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outubro 7, 2026
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Quantidade de votos parecidas, ideias opostas: quem são os deputados federais de primeira viagem Elias Jabbour e Julia de Castro

Por · outubro 7, 2026
Quantidade de votos parecidas, ideias opostas: quem são os deputados federais de primeira viagem Elias Jabbour e Julia de Castro


Entre os 46 parlamentares eleitos para representar o Rio de Janeiro na Câmara dos Deputados em Brasília, predominam vertentes políticas mais à direita — e apenas dez são mulheres. Uma delas, Julia de Castro (PL), 24 anos, é a caçula da bancada e uma defensora de causas conservadoras que contou com o apoio de Michelle Bolsonaro durante a campanha. No extremo ideológico oposto, Elias Jabbour (PCdoB), 50 anos, também estreia no parlamento.
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Ela, recém-formada em História, ganhou notoriedade nas redes sociais com bandeiras “contra a legalização do aborto e das drogas”. Ele, professor da Uerj, com bagagem na gestão pública e uma trajetória de vida singular, quer defender no plenário seu projeto de reindustrialização do Brasil, com a retomada de “empregos de qualidade, que garantam mobilidade social”.
Os dois, curiosamente, são a favor do fim da escala 6×1 — mas, claro, por caminhos distintos. Julia gosta quando a chamam de “Nikolas de saia”, em referência ao seu correligionário Nikolas Ferreira. Elias Jabbour, durante a campanha, nunca se furtou a debater com oponentes ideológicos. Agora, ambos têm a oportunidade de, pelos próximos quatro anos, debater juntos um futuro possível para o Rio — e o Brasil.
Em defesa da indústria e do fim da escala 6×1
Geógrafo, professor da Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e escritor, Elias Jabbour (PCdoB) foi a escolha de 103.219 cariocas para uma vaga de deputado federal. No domingo, ao ouvir que tinha passado dos cem mil votos em sua primeira eleição, chorou: “Vocês que transformaram essa ideia em força material. Sou apenas uma voz: um gago, esquisito”, disse à equipe e aos eleitores que o acompanhavam.
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A história de vida do paulista que reside há 12 anos no Rio e toca na bateria da Vila Isabel é de superação. Filho de um imigrante libanês e de mãe paraibana, que exerceu a prostituição, ele se orgulha da família, assim como da trajetória de estudo e trabalho: formou-se na USP, escreveu seis livros, foi presidente do Instituto Pereira Passos, órgão da Prefeitura do Rio, e consultor do Banco do Brics, na China, por dois anos. Recentemente, descobriu ter o Transtorno do Espectro Autista depois que seu filho foi diagnosticado como neurodivergente.
Na luta política, Jabbour defende a reindustrialização do Rio e do país. Para ele, a falta de oportunidades abriu caminho para o crime se entranhar nos territórios e impactar perspectivas de futuro.
— Este é o eixo principal da minha proposta: industrialização de forma acelerada. Nós perdemos muitos empregos, o Brasil perdeu relevância no mundo por conta disso, e, junto, a sua identidade. Sem empregos de qualidade, que garantam mobilidade social, as pessoas perdem a esperança — diz o professor, que garante seguir dando aulas na Uerj enquanto exercer o mandato.
Elias (à direita) quando ainda era presidente do Instituto Municipal de Urbanismo Pereira Passos, durante evento em Xangai
Heka Producciones/Valor Econômico/23-4-2025
A defesa da pauta trabalhista ganha força também na discussão contra a escala 6×1.
— Esta é uma pauta que está mais de 50 anos atrasada. O Brasil, de 1978 a 2024, teve aumento de 35% de produtividade na economia. E isso não se reverteu nem em renda, nem em empregos. O fim dessa escala faz uma reparação histórica — acredita. — E envolve o direito ao descanso, à cidade, que também movimenta a economia.
Embates de ideias
No período pré-campanha, o candidato peregrinou por canais com grande aderência da direita e apresentou suas ideias, pacientemente, a diferentes perfis de adversários ideológicos. Agora, Jabbour pretende levar a Brasília discussões que envolvam o que chama de “reconstrução do país com um plano nacional de desenvolvimento”.
— Meu contraponto aos eleitores é o seguinte: você é a favor ou contra o Brasil? A favor ou contra o Brasil ser um país industrializado, com empresas de diferentes setores? Quem defende a soberania do Brasil? — questiona. — São decisões políticas estratégicas que vão pautar também a nossa política educacional. Assim vai ser meu debate com a direita na Câmara dos Deputados e vai ser meu debate em qualquer lugar.
‘Nikolas de saia’
A família defendia o Direito como primeira opção. Ainda na adolescência, no entanto, quando morava em Coelho Neto, na Zona Norte do Rio, Julia de Castro escreveu uma carta para si mesma. “Quero fazer História”, sacramentou.
— Escrevi essa carta aos 16 anos, dizia também que queria fazer o bem, entrar na política, dizia que o coração dos homens era corruptível e o meu não era — lembra.
Júlia de Castro, eleita deputada federal
Divulgação
Aos 24 anos, a jovem nascida em São João de Meriti recebeu 103.880 votos no domingo e foi eleita a deputada federal mais jovem do Rio na próxima legislatura. A futura parlamentar ganhou o apoio de Michelle Bolsonaro durante a campanha e vai reforçar a bancada do PL, partido ao qual se filiou há um ano e meio. Nos tempos de escola, colecionava elogios pela oratória e pela capacidade de defender suas ideias. Em 2021, quando começou a estudar História na UniRio, passou a gravar vídeos na internet, para romper o isolamento na pandemia.
— Minha mãe me incentivou a gravar para começar a expor meus pensamentos. Eu achava que precisava aprender mais. Treinei seis meses. Fui atacada, mas precisava começar — conta.
Com bandeiras “contra a legalização do aborto, das drogas e em favor do bolsonarismo”, arregimentou seguidores da direita, sobretudo jovens e religiosos. No Instagram, é acompanhada por 511 mil usuários. Na campanha, além dos votos, ganhou uma gastrite e um processo de Erika Hilton: a deputada do PSOL por SP impetrou ação na Justiça Eleitoral citando impulsionamento negativo e “viés transfóbico”.
— Ela me processou por propaganda negativa. A parlamentar tinha usado o termo “pessoas que gestam” e eu disse que achava isso errado. É apagamento da mulher. A maternidade é a única função em que a mãe é insubstituível — defende-se Julia, que tem uma filha de 2 anos, era evangélica e migrou para a igreja católica após conhecer o marido. — Quando me chamam de “Nikolas de saia”, penso que o estado ansiava por gente nova na política. Me inspiro nas convicções e no vigor dele — diz, sobre as comparações com o jovem fenômeno da direita.
‘Milícia é crime organizado’
Julia de Castro defende o SUS (“com mais acesso, não como é hoje”), a universidade pública (com “mais liberdade”), o fim da escala 6×1 (“nossa legislação foi feita pelo Vargas, as pessoas têm que ganhar por hora”) e o empreendedorismo. Sobre a morte da vereadora Marielle Franco, que militava em campo político oposto ao seu, ela é enfática:
— Uma vereadora morreu por conta do crime organizado. É um absurdo. Para mim, é surreal. Quando penso na história da Marielle, é triste, trágico e revoltante. O que me incomoda são políticos de esquerda usarem o nome dela para palanque. Para mim, milícia é crime organizado, entende?

Quantidade de votos parecidas, ideias opostas: quem são os deputados federais de primeira viagem Elias Jabbour e Julia de Castro