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outubro 7, 2026
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Fim da escala 6×1 deve criar novas relações de trabalho, e pequenas empresas vão se adaptar, dizem fundadores de startup de RH

Por · outubro 7, 2026
Fim da escala 6x1 deve criar novas relações de trabalho, e pequenas empresas vão se adaptar, dizem fundadores de startup de RH


A alta rotatividade de funcionários cobra das pequenas empresas um preço que não aparece de forma clara nas contas, mas pode ser fatal para o negócio. É o que dizem Mônica Hauck e Alê Garcia, cofundadores da Sólides, uma startup que cresceu usando tecnologia para dar assistência na área de recursos humanos (RH) a pequenas empresas que não podem ter uma estrutura interna robusta só para isso.
Com um conhecimento acumulado das agruras dos empreendedores no país, eles dizem que muitos têm dificuldades de cumprir obrigações legais básicas, como controle de ponto, e ficam expostos a processos trabalhistas e aos custos de encargos provocados pelo entra e sai dos funcionários. Baixa oferta de mão de obra, juros altos e muita incerteza no horizonte compõem o cenário que dificulta a retenção de bons empregados pelos pequenos negócios.
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Em entrevista ao GLOBO, os empresários avaliam que esse desafio vai aumentar se o Senado aprovar o fim da escala 6×1, que as entidades empresariais dizem atingir em cheio os pequenos negócios, principalmente no comércio e nos serviços. No entanto, os líderes da Sólides garantem: a pequena empresa vai se adaptar. Eles esperam o surgimento de novas formas de contratação.
Casados e com formações bastante distintas — ela é historiadora, e ele, estatístico —, Mônica e Alê fundaram juntos a Sólides em Belo Horizonte no início da década passada e hoje dividem a direção do negócio, como coCEOs. A empresa, que também nasceu pequena e passou por altos e baixos, deslanchou após receber um aporte de R$ 530 milhões do fundo americano Warburg Pincus em 2022, à época o maior já feito em uma HRtech na América Latina. Fez aquisições e se transformou em uma das startups de maior crescimento no Brasil.
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A Sólides, que começou com uma ferramenta de mapeamento comportamental, ampliou sua plataforma digital para reunir recrutamento, gestão de pessoas, controle de ponto, folha de pagamento e benefícios. Hoje, tem cerca de 55 mil clientes: 80% deles usavam apenas papel ou planilhas para gerir o quadro funcional. É o que faz os sócios acreditarem que existe ainda um enorme mercado potencial no país neste segmento. Tanto que não pretendem abandonar o foco nos pequenos negócios para concentrar a expansão nas grandes corporações.
A empresa mineira tem como meta alcançar R$ 1 bilhão de faturamento em 2028. Nesse caminho, o principal desafio que a companhia de software encara agora é a incorporação da inteligência artificial (IA) à sua plataforma para automatizar funções sem correr o risco de ser desintermediada pela nova tecnologia. A startup também mobiliza pequenos negócios por meio de cursos na área de gestão de pessoas, que funcionam como um canal de atração de novos clientes.
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Por que a Sólides decidiu concentrar sua atuação nas pequenas e médias empresas em vez de avançar para grandes corporações?
ALÊ GARCIA: A gente começou para tentar democratizar a tecnologia para as pequenas empresas. A Sólides nasceu de (uma ferramenta de) mapeamento comportamental (para recrutamento). É um sistema que, em quatro minutos, a pessoa preenche a um questionário e conseguimos identificar mais de 50 informações sobre comportamentos. Diz como ela se relaciona com outras pessoas e qual seria o ambiente de trabalho (mais adequado para ela). Esse tipo de tecnologia existia só para as grandes empresas, normalmente softwares americanos operando no Brasil vendendo a preços extremamente caros. Pensamos: vamos vender para empresas menores, que não estão sendo servidas. A partir daí aprendemos a atender esse público, a falar a língua dele e a gerar valor. Há cerca de 5,5 mil empresas no Brasil com mais de mil funcionários. É um mercado pequeno, limitado. Já o universo das pequenas empresas é formado por 6 milhões de negócios.
