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setembro 24, 2026
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Galípolo reconhece que desaceleração da economia tem ficado mais clara, mas diz que BC atual não é 'emotivo'

Por · setembro 24, 2026
Galípolo reconhece que desaceleração da economia tem ficado mais clara, mas diz que BC atual não é 'emotivo'


O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, reconheceu que a desaceleração da atividade econômica brasileira tem ficado mais clara nos dados recentes, mas indicou que essas evidências não devem levar a autoridade monetária a ser “emotivo” na condução dos juros. Atualmente, a taxa Selic está em 13,75%, após cinco cortes consecutivos de 0,25 ponto percentual. Para as próximas reuniões, o BC não deu sinais sobre seus planos para os juros.
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— Conforme vem dados novos, temos ganhado confiança em como esses dados vêm demonstrando um processo de desaceleração. Mas, nessa altura, vocês perceberam que esse é um BC que não é muito emotivo, não se emociona muito com os dados, para não gerar grandes oscilações aqui — disse Galípolo em entrevista à imprensa sobre o Relatório de Política Monetária.
— Tanto o BC quanto o mercado, nas suas comunicações, vêm demonstrando que existem mais evidências de consolidação de um processo de desaceleração, que produziria aquilo que a gente sempre fala de equilíbrio de oferta e demanda para fazer a convergência da inflação para meta.
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Essa maior “frieza” do BC deve-se à forte incerteza no cenário prospectivo, principalmente diante da continuidade da guerra no Oriente Médio, que pressiona os preços de petróleo e combustíveis. Galípolo mencionou a resposta dos analistas no Questionário Pré-Copom que apontaram tanto maior evidências de desaceleração da atividade e, ao mesmo tempo, maior preocupação com os choques de oferta, que também inclui o efeito do El Niño, que, segundo exercícios do BC, podem reduzir a produtividade das lavouras de milho e arroz no país.
— Em um cenário de bastante incerteza, temos que ser bastante humildes na hora de consumir os dados, que segue sendo nosso farol, mas temos que consumi-los humildemente. Não podemos nos apoiar em uma falsa precisão nesse processo.
Nesta quinta-feira, o BC revisou para baixo a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) deste ano de 2,0% para 1,8% e divulgou a previsão do PIB de 2027 em 1,4%. A autoridade monetária explicou que a revisão deve-se a uma composição menos favorável do Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre (0,5%), com menor impulso do consumo das famílias e de setores mais cíclicos.
Além disso, a perspectiva do BC é de que esse movimento continue no terceiro trimestre. A avaliação da autoridade monetária é de que essa desaceleração faz parte de um quadro mais amplo de perda de dinamismo iniciado no final de 2024, com o ciclo de aperto monetário.
O diretor de Política Econômica do BC, Paulo Picchetti, ponderou, contudo, que, neste momento, não existe perspectiva de recessão significativa para o ano de 2027.

Galípolo reconhece que desaceleração da economia tem ficado mais clara, mas diz que BC atual não é 'emotivo'