O ex-ministro da Fazenda e candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT), afirmou nesta segunda-feira, em entrevista ao Roda Viva, da TV Cultura, que o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) perdeu o comando da segurança pública e tem visão limitada sobre o crime organizado. Após elencar o que considera falhas na condução da Polícia Militar e no combate ao PCC, o petista também mirou a economia, acusando o atual governo de entregar a pior situação fiscal do estado em 30 anos e prometendo um “pente-fino” nas concessões à iniciativa privada.
— Um dos erros do governador atual, aqui de São Paulo, é que ele ainda pensa com uma cabeça pequena, como se o crime tivesse acontecido aqui no território. Ele não compreende as interconexões do PCC fora de São Paulo, e no mundo, inclusive. Por isso que os Estados Unidos já estão falando de PCC, porque tem repercussão internacional — declarou.
Para justificar a tese de que o Palácio dos Bandeirantes perdeu o controle da segurança, o candidato listou crimes recentes cometidos por policiais militares paulistas, como roubo de carga e estupro, e criticou a desestruturação da cadeia de comando da corporação. Haddad acusou o governo Tarcísio de afastar oficiais experientes para implementar critérios políticos de nomeação.
— Houve uma desorganização da cadeia de comando em São Paulo muito grave. O governo atual, por uma série de critérios meio de compadrio, acabou aposentando gente muito séria da Polícia Militar em plena atividade. (…) E se isso custar o afastamento de um ou outro profissional que não tá seguindo as regras mínimas de civilidade, isso é pro bem da corporação — pontuou.
Para combater o avanço das facções, Haddad manifestou apoio à PEC da Segurança e prometeu centralizar as operações instalando um gabinete antifacção com a presença das polícias estaduais, da Polícia Federal e da Receita Federal. Na área econômica paulista, Haddad subiu o tom ao citar dados oficiais da Secretaria da Fazenda que atestariam o esvaziamento do caixa estadual. Segundo o petista, o caixa livre despencou de R$ 22 bilhões para R$ 5 bilhões, e o superávit orçamentário se transformou em déficit.
— O Estado de São Paulo, as finanças hoje, tá na pior situação desde os anos 90. (…) Nós vamos ter que passar um pente fino nos contratos assinados por essa gestão. Nós vamos ter que abrir espaço orçamentário. Nós vamos ter que rever acordos que foram feitos com a iniciativa privada — disse, descartando novos aumentos de impostos.
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