MÔNICA HAUCK — Normalmente a startup, quando cresce, tem que internacionalizar ou mudar (de segmento). No nosso caso, são 55 mil clientes em um mercado que continua gigantesco. Então, nossa tese original permanece muito consistente. Também houve lá atrás uma questão de vocação. Desde o início a gente gostava muito da democratização, fazer todo mundo usar, fazer de um jeito fácil. E isso conversa muito mais com a pequena do que com a grande empresa. Nossa estratégia de entrada no mercado foi com educação, ensinando as pequenas empresas como estruturar um RH. Quando fomos estudar onde estão os trabalhadores brasileiros, vimos que quase sete de cada dez estão em pequenas e médias empresas (PMEs). Quem quer liderar o setor de gestão de pessoas no Brasil não tem como não passar pelas pequenas empresas. É a maioria dos empregadores no Brasil.
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Ainda há tanto espaço assim para crescer nesse mercado?
MONICA: Sim. As grandes empresas já usam tecnologia há muito tempo. Nas PMEs, 80% dos nossos clientes, antes de usar a Sólides, trabalhavam antes só com papel ou planilhas de Excel. É um mercado de baixíssima adoção de tecnologia, onde só nós nos posicionamos. Então, não faz sentido montar uma estratégia para os próximos anos para ir para outro lugar. Nossa estratégia é focar e nos aprofundar no mercado em que estamos hoje.
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Qual é hoje o maior obstáculo para o pequeno empresário: juros altos, falta de trabalhadores ou deficiência de gestão?
MONICA: Não existe um fator só. Os juros castigam o pequeno empreendedor, é óbvio, mas às vezes a gente entra e a empresa pequenininha nem sequer tem acesso a crédito. Muitas vezes há uma ausência de estrutura de gestão e a falta de maturidade na gestão de pessoas também está em outras áreas da empresa. Para aquele empreendedor que abriu o negócio por necessidade, numa conjuntura mais dura, mais incerto, fica mais difícil. Mas uma característica interessante do nosso sistema é muito resiliente a independentemente do momento da economia. Na crise, ajudamos a empresa a entrar em modo de sobrevivência: reduzir custos, evitar demissões desnecessárias e reduzir passivos trabalhistas. Na expansão, ajudamos a entrar em modo de competição: contratar melhor, aumentar a produtividade e crescer. Gestão de pessoas é importante em qualquer cenário.
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E como avaliam o possível fim da escala 6×1, em discussão no Senado? Há muitos empresários dizendo que terão dificuldades de contratar. O pequeno conseguiria se adaptar a um sistema com duas folgas semanais para empregados?
MONICA: Ainda é cedo para dizer. Do nosso lado, o que temos feito são simulações de gestão. Acontecendo, e mudando a dinâmica da força de trabalho, a gente como fornecedor de tecnologia tem que estar atento para uma nova dinâmica de contratação. Novos elementos vão começar a aparecer, e maior uso, por exemplo, de mão de obra temporária. A gente se prepara para criar um fluxo, mas, a gente sabe, o brasileiro é um povo muito adaptável. Não temos dúvida de que o pequeno vai se adaptar, ainda que não sem dificuldades. Mas, do nosso lado, temos esperado alguma dinâmica da contratação e, acontecendo, em poucos dias nosso software vai ficar pronto para continuar dando segurança ao pequeno com mais complexidade.
ALE: Também não sei como a gente vai resolver não, mas vamos resolver.
A pequena empresa tende a sofrer mais com a mudança?
MONICA: Eu acho que tem menos a ver com o tamanho e a sensibilidade depende muito do setor. O comércio, a gente sabe que é mais sensível. Acho que a melhor análise precisa separar indústria, comércio e serviços. Por exemplo, em tecnologia da informação (TI) ou serviços especializados, por exemplo, essa discussão praticamente não existe porque há uma prática de trabalho que já é mais flexível, própria do setor.
