O Gabinete de Gestão Integrada Municipal (GGIM), que reúne representantes da Prefeitura de Niterói e de forças municipais, estaduais e federais de segurança pública, contestou o levantamento apresentado por operadoras de internet segundo o qual cerca de 45% do território da cidade já não contam com cobertura das principais empresas de internet fixa devido a restrições impostas por grupos criminosos. O dado foi publicado em reportagem do GLOBO-Niterói neste domingo (12), e tem como base um mapeamento elaborado pelas próprias operadoras com áreas onde afirmam enfrentar impedimentos para atuar.
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Embora os episódios mais recentes tenham ocorrido na Região Oceânica, empresários afirmam que o cenário já se estende para outras regiões da cidade. Bairros como Engenho do Mato, Maravista, Rio do Ouro, Várzea das Moças e parte de Itaipu estão entre os locais apontados pelas empresas como áreas em que não podem atuar sob pena de represália do crime organizado. Na Zona Norte, o Fonseca é citado como uma das áreas mais afetadas. Segundo representantes do setor, cerca de 45% do território de Niterói não contam mais com cobertura das principais operadoras de internet fixa por esse motivo.
Em nota, o GGIM afirmou que “Niterói é uma das poucas cidades da Região Metropolitana do Rio de Janeiro que não registra controle de milícias com domínio de bairros ou territórios e, nos últimos anos, tem avançado de forma consistente no enfrentamento ao crime organizado por meio da integração entre as forças de segurança”. Segundo o gabinete, os indicadores do Instituto de Segurança Pública (ISP) demonstram reduções de até 80% em alguns crimes. O GGIM também questionou a metodologia utilizada para chegar ao percentual de 45% do território, afirmando que não foram apresentados os critérios técnicos adotados nem a forma de elaboração do levantamento. E afirmou que “seguirá trabalhando com planejamento, inteligência e integração para fortalecer, cada vez mais, a segurança pública no município”.
Assim como em outras regiões do estado, os serviços de internet também passaram a ser explorados por facções do tráfico de drogas. O mapa elaborado pelas operadoras que atuam em Niterói identifica áreas classificadas como “entrada proibida” e “modo de contingência”, onde as empresas afirmam que técnicos deixaram de realizar instalações e manutenções por questões de segurança. Em grande parte, as áreas citadas coincidem com os territórios sob controle ou influência de grupos armados apontados pelo Mapa Histórico dos Grupos Armados do Rio de Janeiro, produzido pelo Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos da Universidade Federal Fluminense (Geni/UFF) e pelo Instituto Fogo Cruzado. A atualização mais recente do estudo, divulgada em dezembro de 2025 com base na realidade observada em 2024, já apontava a disputa entre Comando Vermelho (CV) e Terceiro Comando Puro (TCP) em áreas do Complexo do Fonseca, cenário que se agravou desde então.
De acordo com as operadoras, o mapa foi construído com base em registros internos de áreas onde equipes deixaram de realizar instalações ou manutenção em razão de ameaças, impedimentos ou riscos à segurança, e esse diagnóstico vem sendo apresentado há meses em reuniões com representantes da prefeitura e das forças de segurança, com o objetivo de subsidiar ações de enfrentamento ao problema.
Segundo o levantamento, na mancha das áreas mais críticas estão todo o Complexo do Fonseca, incluindo favelas como a Vila Ipiranga, e boa parte do território no entorno da Estrada Padre José Euger, passando por bairros como Ititioca e Atalaia. Na Zona Sul, abrange trechos de Jurujuba e o Morro do Preventório, em Charitas, entre outras comunidades. E na região de Pendotiba, um dos maiores fragmentos de “entrada proibida” fica no Engenho do Roçado. As operadoras também afirmam haver restrições em pontos da Alameda São Boaventura, no Fonseca, em ruas do Centro e em bairros da Zona Sul.
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