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Final da Libertadores expõe políticas opostas de uso da base por Abel Ferreira e Filipe Luís

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novembro 28, 2025
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Allan, de 21 anos, comandou a goleada do Palmeiras sobre a LDU, na semifinal da Libertadores — Foto: Nelson ALMEIDA / AFP

O que não vai faltar na final da Libertadores 2025 são grandes personagens. Como os palmeirenses Vitor Roque e Andreas Pereira e os rubro-negros Bruno Henrique e Arrascaeta. Mas o duelo em Lima também possui um outro lado: o das jovens revelações que vivem a expectativa de aparecerem na decisão e mudarem para sempre sua própria história. E talvez seja neste aspecto que os dois finalistas mais se opõem.

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O aproveitamento da base ocorre de maneiras distintas no Palmeiras e no Flamengo. Enquanto no time de Filipe Luís a falta de espaço para estes atletas virou uma discussão à parte, Abel Ferreira se destaca pelo alto uso das crias alviverdes. Em seus cinco anos de Palmeiras, o português já levou 46 joias a campo. É mais do que quatro times de futebol. E, destas, 34 foram reveladas por ele.

Algumas crias palmeirenses alcançaram papel de destaque. Como o quarteto Danilo, Gabriel Menino, Patrick de Paula e Veron, parte do grupo campeão da Libertadores de 2020 e de 2021. Sem contar Endrick, quem comandou a arrancada para o título brasileiro de 2023. A lista ainda conta com Estêvão, que hoje brilha no Chelsea e na seleção; e Allan, considerado o grande responsável pela virada sobre a LDU que levou o Palmeiras à final do próximo sábado.

Allan, de 21 anos, comandou a goleada do Palmeiras sobre a LDU, na semifinal da Libertadores — Foto: Nelson ALMEIDA / AFP

Se o retorno esportivo é incontestável, financeiramente falando ele consegue ser ainda maior. O Palmeiras transformou sua base numa mina de ouro que já ultrapassou a marca de R$ 1 bilhão em vendas desde 2022, ano da negociação com o Real Madrid envolvendo Endrick.

O Flamengo também sabe ganhar dinheiro com suas crias, é verdade. A venda mais recente foi a de Wesley, para a Roma-ITA, por R$ 163 milhões. Mas a trajetória do lateral, que se converteu em titular antes de deixar o clube, é uma exceção na história recente do clube.

Desde que assumiu, há pouco mais de um ano, Filipe Luís já utilizou 16 atletas com passagem pela base rubro-negra. Destes, seis tiveram a primeira oportunidade com o atual treinador. São números que, superficialmente, até mostram um bom aproveitamento. Mas esta conclusão não se sustenta quando se joga uma lupa sobre eles, já que, deste total, cinco entraram em campo apenas uma vez.

O tempo em campo de muitos deles mostra que a janela de oportunidade é ainda mais estreita. Dos 16, metade deles não registra sequer 90 minutos jogados, cada um, sob o comando do treinador.

Outro dado sintomático é o período de três meses em que o Flamengo ficou sem ter um jovem da base escalado como titular. Depois de Evertton Araújo iniciar na vitória sobre o Mirassol, em 9 de agosto, este hiato só foi interrompido na goleada sobre o Sport, em 15 de novembro, que contou com João Victor na zaga.

João Victor, de 18 anos, se viu no centro dos holofotes após falhas pelo Flamengo — Foto: Gilvan de Souza/Flamengo
João Victor, de 18 anos, se viu no centro dos holofotes após falhas pelo Flamengo — Foto: Gilvan de Souza/Flamengo

O jovem zagueiro, por sinal, protagonizou o episódio que jogou os holofotes para o pouco aproveitamento da base. Sem Leo Ortiz e com Danilo cedido à seleção, Filipe precisou escalá-lo ao lado de Leo Pereira contra os pernambucanos e no Fla-Flu. Nitidamente nervoso, o defensor cometeu falhas seguidas que obrigaram Filipe a substituí-lo.

— Eu consegui dar minutos para os meninos um pouco mais na Copa (do Brasil), contra o Botafogo-PB. Depois, contra o Atlético-MG, também alguns jogaram. Mas a diferença entre os jogadores que estão é muito grande. Os “Léos” (Ortiz e Pereira), o Danilo, o nível deles é muito alto, muito alto — justificou o treinador.

De certa forma, o momento do Palmeiras também reflete a política do clube em relação à base. Com o time em má fase, Allan virou uma espécie de desafogo pela direita, a ponto de se falar em “Allan-dependência”. Em meio à queda de rendimento coletiva, o meia de 21 anos já foi usado pelo próprio Abel como exemplo para os demais.

— O que um moleque de 20 anos faz, temos que fazer. Assumir essa responsabilidade de encarar, ir para cima, arriscar, perder a bola… — declarou Abel, após o 0 a 0 com o Vitória.

Allan certamente será uma das apostas do técnico português em Lima. Já as crias rubro-negras, que começam todas no banco, vão precisar torcer por uma pouco provável chance de entrar durante o jogo.

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