre eles Jose Mendoza-Cervantes. Registros judiciais consultados pelo The New York Times apontaram que ele respondia às mesmas acusações criminais atribuídas pelo ICE ao homem procurado: ocorrências relacionadas a dirigir sob efeito de álcool e à posse ilegal de arma de fogo.
Há, porém, registros públicos de várias pessoas com variações do nome Jose Mendoza-Cervantes que vivem no Texas, e as autoridades não esclareceram a identidade do alvo da operação.
Jimenez afirmou que a divulgação da fotografia reabriu o sofrimento da família. Segundo ela, as notícias “abriram feridas muito, muito profundas”, além de “saber que ele não está mais aqui, que não pode se manifestar e se defender”.
Trabalhador foi atingido durante perseguição
A operação ocorreu quando agentes tentaram abordar um carro conduzido por Miguel Parra Hernandez, trabalhador da construção civil de 48 anos. O ICE afirmou que o homem procurado havia entrado no veículo antes da abordagem. Parra Hernandez e outro passageiro fugiram a pé.
Imagens de câmeras de vigilância parecem mostrar um agente atingindo o trabalhador por trás com um SUV enquanto ele corria. O impacto provocou ferimentos graves na perna, no quadril e no tornozelo. O segundo homem conseguiu escapar.
Parra Hernandez continua hospitalizado e deverá passar por várias cirurgias. A família afirma que ele não conhecia o homem procurado e nunca havia sido abordado por agentes de imigração.
Durante uma entrevista coletiva na quarta-feira, o irmão do trabalhador e pessoas que apoiam a família disseram que ele mora em Houston há 34 anos. Uma pesquisa em registros judiciais feita com base em seu nome e idade encontrou diversas multas de trânsito, mas nenhuma acusação criminal.
Cesar Espinosa, diretor-executivo da FIEL, organização de defesa dos direitos dos imigrantes que auxilia a família, exibiu uma fotografia do passageiro que fugiu e afirmou que ele não se parecia com o homem retratado no cartaz do Departamento de Segurança Interna.
Promotoria investiga possível agressão agravada
O promotor do condado de Harris, Sean Teare, e o departamento local do xerife investigam a perseguição que deixou Parra Hernandez ferido. O caso é analisado como uma possível agressão agravada com arma letal.
A versão do ICE é que o trabalhador correu para a frente de um dos veículos da agência e acabou atingido. As imagens de vigilância, porém, parecem mostrar o SUV mudando de direção para atingir Hernandez enquanto ele fugia a pé.
Espinosa criticou a identificação do alvo da operação e classificou o episódio como um “fracasso do sistema”. Sobre a possibilidade de as autoridades terem usado a fotografia de um homem morto sem perceber que ele havia falecido, afirmou “que eles não tenham o nome correto, que não saibam que ele está morto” e disse ser “algo inconcebível”.
Até o momento, as autoridades não esclareceram se a imagem divulgada pelo ICE pertence de fato a um homem morto em 2017 nem quem era o passageiro que fugiu. A investigação também deverá apurar as circunstâncias do atropelamento e eventual responsabilidade criminal do agente envolvido.

Família acusa ICE de divulgar foto de homem morto em 2017 como suspeito vivo no Texas; entenda