Gleici Damasceno chamou atenção nas redes sociais ao mostrar o corpo após realizar uma sessão de lipocavitação. Campeã do “BBB 18”, a influenciadora compartilhou registros do antes e depois e comentou a diferença que percebeu logo após o atendimento. A publicação também despertou dúvidas sobre o que, de fato, pode mudar no contorno corporal depois de uma sessão.
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“Estou chocada. Gente, juro, vocês não têm noção de como eu estou aqui. Olha só, é quando a gente vê que realmente estava bem inchada”, disse.
Gleici Damasceno faz lipocavitação: o resultado aparece na hora?
Reprodução Instagram
Conhecida popularmente como “lipo sem cirurgia”, a lipocavitação é um procedimento estético não invasivo que utiliza ondas de ultrassom e pode ser aplicada em áreas de gordura localizada. O objetivo está relacionado à melhora do contorno corporal, mas o nome pelo qual a técnica ficou conhecida pode gerar uma associação equivocada com a lipoaspiração, que é uma cirurgia.
Segundo a cirurgiã plástica Alessandra Martinelli, a diferença entre as duas abordagens é importante para evitar expectativas que não correspondam ao que cada uma pode oferecer.
“A lipocavitação utiliza energia de ultrassom sobre o tecido subcutâneo e é proposta para áreas de gordura localizada, sem incisões e sem a retirada cirúrgica da gordura. Já na lipoaspiração, o tecido adiposo é aspirado por meio de cânulas. Por isso, chamar o procedimento de ‘lipo sem cirurgia’ facilita a comunicação, mas pode criar a falsa impressão de que os resultados são equivalentes. Não são procedimentos comparáveis em potência, indicação ou resultado”, explica.
Resultado imediato significa perda de gordura?
A diferença visual percebida logo depois de uma sessão também precisa ser analisada com cautela. No caso de Gleici, a própria influenciadora relacionou parte da mudança ao fato de estar “bem inchada”. Uma alteração no contorno corporal pode envolver diferentes fatores, e uma imagem feita imediatamente após o atendimento não permite determinar quanto daquele efeito corresponde, de fato, à redução de tecido adiposo.
“Quando vemos um antes e depois muito imediato, é importante não concluir automaticamente que toda aquela diferença representa gordura eliminada. Posição, contração muscular, iluminação, edema e retenção de líquidos também podem modificar bastante o contorno corporal. A avaliação do resultado de qualquer tratamento precisa respeitar o mecanismo da técnica e o tempo necessário para a resposta do organismo”, pondera Dra. Alessandra.
A médica também destaca que procedimentos voltados ao contorno corporal não têm como finalidade tratar obesidade ou substituir estratégias indicadas para perda de peso. Quando há necessidade de emagrecimento, a abordagem deve levar em conta as condições de saúde e as necessidades de cada paciente.
Quanto tempo leva para se recuperar?
A ausência de cortes é um dos aspectos que diferenciam a lipocavitação de uma cirurgia. Dependendo do equipamento utilizado e das características de cada paciente, o retorno às atividades tende a ocorrer em pouco tempo.
“Por ser uma técnica não cirúrgica, geralmente não existe aquele pós-operatório clássico de uma lipoaspiração, com afastamento prolongado das atividades. O paciente pode apresentar vermelhidão, sensibilidade ou algum desconforto temporário na região tratada, mas a recuperação costuma ser mais simples. Isso não significa, porém, que seja um procedimento banal ou que possa ser realizado sem avaliação adequada”, ressalta Dra. Alessandra.
Procedimento não invasivo também tem riscos
Não haver cirurgia não significa que a técnica seja isenta de contraindicações ou possíveis complicações. A segurança depende de fatores como o equipamento empregado, os parâmetros utilizados, a área tratada, as condições clínicas do paciente e a capacitação do profissional responsável.
Entre os possíveis efeitos adversos estão dor, vermelhidão, edema, sensibilidade local e alterações na pele. O uso inadequado de equipamentos que fornecem energia aos tecidos também pode provocar complicações mais importantes.
“O erro é imaginar que, porque não existe bisturi, qualquer pessoa pode fazer e qualquer paciente pode receber o tratamento. Antes de indicar uma tecnologia para redução de gordura ou melhora do contorno corporal, é preciso avaliar a região, a quantidade e distribuição de gordura, a qualidade da pele, o histórico de saúde e entender se aquela técnica realmente é capaz de entregar o que o paciente procura”, alerta Dra. Alessandra.
A presença cada vez maior de procedimentos estéticos nas redes sociais também faz com que antes e depois compartilhados por celebridades despertem curiosidade sobre essas técnicas. Para a cirurgiã plástica, no entanto, uma experiência individual não deve ser tomada como referência para decidir por um tratamento.
“Um resultado publicado nas redes pode despertar curiosidade, mas não determina se aquele procedimento é adequado para outra pessoa. A melhor tecnologia não é necessariamente a que está viralizando, mas aquela que possui indicação correta para o problema que queremos tratar, com expectativas realistas e segurança”, conclui.
Gleici Damasceno faz 'lipo sem cirurgia': o que esperar do procedimento?
