Horas antes da semifinal da Copa do Mundo de 2026 entre Argentina e Inglaterra, a vice-presidente argentina, Victoria Villarruel, chamou os ingleses de “piratas usurpadores” e associou o confronto à disputa pela soberania das Ilhas Malvinas. Em publicação no X, ela afirmou que a partida desta quarta-feira (15) “não é um jogo qualquer” e fez referência à guerra travada entre os dois países em 1982.
— Jogamos contra os piratas usurpadores. Não é mais um jogo. Não vou ser politicamente correta nem indiferente, contra os ingleses é sempre algo mais. São as Malvinas, é o Diego, é a última do Leo e é parar os invasores. Força, Argentina! Porque até ao último suspiro vamos reclamar o que é nosso — escreveu Villarruel.
Filha de um ex-combatente da Guerra das Malvinas, a vice-presidente já defendeu publicamente os veteranos do conflito em outras oportunidades. Seu pai, Eduardo Marcelo Villarruel, participou de operações de inteligência e combate durante a guerra e chegou a ser prisioneiro das forças britânicas.
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Debate sobre as Malvinas voltou à tona
A classificação da Argentina para enfrentar a Inglaterra também reacendeu o debate político sobre a soberania das Ilhas Malvinas. Nos últimos dias, o ministro de Relações Exteriores da Argentina, Pablo Quirno, trocou mensagens na rede social X com Nile Gardiner, ex-assessor da ex-primeira-ministra britânica Margaret Thatcher.
Gardiner afirmou que a disputa foi encerrada após a guerra de 1982 e declarou que as ilhas “são britânicas e sempre serão”. Em resposta, Quirno citou uma resolução aprovada pela Assembleia Geral da ONU naquele mesmo ano, segundo a qual o conflito não alterou a natureza jurídica da disputa e recomendou a retomada das negociações entre Argentina e Reino Unido.
Desde a redemocratização do país, em 1983, a Argentina mantém de forma permanente a reivindicação da soberania das Malvinas em organismos internacionais. O Reino Unido, por sua vez, rejeita a abertura de negociações sobre o território.
Rivalidade histórica
O conflito pelas Malvinas transformou a Inglaterra em um dos principais rivais esportivos da Argentina. As duas seleções já se enfrentaram cinco vezes em Copas do Mundo. Os argentinos venceram os duelos de 1986 e 1998, enquanto os ingleses levaram a melhor em 1962, 1966 e 2002. Ainda em 1966, antes da guerra, o capitão Antonio Rattín deixou o campo e amassou a bandeira da Inglaterra, depois de sua expulsão.
O confronto de 1986, disputado quatro anos após a guerra, tornou-se um dos mais emblemáticos da história do futebol. Na ocasião, Diego Maradona marcou os famosos gols da “Mão de Deus” e do “Gol do Século”, em uma vitória por 2 a 1 que foi interpretada por muitos argentinos como uma revanche simbólica pelo conflito militar.
Por causa da rivalidade, o FBI e Fifa classificou a partida como a de maior risco de todo o torneio. A operação reúne autoridades argentinas, britânicas, norte-americanas e a Fifa, com reforço no policiamento, separação de torcidas e restrições à entrada de bandeiras e mensagens de caráter político ou de ódio.
A polícia local já havia alertado que entrar no perímetro sem ingresso ou usar camisetas/bandeiras com slogans políticos (como a reivindicação das Ilhas Malvinas) é proibido e pode resultar em prisão imediata ou revogação do visto.

