Foragido há oito meses, o dono da finada agência de viagens on-line Hurb tentou mais uma cartada para não ser preso. Depois de argumentar, sem sucesso, que João Ricardo Mendes não pode ser encarcerado por sofrer de “grave patologia mental”, sua defesa pleiteou na Justiça a revogação da prisão preventiva sob a alegação de que o crime do qual é acusado foi perpetrado sem violência ou grave ameaça. A Justiça negou o pedido e lembrou o histórico do réu.
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“Ao acusado já foi deferida a substituição da prisão por medidas cautelares alternativas, tendo o mesmo as descumprido, inclusive tendo saído do Estado sem autorização judicial, com utilização de documento falso e monitoramento eletrônico descarregado. Após esta ocorrência, foi novamente decretada sua prisão preventiva, sendo que, até o presente momento, esta não foi cumprida, estando o acusado foragido desde então. Assim, os motivos que ensejaram a decretação da prisão cautelar do acusado encontram-se hígidos, o que recomenda, por ora, a manutenção da medida excepcional”, escreveu o juiz Daniel Werneck Cotta, da 32ª Vara Criminal do Rio, em decisão proferida na semana passada.
A despeito do sumiço de Mendes, sua defesa pedia a substituição da prisão preventiva por medidas cautelares “menos gravosas” e sustentava que elas “serão cumpridas, rigorosamente”.
Furto
Embora tenha causado prejuízo milionário a milhares de clientes que compraram pacotes na Hurb, mas não conseguiram viajar, Mendes está sendo acusado por outros crimes: furto qualificado e adulteração de sinal identificador de veículo. Isso porque, em abril do ano passado, o empresário furtou uma obra de arte e três esculturas no Hotel Hyatt, na praia da Barra da Tijuca, no Rio. No dia seguinte, levou ainda dois quadros do escritório Duda Porto Arquitetura, no Casa Shopping, “bem como o iPad e a carteira do dono do escritório”, segundo relatório apresentado pela Justiça na ocasião.
Mendes foi preso em flagrante pelo furto, mas foi solto menos de três meses depois. Só que, em janeiro deste ano, o dono da Hurb foi flagrado tentando embarcar em um voo em Jericoacoara (CE), portando documento falso e com a tornozeleira eletrônica descarregada. Ele acabou sendo liberado em audiência de custódia e sumiu. A Justiça do Rio voltou a decretar, então, sua prisão, mas ainda não conseguiu encontrá-lo.
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