O Haiti anunciou nesta terça-feira o adiamento das primeiras fases do processo eleitoral, o que posterga por tempo indeterminado as eleições presidenciais e legislativas antes previstas para dezembro. O país mais pobre das Américas está mergulhado em uma crise política, econômica e de segurança, agravada nos últimos anos pela violência das gangues, que multiplicaram os assassinatos, estupros e o recrutamento de menores. O Haiti, com cerca de 11 milhões de habitantes, realizou eleições pela última vez em 2016. Seu último presidente foi assassinado em 2021 e não foi substituído.
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“O período inicialmente estabelecido para a realização da campanha eleitoral foi adiado”, informou o Conselho Eleitoral Provisório, sem mencionar nenhuma data para o pleito. “Estamos trabalhando em outro calendário”, disse à AFP um membro do Conselho que pediu anonimato.
O primeiro turno das eleições deveria ocorrer em 13 de dezembro de 2026, e o segundo turno, em 21 de fevereiro de 2027, de acordo com o cronograma publicado em julho.
“Eu não tinha muitas esperanças de poder votar este ano. Quem pode pretender realizar eleições em um país onde os habitantes estão mais preocupados com a insegurança e os abusos de grupos armados?”, questiona Davidson Jean Baptiste, mototaxista, em declarações à AFP em Porto Príncipe.
Insegurança e deslocamento
Quase 1,5 milhão de pessoas — cerca de 13,6% da população — foram deslocadas devido à violência, segundo estimativas da Organização Internacional para as Migrações. Pelo menos 5.700 pessoas morreram ou ficaram feridas no Haiti desde o início do ano, alertou no início de outubro Volker Türk, Alto Comissário da ONU para os Direitos Humanos. No final de setembro, o Conselho de Segurança da ONU prorrogou por seis meses a atuação de uma força de combate a gangues.
A Força de Supressão de Gangues (GSF, na sigla em inglês), anunciada pela ONU no ano passado, tinha a previsão de atingir um efetivo de 5.500 integrantes e 50 funcionários civis entre abril e outubro, mas continua abaixo dessa meta.
A insegurança também afeta a organização das eleições. Vários municípios escapam ao controle das autoridades e não dispõem de centros de cadastramento de eleitores. Após dez anos sem eleições, os haitianos aguardam o retorno da democracia o mais breve possível.
“O povo permaneceu tempo demais à margem do debate político”, lamenta Claudette Piard, uma costureira entrevistada em um centro de cadastramento de eleitores em Delmas, município da região metropolitana de Porto Príncipe. “Queremos, enfim, votar em um governo que traga soluções.”
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