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A Sólides começou com mapeamento comportamental. Como chegou à plataforma com diferentes serviços que oferece hoje?
MONICA: Começamos com o mapeamento comportamental e depois fizemos um software de RH. Percebemos que, nesse mundo da pequena e média empresa, é a mesma pessoa que normalmente faz o departamento pessoal. E vimos que há muitas obrigações legais que o pequeno empresário não consegue cumprir da forma que deveria. Nossa primeira aquisição foi exatamente de uma empresa de controle de ponto. Quando olhamos as ações trabalhistas, a grande maioria está ligada a jornada de trabalho e pagamento. Depois adquirimos uma empresa de folha de pagamento. A gente sempre se posicionou como uma plataforma de “tudo num só lugar”. O responsável pelo RH, que muitas vezes é o próprio dono da pequena e média empresa, entra no sistema e navega por todos os subsistemas de RH e departamento pessoal. Também entramos em benefícios, porque percebemos que as pequenas perdem muita competitividade (de talentos) para as grandes. Então criamos uma solução de benefícios flexíveis com vale-refeição, alimentação, auxílio-ginástica, telemedicina e outros produtos para que a pequena também possa oferecer isso. Nossa aquisição mais recente foi de outro software de RH, que nos permitiu atender melhor clientes de médio porte. Conforme uma empresa cresce, começa a demandar funcionalidades mais complexas. Queremos acompanhar esse cliente por toda a jornada, e a nossa estratégia de aquisição seguiu essa ideia e também investimos numa estrutura de desenvolvimento e crescimento orgânico.
E qual é o retorno que uma pequena empresa consegue ao profissionalizar a gestão de pessoas?
ALÊ: O ROI (retorno sobre investimento) médio gerado para o cliente é de 11 vezes (o valor investido na adesão à plataforma da Sólides), considerando só a redução da rotatividade. Consideramos também ganhos com organização dos processos de RH, aumento de produtividade e redução do risco trabalhista. Essa estimativa mostra que o cliente não necessariamente precisa de um orçamento novo para contratar a Sólides. A própria economia gerada pela ferramenta muitas vezes paga o investimento já no primeiro ano. As pequenas empresas têm dificuldade de atrair candidatos, e a gente ajuda elas com um banco de talentos com 20 milhões de cadastros. A própria tecnologia, via IA, identifica o melhor perfil para aquela vaga naquela empresa. É muito nisso que a gente consegue impactar em redução de rotatividade, porque a gente contrata a pessoa certa para o lugar certo. A gente sempre ouve falar que as pessoas são contratadas pelo currículo e demitidas pelo comportamento. O nosso software cobre essa parte técnica e comportamental ao mesmo tempo, e isso aumenta o acerto no recrutamento. A pessoa trabalha em algo que ela gosta de fazer, que tem aptidão e consegue se desenvolver.
Por que a rotatividade pesa tanto para uma empresa pequena?
ALÊ: Porque não havia, em muitas dessas empresas, uma estratégia estruturada para reter, engajar e desenvolver os colaboradores. E, em decorrência disso, há uma rotatividade absurda, que é letal para a pequena empresa. É um custo invisível, que as empresas não colocam no balanço. Pense num restaurante com dez funcionários. Se ele perde o cozinheiro principal, a operação inteira vai por água abaixo até encontrar outro desesperadamente.
Há pequenas empresas que chegam a morrer por causa disso?
MÔNICA — Sem dúvida. Outro dia vi no Instagram uma hamburgueria dizendo: “Infelizmente, hoje é sábado, nosso dia de maior movimento, mas não vamos poder abrir porque funcionários faltaram e não conseguimos ninguém para repor”. A gente que trabalha todo dia com esse público sabe o que está acontecendo ali. Não há processo estruturado de gestão de pessoas, não tem a estrutura adequada. Em comércio e serviços, gestão de pessoas é fundamental. Outra coisa são as ações trabalhistas. O pequeno empresário fica muito fragilizado pelos tanto de ações que tem de pagar e muitas muitas vezes isso acontece porque ele não tinha um controle de ponto correto ou erra o pagamento por falta de sistema. Grande maioria desses passivo a gente consegue reduzir e regularizar com uma gestão de pessoas adequada.
