O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou nesta sexta-feira que decidiu deixar o Brasil após conversar com a mulher, Fernanda, e relatou ter recebido um alerta do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, sobre possíveis medidas judiciais contra ele. Em transmissão ao vivo no Instagram, o parlamentar disse que Bolsonaro estava com os olhos cheios de lágrimas durante o encontro, ocorrido antes de sua fuga para os Estados Unidos, após a derrota para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno da eleição presidencial.
Segundo Flávio, o ex-presidente pediu que os delegados responsáveis por sua custódia se afastassem para que os dois pudessem conversar sem ser ouvidos. Na ocasião, Bolsonaro teria demonstrado preocupação com o que poderia acontecer com o filho.
— Ele me olhou com os olhos cheios de lágrimas e falou: “Já sabe, né, onde eles querem chegar com isso?”. Eu falei: “Pai, já sei. Acho que Deus está no comando de tudo, estou preparado, vou enfrentar. Agora eu sei o que tenho que fazer” — relatou.
O senador afirmou que, depois do encontro, voltou para casa e conversou com a mulher sobre sua situação. Segundo ele, Fernanda compreendeu a decisão de deixar o país, tomada em conjunto com a família.
— Eu voltei para casa, conversei com a minha esposa, e ela compreendeu. […] Então foi dessa forma que eu tomei a decisão junto com a minha família. Não foi fácil sair do seu país para continuar, pelo menos, tendo uma voz ativa — afirmou.
Flávio justificou a saída afirmando acreditar que poderia ser alvo de novas medidas judiciais e usado em negociações políticas envolvendo o pai. Sem apresentar provas, acusou integrantes do Judiciário de perseguição e voltou a questionar o resultado da eleição presidencial.
— Não tinha nenhuma dúvida de que eu seria usado como moeda de troca para algum interesse do sistema. Eu perdi para o sistema, não perdi para o adversário. […] Isso não é nenhum sinal de fraqueza, não, gente. Eu posso ser tudo, menos burro. Eu soube fazer análise de cenário, entendi onde é que eles chegariam — disse.
O senador também rebateu críticas à decisão de deixar o Brasil e afirmou que pretende manter sua atuação política a partir dos Estados Unidos.
— Eu digo que eu não saí do Brasil, eu saí pelo Brasil. E eu sei que daqui eu vou continuar tendo uma voz ativa, vou poder continuar exercendo a minha liderança, que eu devo aqui ao presidente Bolsonaro — declarou.
Flávio chegou a Miami, nos Estados Unidos, na terça-feir, sem cumprir a determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para entregar seus passaportes até as 11h daquele dia. A defesa informou à Justiça que não havia conseguido contato com o parlamentar, enquanto integrantes de sua equipe de segurança relataram que ele havia deixado de comunicar seus deslocamentos.
A saída ocorreu em meio à reação de Flávio à derrota eleitoral. Na noite do segundo turno, o senador se recusou a reconhecer a vitória de Lula e anunciou que recorreria à Justiça Eleitoral para questionar o resultado. Já nos Estados Unidos, passou a sustentar, sem apresentar provas, que houve fraude na eleição e a se declarar presidente eleito.
A decisão provocou surpresa e críticas entre integrantes do PL e aliados que participaram da campanha presidencial. Parte da cúpula do partido defendia que Flávio reconhecesse a derrota e permanecesse no país para liderar a oposição ao novo mandato de Lula. O senador, por sua vez, afirmou que pretende continuar exercendo sua liderança política dos Estados Unidos.
Flávio diz que decidiu deixar o Brasil após conversa com mulher e relata alerta de Bolsonaro: ‘Já sabe onde eles querem chegar’
