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setembro 29, 2026
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Flávio diz que defende todas as religiões após desgaste com ‘caso Nossa Senhora’ e reforça aceno a evangélicos após erguer imagem da Santa

Por · setembro 29, 2026
Flávio leva Nossa Senhora de crochê a podcast católico e defende ampliação de isenção a Igrejas


A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) afirmou nesta segunda-feira que o candidato defende o respeito a “todas as religiões e formas de expressão da fé” e explicou que a promessa de “decretar que o Brasil é do Senhor Jesus Cristo”, feita por ele em agosto, se refere a uma oração que pretende fazer caso seja eleito e venha a tomar posse como presidente. A manifestação ocorre em meio ao esforço para conter o desgaste provocado pela fake news sobre Nossa Senhora Aparecida e um dia depois de Flávio erguer uma imagem da Santa durante agenda em São Paulo.
Segundo nota enviada pela campanha, Flávio pretende fazer uma oração antes da leitura do termo de posse e “entregar o Brasil a Jesus Cristo” em um gesto simbólico. A equipe afirma que a iniciativa seria um agradecimento e um pedido de proteção e bênção para todos os brasileiros.
“Flávio Bolsonaro sempre defendeu o total respeito a todas as religiões e formas de expressão da fé. Flávio fará uma oração antes de ler o termo de posse quando assumir a Presidência da República entregando o Brasil a Jesus Cristo, numa ação simbólica de agradecimento e também como um pedido de proteção e bênção para todos os brasileiros”, diz a nota.
O comunicado busca explicar uma declaração dada por Flávio em agosto e que voltou a circular nos últimos dias, em meio ao caso sobre Nossa Senhora Aparecida. Na ocasião, em um aceno ao eleitorado evangélico, o candidato afirmou que um de seus primeiros atos, caso eleito, seria “decretar” que o país pertence a Jesus Cristo.
— Eu quero debater com quem não acredita em Deus, porque, quando eu for presidente, um dos meus primeiros atos será decretar que o Brasil é do Senhor Jesus Cristo — disse Flávio à época.
A referência direta a Jesus Cristo dialoga especialmente com o eleitorado evangélico, segmento religioso no qual Flávio tem buscado apoio. Diferentemente da tradição católica, as denominações evangélicas não mantêm devoção a santos nem veneram imagens religiosas.
A explicação dada agora pela campanha delimita o alcance da promessa. Segundo a equipe, não se trata de um decreto presidencial ou de uma medida com efeitos jurídicos, mas de uma oração simbólica antes da leitura do termo de posse. Ao mesmo tempo, a nota reafirma uma mensagem direcionada especialmente à base evangélica do candidato.
A manifestação ocorre após Flávio intensificar gestos aos católicos para tentar conter a repercussão da informação falsa de que pretendia retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil. Na segunda-feira, durante agenda em São Paulo, o candidato ergueu uma imagem da Santa. À noite, participou do Santo Flow, podcast voltado ao público católico.
A campanha também estuda um encontro com padres e discute a escolha de um religioso para atuar como porta-voz em um direito de resposta sobre o caso. As iniciativas fazem parte da tentativa de reforçar a interlocução com católicos nos últimos dias antes da votação.
Paralelamente, aliados evangélicos se mobilizaram em defesa de Flávio. O Conselho Interdenominacional dos Ministros Evangélicos do Brasil (Cimeb), criado pelo pastor Silas Malafaia, divulgou uma manifestação na qual acusa o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e seus apoiadores de explorarem a fake news para estimular um conflito entre católicos e evangélicos.
“Evangélicos e católicos vivem em paz. Não existe nenhuma iniciativa por parte de líderes evangélicos, junto a nenhuma candidatura, para promover o cancelamento de feriados ou cultos de qualquer religião”, afirmou a entidade.
A nova manifestação ocorre depois de uma sequência de reações ao caso Nossa Senhora que passou a ser criticada entre os aliados do senador. Interlocutores avaliam que a estratégia foi desordenada e abriu novas frentes de desgaste ao tentar encerrar o assunto.
Um dos principais problemas apontados internamente foi a declaração de Flávio, no domingo, de que pessoas ligadas à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) teriam ajudado a disseminar a informação falsa. A entidade reagiu, negou participação e cobrou provas do candidato.
Na segunda-feira, Flávio reduziu o tom, agradeceu a manifestação da CNBB e evitou repetir a acusação. A orientação passou a ser não ampliar o confronto com a entidade e concentrar a reação na afirmação de que nunca houve proposta do candidato para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil.
A campanha chega, assim, à cinco dias antes da votação tentando administrar a interlocução com os dois principais segmentos cristãos do eleitorado.

Flávio diz que defende todas as religiões após desgaste com ‘caso Nossa Senhora’ e reforça aceno a evangélicos após erguer imagem da Santa