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setembro 25, 2026
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Referência de investimento global, títulos do Tesouro americano saltam ao maior nível desde 2004

Por · setembro 24, 2026
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Os rendimentos do Título do Tesouro Americano de 10 anos, que servem de referência global para financiamentos mundo afora, alcançou rendimento máximo registrado pela última vez em julho de 2007, a 5,17%. Já os de 30 anos também saltaram, a 5,4%, recorde de taxa em 22 anos.
As preocupações de que os preços elevados do petróleo vão impactar a inflação aprofundam a liquidação dos títulos americanos, os chamados Treasuries.
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A forte liquidação tem impactado diretamente o custo de vida americano. As hipotecas imobiliárias, o modo mais comum de financiamentos de imóveis por lá (em que o próprio imóvel é dado como garantia do pagamento), saltaram de preços. É que as taxas destes financiamentos acompanham de perto os rendimentos dos Treasuries, tendo como referência o título de dez anos.
A taxa média de uma hipoteca de 30 anos com juros fixos, o tipo mais comum de financiamento imobiliário nos Estados Unidos, subiu para 7,03%, ante 6,3% há um ano, segundo a agência de financiamento imobiliário Freddie Mac.
O movimento comprime a capacidade de compra de imóveis em um momento em que muitos americanos enfrentam custos de energia mais altos e a incerteza econômica provocada pela guerra com o Irã.
As taxas de hipoteca caíram para menos de 6% no fim de fevereiro, oferecendo um vislumbre de esperança de que o mercado imobiliário estivesse se recuperando de um período de dificuldades que já durava anos. Mas começaram a subir novamente de forma constante depois que Estados Unidos e Israel lançaram ataques contra o Irã em 28 de fevereiro.
— Uma mudança de 6% para 7% é grande, e isso vai enfraquecer ainda mais um mercado imobiliário que já está fraco — disse Stijn Van Nieuwerburgh, professor de finanças da Graduate School of Business da Universidade Columbia.
Desde o início da guerra no Oriente Médio, os embarques de petróleo provenientes do Golfo Pérsico diminuíram, elevando os preços de produtos energéticos como gasolina, diesel e óleo para aquecimento. Economistas temem que os preços mais altos da energia provocados pela guerra se espalhem para outras áreas da economia americana.
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Essas preocupações se materializaram no mercado de títulos do governo, que serve de base para as taxas de hipoteca.
A inflação geral permaneceu persistentemente elevada, a uma taxa anual de 3,4% em agosto, levando o Fed a elevar os juros na quarta-feira passada.
As taxas de hipoteca mais altas, por sua vez, estão pesando sobre um mercado imobiliário que enfrenta dificuldades. As vendas de imóveis usados caíram 2% em agosto em relação a julho e estão no menor nível desde junho do ano passado. Os preços dos imóveis subiram 1,5% em termos anuais em junho, ante uma alta anual de 1,2% no mês anterior, segundo a Cotality, uma provedora de dados do mercado imobiliário.
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— Ninguém mais consegue comprar uma casa a esses preços elevados e com essas taxas de hipoteca mais altas — disse Van Nieuwerburgh, acrescentando que os aumentos dos custos deixaram o mercado imobiliário travado.
As taxas de hipoteca chegaram a cair para 2,65% em janeiro de 2021, desencadeando uma corrida pela compra de imóveis que provocou disputas entre compradores e impulsionou os preços. Mas, à medida que as taxas começaram a subir novamente cerca de um ano depois, o mercado imobiliário entrou em um período de estagnação, enquanto os proprietários passaram a relutar em se mudar e abrir mão de taxas baixas.
Com o mercado imobiliário estagnado, as incorporadoras estão adiando a construção de novas casas no país.
— Taxas de hipoteca mais altas, custos crescentes de financiamento da construção e desafios de acessibilidade continuam pesando sobre o mercado e limitando o ritmo da construção de novas casas — disse Bill Owens, presidente da Associação Nacional de Construção Civil (NAHB, na sigla em inglês), em comunicado.
Eric Orenstein, diretor sênior da Fitch Ratings, disse esperar que as vendas de imóveis e o refinanciamento de hipotecas desacelerem no restante do ano, mas que o mercado eventualmente comece a descongelar à medida que os proprietários sejam obrigados a se mudar por causa de grandes acontecimentos na vida, como uma mudança de emprego.
— Há um aspecto psicológico: em que momento os consumidores simplesmente aceitam que as taxas não voltarão a 3%? — disse Orenstein.
Liquidação dos títulos
Para o Bank of America, o movimento de alta nos rendimentos é preocupante diante de uma demanda fraca pelos papéis. “O movimento dos preços provavelmente destaca que os investidores ainda não estão confortáveis em manter títulos em um ambiente de retomada do ciclo de alta de juros pelo Fed, continuidade do conflito no Oriente Médio e uma economia e um consumidor americanos resilientes”.
De acordo com Felipe Sichel, economista-chefe da Porto Asset, uma série de fatores contribui com a realização das Treasuries, como a perspectiva de juros maiores e até mesmo a possibilidade de controle de exportação do óleo diesel pelos EUA, que está em níveis recordes no país:
— O governo americano já tem pouca disposição para lidar com o enorme problema fiscal, o que piora a dinâmica dos juros. E, quando caminha para medidas heterodoxas, como a intervenção na exportação, você altera a dinâmica da trajetória da economia americana. E os investidores passam a cobrar mais prêmios nos títulos — disse.
Uma alta na curva de juros americana tem impacto global. Isso porque a taxa calibra o valor do dólar e, consequentemente, impacta moedas e investimentos em todo mundo.
Quando a taxa americana está alta, parte volumosa do capital global caminha aos Estados Unidos, já que o país é considerado um dos mais seguros do mundo para aplicações. Os títulos do Tesouro americano tendem a ficar mais atraentes, drenando os investimentos espalhados em todo o mundo. Com menos dólares nos países, o preço da moeda aumenta.
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