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outubro 24, 2026
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França vive um novo dia de protestos sob forte esquema policial; manifestações se espalham pelo país

Por · outubro 24, 2026
França vive um novo dia de protestos sob forte esquema policial; manifestações se espalham pelo país


As forças de segurança começaram, neste sábado (24), a dispersar com gás lacrimogêneo manifestações não autorizadas na França, país que enfrenta novos protestos sociais envolvendo os “coletes amarelos”, estudantes e sindicatos, uma semana após os distúrbios que chocaram a nação.
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O governo do presidente de centro-direita Emmanuel Macron — que deixará o poder em maio — está sob pressão para evitar novas cenas de caos como as ocorridas na semana passada, as quais repercutiram intensamente entre líderes estrangeiros.
— Seremos intransigentes — enfatizou o ministro do Interior, Laurent Nuñez, ao anunciar o aparato policial: 70 mil agentes, unidades de elite, soldados da missão de vigilância Sentinelle, além de veículos blindados da Gendarmaria, helicópteros, drones, entre outros recursos.
Em Lyon, as forças de segurança dispararam, pela manhã, granadas de gás lacrimogêneo para dispersar um grupo de cerca de 150 pessoas que tentava bloquear o tráfego em uma área onde as autoridades haviam proibido aglomerações, relatou um jornalista da AFP.
As autoridades atribuem os distúrbios a “pequenos grupos de extrema-esquerda” — antifascistas, anarquistas e anarco-autônomos —, aos quais teriam se juntado “criminosos oportunistas”, sobretudo jovens vindos dos subúrbios das cidades, com o objetivo de saquear lojas.
Para retomar o controle, foram decretados, desde segunda-feira, toques de recolher noturnos em bairros de grandes cidades, e manifestações foram proibidas — exceto quando solicitadas por atores considerados “legítimos”, segundo Macron, a exemplo dos sindicatos.
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Além da França, grandes manifestações estão previstas para este sábado na Albânia, na Itália e na Espanha, em um cenário marcado pela mobilização da juventude, preocupações com o poder aquisitivo e a impopularidade dos governos. O comissário de Direitos Humanos do Conselho da Europa, Michael O’Flaherty, instou esses países a respeitarem o direito de manifestação e a priorizarem a “desescalada” nas operações policiais.
Um manifestante segura um cartaz durante uma manifestação ‘contra o racismo, o fascismo e o imperialismo’ à margem do congresso do partido de extrema-direita Rassemblement National (RN), em Orléans, centro da França
Romain Perrocheau / AFP
Paris blindada
Em Paris, Marselha e Lyon, foram finalmente autorizadas as marchas previstas contra o aumento do custo de vida e em apoio aos estudantes que, desde o final de setembro, reivindicam melhores condições nas escolas de Ensino Médio; na capital, no entanto, a polícia alterou o trajeto de última hora.
Na semana passada, entre 550 mil e 800 mil pessoas participaram de manifestações na França.
O movimento dos “coletes amarelos” — que já abalou o primeiro mandato de Macron em 2018 e 2019 — prevê cerca de 500 manifestações e ações em 86 rotatórias, 21 postos de gasolina, dois depósitos de petróleo, 33 estações ferroviárias, três portos, 17 pontes e 17 praças de pedágio, segundo um mapa publicado em seu site.
Muitos dos distúrbios da semana passada ocorreram, por outro lado, durante manifestações não autorizadas, nas quais os participantes tentaram, inclusive, aproximar-se de locais estratégicos, como a turística avenida Champs-Élysées.
Veículos blindados da Gendarmaria protegem, neste sábado, o Palácio do Eliseu — sede da Presidência — e a Assembleia Nacional, em Paris.
Diante dos novos protestos, muitos comerciantes protegeram as vitrines de seus estabelecimentos com tábuas de madeira; alguns planejam não abrir as portas, enquanto outros pretendem defender pessoalmente seus comércios contra eventuais saques.
No sábado passado, quase 3 mil lojas foram afetadas na França.
— No local, vi tacos de beisebol, barras de ferro e espingardas de caça — alertou o presidente das Câmaras de Comércio e Indústria da França, Alain Di Crescenzo, que recomendou “baixar as portas” e “deixar a polícia agir”.
Os museus parisienses do Louvre, Orsay e Picasso, bem como a Ópera de Paris, fecharam excepcionalmente.
Com as autoridades já sob pressão, um homem de 39 anos cometeu, na sexta-feira, um “atentado terrorista racista” perto de Paris — que deixou um morto e cinco feridos — antes de ser detido, segundo Macron.
Além disso, milhares de pessoas começaram a participar de manifestações em Orléans contra o partido de extrema-direita Reunião Nacional (RN), que realiza seu congresso político neste fim de semana sob fortes medidas de segurança.
A seis meses da eleição presidencial, a líder da sigla, Marine Le Pen, lidera as pesquisas, seguida de longe pelo esquerdista Jean-Luc Mélenchon, pelo centrista Édouard Philippe e pelo social-democrata Raphaël Glucksman.
Nesse contexto tenso, o governo recebeu uma boa notícia na sexta-feira: a agência de classificação de risco Moody’s manteve a nota da dívida soberana da França, confiante de que a segunda maior economia da União Europeia conseguirá aprovar seu orçamento — que prevê um forte ajuste fiscal — e de que as tensões sociais irão se acalmar nos próximos meses.

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