Mas como convencer um pequeno empresário acostumado ao caderno ou ao Excel a gastar com software de RH?
MÔNICA: É só falar assim: “Você está cansado de perder funcionários, de treinar pessoas e, quando ela está finalmente treinada, você tem que começar tudo de novo? Está cansado de ter de pagar ações trabalhistas que poderiam ser evitadas?” Só de falar isso eu já ganho o coração da pessoa. E a gente tem muita segurança de que consegue fazer ele perceber o valor. Mas no primeiro momento é mesmo difícil. Nenhum pequeno empreendedor no fim do ano provisiona orçamento para tecnologia e gestão de pessoas, mas a dor é muito grande. Não preciso de duas frases para fazer ele entender que precisa investir em gestão de pessoas no negócio deles. A gente entra educando.
Vocês criaram a Escola de Pessoas com esse objetivo de educação de empreendedores e gestores para a gestão de pessoas?
MÔNICA: A Escola de Pessoas, que tem quase 1 milhão de alunos, e é uma das nossas principais estratégias. A grande maioria ali é formada por profissionais de RH de pequenas empresas e alguns empreendedores também. Temos várias estratégias de educação e comunicação, o que conversa muito com a realidade do Brasil. A gente apoia pessoas que foram colocadas naquela posição e depois têm que aprender a fazer RH. Por isso nós nunca entregamos apenas tecnologia. Entregamos tecnologia e educação, para que o empreendedor entenda que é uma tecnologia que vai mudar a realidade da empresa dele. Temos, por exemplo, podcasts, aulas ao vivo sobre temas do dia a dia dele.
Empresários reclamam cada vez mais de dificuldade para contratar. Falta gente mesmo ou empregadores ainda estão procurando trabalhadores com critérios antigos, diferentes do que o trabalhador quer das empresas?
MÔNICA: É muito comum ouvirmos dos clientes: “Não tem gente para trabalhar”, mas, quando vemos como eles estão recrutando, percebemos que os parâmetros de contratação são os mesmos de muitos anos atrás. Só que o mercado de trabalho mudou completamente. Por exemplo, nós éramos um país jovem. Não somos mais, estamos em pleno envelhecimento. Mesmo assim, quase ninguém quer contratar quem tem mais de 40 anos. É óbvio que há desafios em relação à oferta de mão de obra, mas isso exige de nós, empreendedores, uma leitura mais ampla de como essa força de trabalho está se comportando. Será que as empresas vão precisar treinar e capacitar mais. Se eu tenho dificuldade de contratar uma costureira, será que não preciso criar uma estratégia para formar essa profissional? Será que aquele motorista que eu contratava só até 40 anos não está na hora de eu entender que os 60 anos são os novos 40? Também temos uma geração agora que cresceu com as redes sociais e tem uma relação diferente com o trabalho. Tentamos fazer as empresas reencontrarem os profissionais e entenderem que precisam ter mais flexibilidade.
A inteligência artificial generativa é uma ameaça o próprio modelo de negócio de software como serviço? O empresário pode simplesmente tentar resolver seus problemas usando uma ferramenta gratuita de IA e pular o software da Sólides.
ALÊ: É uma discussão que temos o tempo todo, inclusive na conversa com os investidores lá fora, que têm dificuldades de entender o cenário brasileiro. O pequeno empresário que está saindo do papel e do Excel não tem como demanda natural implantar IA, mas estamos entregando isso naturalmente dentro do produto para ele sem a complexidade de ele ter que, desesperadamente, aprender IA para poder operar o negócio. Temos uma solução que funciona como um agente de RH para empresas pequenas, que funciona via WhatsApp, por exemplo.
Então a IA muda a dinâmica da relação entre o usuário e o software?
