Um time foi claramente superior no Fla-Flu de ontem. Sob o comando de Luis Zubeldía, o Fluminense mantém um incrível aproveitamento de 100% como mandante no Maracanã e reafirmou sua força ao bater o Flamengo por 2 a 1, com os gols de Lucho Acosta e Kevin Serna — Jorginho descontou de pênalti no fim do segundo tempo. Se o rubro-negro é o líder do Brasileirão, o futebol de campeão foi apresentado pelo tricolor.
Em um primeiro tempo impecável, o Fluminense tomou as rédeas e se aproveitou de um adversário apático. A chave foi não dar espaços no meio-campo e sufocar a saída de bola, forçando erros diversos. O exemplo mais contundente foi o segundo gol, quando João Victor recuou mal para Rossi e o goleiro fez pior ainda, ao entregar a bola nos pés de Serna.
O lance foi apenas a cereja do bolo em 45 minutos que ficaram totalmente nas mãos de um time. Na marca dos três, Canobbio já havia mandado chute cruzado perigoso pelo lado direito da defesa, onde João Victor e Emerson Royal comprometeram, assim como na goleada contra o Sport. O sinal não foi entendido por Filipe Luís, que deixou o setor enfraquecido.
Enquanto ameaçava em contra-ataques nos quais faltava um pouco mais de capricho, o Fluminense abriu o placar em um lance repentino, finalizado pela estrela de Acosta. O meia argentino aproveitou uma bola que escapou de Hércules e chutou colocado, no ângulo de Rossi.
Letal na frente, o tricolor também teve exibição física bem superior, com mais compactação para fazer a recomposição defensiva e na rotação que o clássico pedia. Foi possível administrar o resultado no segundo tempo e chegar a 54 pontos, marca que o fez dormir na sexta colocação e ganhar mais fôlego na briga pela Libertadores.
A sequência recente do Flu é especial, de invencibilidade contra três equipes do G4: vitórias contra Flamengo e Mirassol e empate com o Cruzeiro. O próximo desafio é a visita ao vice-líder Palmeiras, às 21h30 do sábado.
Para o Flamengo — que reclamou de pênalti quando Thiago Silva acertou Bruno Henrique com um chute, mas o árbitro Davi de Oliveira Lacerda, de perto, não marcou nada —, o resultado foi a pá de cal em dia que se iniciou com a má notícia da lesão na coxa esquerda de Pedro, que vira desfalque para a reta final da temporada. A maré poderia ter mudado já que, mais cedo, o Palmeiras empatou com o Vitória em casa, mas a equipe desperdiçou uma grande chance de abrir vantagem na ponta da tabela — ainda viu a “gordura” cair para dois pontos (71 a 69).
Durante 45 minutos, os jogadores pareciam não ter entrado em campo. Em que pesem os desfalques da data Fifa — Carrascal foi titular e Danilo e Plata chegaram a entrar —, a falta de senso de urgência foi a mesma de jogos recentes.
A bola queimava nos pés, especialmente de Luiz Araújo, Samuel Lino e João Victor. O jogador de 18 anos tem entrado na fogueira, mas também não vem se ajudando. Ontem, após uma atuação que rendeu vaias, saiu no intervalo.
Um dos poucos a se salvar foi Cebolinha, que foi o mais perigoso no ataque. O Flamengo chegou a esboçar reação quando Juninho teve cabeçada defendida milagrosamente por Fábio, e na sequência Renê cometeu pênalti. Jorginho, que voltou de lesão, converteu. Mas parou nisso. No sábado, às 21h30, a equipe volta a campo contra o Bragantino.

