Três derrotas, um gol marcado e cinco sofridos. O desempenho do Fluminense no retorno ao futebol brasileiro tem deixado o torcedor preocupado. Mas como pode um time que surpreendeu o mundo ao ser semifinalista da Copa de Clubes há pouco mais de duas semanas ter caído de desempenho tão drasticamente? Do desgaste físico e mental ao impacto técnico da perda — ainda não reposta — de Jhon Arias, muitos são os motivos. O tricolor tem a chance de mudar o cenário amanhã, contra o São Paulo, no Morumbis, às 16h, pela 17ª rodada do Brasileirão.
É verdade que a tabela não ajudou. O time do técnico Renato Gaúcho enfrentou Cruzeiro, Flamengo e Palmeiras em sequência, “apenas” os três primeiros colocados do Brasileirão no momento. Porém, todos os jogos foram no Maracanã (Fla-Flu como visitante), e o fator casa costuma ser um dos principais pontos fortes do tricolor há anos.
Para o treinador, a concentração, que sobrou no Mundial, tem faltado nesta volta ao cenário nacional. Duas falhas individuais, de Fábio e Martinelli, decretaram a derrota de virada para a equipe paulista, enquanto dois gols em cinco minutos dificultaram qualquer reação contra o time mineiro.
Nesses três jogos, o Flu se limitou a se defender contra o rubro-negro e chegou a apresentar bom futebol no primeiro tempo contra o Palmeiras e na segunda etapa contra o Cruzeiro, na partida que marcou a despedida de Arias, que, como de costume, foi o destaque da equipe em campo.
Em apenas dois jogos ficou nítida a carência técnica do setor ofensivo tricolor sem o colombiano, vendido ao Wolverhampton-ING por 22 milhões de euros. Contra o Flamengo, a dupla Everaldo/Canobbio mostrou disposição de sobra, mas deixou a desejar na efetividade. Diante do Palmeiras, Soteldo e Serna tiveram a missão de fazer os lados do ataque, mas ficaram aquém do que produz Arias.
Os números do Fluminense com e sem Arias escancaram a importância que o meia tinha na equipe. Nos dois últimos Brasileirões, com o colombiano, o tricolor teve 18 vitórias, 9 empates e 12 derrotas. Aproveitamento de 53,8%. Nos 13 jogos que não contou com o meia-atacante, sequer conseguir vencer: foram 3 empates e 10 derrotas — apenas 7,7% dos pontos conquistados.
Retrospecto do Fluminense com e sem Arias nos últimos dois Brasileirões
| Com Arias | Sem Arias | |
| Jogos | 39 | 13 |
| Vitórias | 18 | 0 |
| Empates | 9 | 3 |
| Derrotas | 12 | 10 |
| Aproveitamento | 53,8% | 7,7% |
A saída de Arias não chegou a pegar o Fluminense de surpresa. O colombiano há tempos manifestava o desejo de seguir para o futebol europeu, chegou a ficar chateado no ano passado em razão de propostas recusadas pelo clube, e havia um alinhamento entre diretoria e estafe para negociá-lo nesta janela em caso de proposta interessante para todas as partes — a renovação de em fevereiro visava mais evitar perder o jogador de graça no meio de 2026 do que alimentar a esperança de mantê-lo até 2028.
O Fluminense não conseguiu se antecipar com uma reposição à altura e agora corre contra o tempo para evitar maiores prejuízos. O principal alvo no momento é o também colombiano Marino Hinestroza, destaque do Atlético Nacional. O meia-atacante joga pelo lado direito e tem bons números: acumula cinco gols e sete assistências em 25 jogos nesta temporada.
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A negociação, que caminhava bem, no entanto, emperrou. Nos últimos dias, Gustavo Fermani, diretor esportivo do Atlético Nacional, afirmou que o clube só passará a considerar propostas a partir do ano que vem. E o próprio Hinestroza, cujo contrato vai até 2028, deu declarações recentes reafirmando compromisso com o alviverde.
— Eu tenho contrato até 2028 e é isso que eu quero, ficar aqui até que Deus diga basta e até que o presidente e a diretoria me queiram. Estou muito contente aqui, com os meus companheiros neste estádio, com essa torcida, com todo o carinho que eles me dão – disse o jogador colombiano, em entrevista a jornais colombianos no último sábado.
Se há anos a questão financeira é um dificultador para o clube no mercado, nesta temporada, excepcionalmente, o clube tem condições de sonhar mais alto. Não apenas pelo dinheiro da venda de Arias — o tricolor tem direito a 11 milhões de euros + 5 milhões em bônus (R$ 104 milhões) —, mas, acima de tudo, pela premiação do Mundial de Clubes: 50,71 milhões de dólares (R$ 280 milhões).
Em oitavo no Brasileirão, com 20 pontos, o Fluminense tem como próximo compromisso o São Paulo, no Morumbis, domingo, às 16h. Se as três derrotas afastaram o tricolor da luta pelas primeiras posições, a situação na tabela está longe de ser desesperadora.
O alerta, porém, está ligado. E o passado traz lições. Um dos exemplos é 2008, quando, sob o comando do próprio Renato Gaúcho, o Flu encantou em uma competição internacional, se desfez de peças importantes (Thiago Silva e Thiago Neves) e viu uma temporada promissora virar pesadelo.