ALÊ: Sim. Por exemplo num escritório de contabilidade. Vamos ter softwares que vão absorver vários fluxo e, em vez de atender 20 clientes, consigo atender cem, porque vários fluxos ali consigo automatizar com IA. Esses softwares vão ganhar mais espaço porque sempre RH é subdimensionado nas empresas. Há muita coisa para fazer e pouca gente. Nós vamos ser essas “muitas gentes” que o RH precisa, preenchendo um vazio nas empresas.
Hoje fala-se mais em gestão de pessoas, mas ainda é baixo o investimento das empresas em RH?.
MONICA: Existe uma questão cultural e histórica. Normalmente, a empresa só pensa em contratar seu primeiro profissional de RH quando chega a 30 ou 40 funcionários. Só que, quando alcança esse tamanho, já tem muitas dores. É nesse tipo de ausência que podemos entrar. Um dono de padaria ou restaurante não vai contratar um gerente de RH, mas pode administrar a equipe pelo WhatsApp com auxílio da tecnologia.
Vocês são casados, sócios e dividem o cargo de CEO da empresa. Como funciona essa liderança compartilhada?
ALÊ: Nossos perfis são muito diferentes. Eu tenho um perfil muito mais técnico, de produto, tecnologia e finanças, e a Mônica vai mais para a frente. É como defesa e ataque. Essa compreensão da complementaridade e da força de cada um é o que nos permite a agir rapidamente. Cada um sabe qual é sua área de talento e funciona bem.
Mas vocês discordam?
MÔNICA: O tempo todo. E essa é justamente a beleza. Que graça teria passar anos com quem pensa exatamente como você? Nosso processo de decisão é pragmático. Em produto, por exemplo, eu respeito a autoridade do Alê. Ele tem competências que eu não tenho. Posso contribuir com a discussão, mas a chance de acertarmos é maior se a palavra final for dele. Em posicionamento de marca e mercado, acontece o contrário. Eu tenho mais experiência.
Vocês tiveram uma fase difícil, que quase quebrou a empresa, antes de atraírem grandes investidores. Aprenderam com aquele episódio?
MÔNICA: Sim. Já tínhamos o mapeamento comportamental e decidimos criar um software completo de RH. Divergimos na hora da decisão de desenvolvimento. Alê foi mais matemático e conservador em como desenvolver, e eu propôs ir com tudo de uma vez. Chegamos à metade do caminho e não tinha nem dinheiro em nem software. Foi um exemplo claro de um erro no qual eu não deixei quem entendia tecnicamente do assunto tomar a decisão final. É um erro que não vou mais cometer e que aprendi da pior forma possível. Eu gosto de contar isso porque acontece todos os dias com todos os sócios em muitas empresas. Temos que ter essa clareza de que dá para jogar junto e trabalhar com pessoas diferentes.
Ter sido uma empresa pequena ajuda vocês a compreenderem melhor o cliente de hoje?
MÔNICA: Ajuda. Até pouco tempo atrás, eu era esse cliente, sentia os mesmos medos e tinha as mesmas dores. E de certa forma ainda tenho. Uma coisa que eu faço questão de fazer é continuar atendendo clientes diretamente. Atendo, converso com eles pelo telefone. É importante não perder o calor da ponta e não viver numa bolha, o que é muito fácil no setor de tecnologia. Nós vamos ao Vale do Silício (polo tecnológico dos EUA), participamos das discussões sobre inovação, mas eu também adoro ir para o interior e conversar com o dono de uma sapataria que está tentando fazer o negócio funcionar. Gostamos de não perder a conexão com essa Brasilzão, que é muito especial, é único. Você não entende o Brasil do Vale do Silício ou da Faria Lima (centro financeiro de São Paulo). Isso também nos ajuda, estar em contato constante com esse Brasil profundo, que é o mercado que a gente escolheu.

Fim da escala 6×1 deve criar novas relações de trabalho, e pequenas empresas vão se adaptar, dizem fundadores de startup de RH