O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) desembarcou neste domingo na capital dos Estados Unidos, onde participará de uma audiência no Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR). O objetivo do encontro, segundo o presidenciável, é defender as empresas brasileiras das sobretaxas sinalizadas pelo governo de Donald Trump. Ao chegar em Washington, Flávio criticou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) por mostrar o dedo do meio durante evento do governo.
Datafolha: Haddad tem maior rejeição entre eleitores de SP, com 47%
Voto nos estados: Vice de Eduardo Leite busca sucessão em meio a forte polarização no Rio Grande do Sul
— Enquanto o atual presidente manda o dedo do meio para o povo brasileiro, eu vim à Washington defender os brasileiros — afirma Flávio.
O petista fez o gesto na sexta-feira, durante discurso em uma cerimônia no Palácio do Planalto. Na ocasião, Lula defendia a ampliação do acesso à população de baixa renda a tratamentos de qualidade disponíveis para pessoas de maior poder aquisitivo.
Lula mostra dedo do meio ao criticar quem pensa que ‘pobre não gosta de coisa boa’
— Precisamos acabar com essa ideia de que o pobre não gosta de coisa boa. Aqui para eles (mostrando o dedo do meio). Nós gostamos de coisa boa, queremos tudo de primeira — declarou Lula.
A viagem de Flávio é a sexta vez que o senador vai aos Estados Unidos este ano, total que supera o número de idas a estados-chave para a corrida eleitoral de outubro. Na semana passada, o senador apresentou um documento ao órgão de comércio americano com a avaliação de que a sobretaxa, em análise pela gestão de Donald Trump, representaria “uma vitória política” ao presidente Lula.
Desde dezembro, Flávio tem apostado em idas ao exterior para sair das cordas das crises internas, a última delas causada pelo vídeo em que Michelle Bolsonaro diz ter sido “maltratada” por ele. No mesmo período, o senador ignorou dez estados em suas agendas, todos no Norte e Nordeste — onde aparece em maior desvantagem na disputa com Lula — e visitou apenas uma vez colégios importantes, como Minas Gerais e Bahia.
Desde que governistas passaram a explorar o vínculo do senador com os EUA, Flávio tem buscado se desvencilhar do tarifaço. Na semana passada, ao tratar sobre a relação bilateral no memorando de 86 páginas, o filho zero um de Jair Bolsonaro sugeriu que qualquer decisão sobre as restrições às exportações deve ser tomada depois do pleito de outubro, o que provocou a reação. Lula afirmou que a família Bolsonaro é formada por “traidores da pátria”, age com entreguismo e que pretende “submeter o Brasil aos interesses dos Estados Unidos”. O petista também argumentou que não há qualquer motivo para que sejam implementadas tarifas antes ou depois das eleições.

