O presidente dos EUA, Donald Trump, assinou uma ordem executiva na noite desta sexta (16) que isentou a Rússia de novas sanções aprovadas pelo Congresso americano no último mês.
A decisão chega após Trump ter sinalizado o fortalecimento de suas relações com Vladimir Putin há pouco mais de uma semana, quando retirou as sanções sobre o diesel russo, permitindo o fornecimento do combustível de Moscou aos EUA a baixos preços.
As novas sanções aprovadas pelo Congresso tinham como alvo autoridades do governo russo, oligarcas e instituições financeiras, com o intuito de atingir os fundos da Rússia para custear a guerra contra a Ucrânia.
Estas medidas eram parte de uma nova lei batizada com o nome do senador Lindsay Graham, republicano da Carolina do Sul que morreu em julho após mais de um ano trabalhando para conseguir apoio para o projeto, segundo o jornal The New York Times.
O texto da nova legislação ainda garantia a Trump maior autoridade tarifária que ele poderia utilizar para punir países que continuam a negociar com a Rússia — o que não parece interessar à Casa Branca. Pelo contrário, Trump tem se mostrado crítico a Zelensky e acusa o presidente da Ucrânia de ser mais difícil de lidar do que Putin, além de ter insinuado que são os ataques das forças ucranianas às refinarias russas que prejudicariam os preços do mercado global de petróleo.
A Casa Branca tem ampla autoridade para isentar ou abandonar sanções, ainda segundo o Times, porque o novo texto da lei Lindsay Graham exige que Trump apenas notifique o Congresso se optar contra impor sanções econômicas à Rússia, o que o presidente fez dois dias antes de a medida assinada por ele mesmo, em 18 de setembro, entrar em vigor.
“Estou, por meio desta [ordem], renunciando à aplicação destas sanções, restrições e deveres previstos no Ato Graham”, diz Trump no texto de sua ordem executiva. “Enviei ao Congresso um certificado de que a emissão desta dispensa neste momento é de interesse nacional dos Estados Unidos”, justificou.
No entanto, a ordem não explica por que o abandono das sanções seria de interesse dos Estados Unidos ou qual foi o argumento apresentado por Trump em sua notificação ao Congresso — citando apenas que um relatório com estes detalhes foi enviado à casa.
Os EUA devem, porém, continuar a monitorar quais países têm comprado petróleo bruto e gás natural da Rússia, segundo a ordem presidencial, informação esta que pode ditar quais são as alianças e os próximos passos do governo americano.
Por que Trump tem pressa de “fazer as pazes” com Putin?
A alta dos preços da energia, impulsionada pela guerra dos EUA contra o Irã, tornou-se uma preocupação central para Trump às vésperas das eleições legislativas de meio de mandato, marcadas para 3 de novembro. O presidente americano vê os altos preços de combustíveis no país como uma das principais causas para a perda de popularidade de seu partido.
O desentendimento entre Trump e Zelensky se intensificou após o fracasso de um suposto “cessar-fogo energético” anunciado por Trump no domingo. O americano disse que Moscou e Kiev tinham concordado em interromper os ataques contra instalações energéticas, embora Zelensky tenha dito que foi surpreendido pelo anúncio. Depois que Moscou continuou bombardeando a infraestrutura ucraniana, Kiev declarou que abandonaria a trégua e retomou os ataques.
— E agora podemos ver como o dinheiro começará a voltar a fluir para a Rússia por meio do acordo sobre o diesel — afirmou Zelensky. — Esse acordo nunca será suficiente para compensar o impacto do Estreito de Ormuz sobre os mercados globais. Mas colocará mais dinheiro diretamente no bolso de Putin para financiar esta guerra.
Trump ainda estuda aliviar restrições contra petroleiros da chamada “frota fantasma” e chegou a cogitar o descongelamento de ativos russos, medidas que já provocaram críticas de Kiev e de governos europeus.
Trump dá ordem executiva para suspender sanções à Rússia já aprovadas pelo Congresso americano
