Explosões abalaram a capital da Arábia Saudita, Riad, nesta quinta-feira, enquanto a milícia houthi no Iêmen, apoiada pelo Irã, afirmou ter atacado o aeroporto internacional da cidade pela segunda vez nesta semana. O reino foi abalado pelos ataques depois que autoridades sauditas disseram, na quarta-feira, que ataques houthis contra aeroportos em Riad e Abha, cidade no sul do país, mataram três pessoas e deixaram dezenas de feridos.
Contexto: Forças do Iêmen dizem que estreito na entrada do Mar Vermelho ‘está sob controle’; houthis atacam aeroportos sauditas
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Os ataques são os mais mortais contra a Arábia Saudita desde que a guerra com os houthis foi retomada nas últimas semanas e ameaçam ampliar um conflito que envolveu vários países e pressionou os mercados de energia. Os preços do petróleo subiram acentuadamente nesta quinta-feira, com o barril do Brent, referência global, em alta de mais de 5%.
As autoridades sauditas afirmaram, nesta quinta, ter interceptado dois mísseis balísticos que tinham Riad como alvo e que fragmentos de munições caíram sobre uma creche e uma clínica médica. Não estava claro se houve vítimas.
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Um porta-voz militar houthi, Yahya Saree, afirmou que os rebeldes tinham como alvo o aeroporto internacional de Riad com um míssil balístico. Segundo ele, o grupo atingiu um alvo no aeroporto e interrompeu o tráfego aéreo, sem dar mais detalhes. As autoridades sauditas não responderam a perguntas sobre as alegações dos houthis.
O New York Times verificou dois vídeos que circulavam nas redes sociais e mostravam uma espessa coluna de fumaça subindo sobre o aeroporto de Riad, que anunciou dezenas de cancelamentos de voos.
Pressão sobre Riad
Os ataques contra Riad aumentaram a pressão sobre o príncipe herdeiro Mohammed bin Salman, líder de fato do reino, para encontrar uma solução para o conflito crescente, enquanto os combates ameaçam seus planos de transformar o país em um polo de negócios e turismo. Riad deve sediar vários eventos internacionais nas próximas semanas, incluindo uma cúpula anual de investimentos organizada pelo príncipe Mohammed, que costuma reunir líderes mundiais, bilionários e altos executivos de empresas globais.
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A Arábia Saudita anunciou nesta semana uma nova campanha de bombardeios no Iêmen contra os houthis, que prometeram reagir atacando aeroportos e infraestrutura energética.
O príncipe Mohammed também tem buscado obter maior apoio militar de aliados, incluindo os Estados Unidos, que fornecem assistência significativa à campanha de bombardeios do reino.
Os combates podem envolver mais países, depois que Paquistão e Turquia ativaram, nesta semana, um pacto de defesa para fornecer apoio militar ao reino. Um alto funcionário militar paquistanês, que falou sob condição de anonimato para discutir questões operacionais, afirmou na quarta-feira que caças paquistaneses estavam sendo usados em ataques contra os houthis.
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Não estava claro se a intervenção militar estrangeira reduziria os ataques dos houthis, que sobreviveram a anos de campanhas de bombardeio e avaliaram que podem infligir mais danos à Arábia Saudita do que o reino é capaz de causar a eles.
Um repórter do NYT em Riad ouviu várias explosões em rápida sucessão na manhã de quinta-feira. Dois moradores, que falaram sob condição de anonimato, disseram que trabalhadores de um edifício comercial da cidade foram orientados a deixar o local. Nos últimos dias, as autoridades sauditas orientaram moradores a não compartilhar informações relacionadas a ataques com mísseis e drones, alertando para possíveis consequências legais.
Os houthis afirmam que seus ataques contra a Arábia Saudita são uma retaliação aos ataques no Iêmen.
Frentes de batalha
O conflito no Iêmen ocorre em várias frentes. O governo iemenita reconhecido internacionalmente, apoiado por aviões de guerra sauditas, iniciou nesta semana uma contraofensiva para retomar dos houthis um território estrategicamente importante ao longo do Mar Vermelho. A milícia tomou grandes áreas do litoral no mês passado, em um movimento que lhe deu maior controle sobre o Estreito de Bab el-Mandeb, uma rota fundamental para o comércio global.
Os houthis afirmam ter obtido avanços na cidade de Taiz, no interior do país, um reduto do governo.
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Um oficial do Exército do governo iemenita em Taiz afirmou que as forças houthis haviam efetivamente cercado a cidade e que os moradores estavam ficando sem combustível e alimentos. Ele falou sob condição de anonimato porque não estava autorizado a conversar com a imprensa.
Um porta-voz da coalizão militar liderada pela Arábia Saudita, o major-general Turki al-Maliki, afirmou durante a noite que a coalizão havia atacado dezenas de instalações militares dos houthis, incluindo depósitos de mísseis e centros de comando, em retaliação aos ataques contra os aeroportos na quarta-feira. Os houthis não responderam à alegação.
Apoio estrangeiro
A mais recente rodada de combates colocou novamente a Arábia Saudita e os houthis em conflito aberto, e quase 200 mil iemenitas foram deslocados desde setembro, quando os confrontos se intensificaram, segundo as Nações Unidas.
Em 2015, a Arábia Saudita liderou uma desastrosa campanha contra os houthis em uma tentativa de restaurar o governo do Iêmen, que havia sido expulso da capital, Sana, pela milícia. A guerra provocou centenas de milhares de mortes e criou uma das piores crises humanitárias do mundo, até que os dois lados concordaram com uma trégua frágil em 2022.
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O senador Chris Murphy, democrata de Connecticut, que se reuniu com o príncipe Mohammed na segunda-feira em Riad e se opôs publicamente à última campanha do reino no Iêmen, afirmou que não estava claro quais eram os objetivos de longo prazo do país com a retomada da campanha militar.
— Eles querem recuperar o território que perderam, e acho que a questão em aberto é se têm objetivos claros além disso — disse Murphy a jornalistas. — Acho que a história nos mostra que esse conflito militar, independentemente de quem o inicia, é um desastre para o povo do Iêmen, para a região e para os EUA.
Analistas afirmaram que os ataques contra Riad nos últimos dias aumentariam a possibilidade de o governo saudita intensificar sua campanha de bombardeios no Iêmen.
— O ataque mais recente apenas lhes dá mais apoio internacional para qualquer operação militar que realizem contra os houthis — diz Farea al-Muslimi, especialista em Iêmen do Chatham House, grupo de pesquisa sediado em Londres.
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O presidente dos EUA, Donald Trump, rejeitou pedidos do governo saudita para ordenar ataques aéreos americanos. No entanto, mais de 200 analistas de inteligência e militares dos EUA estão auxiliando o governo saudita em centros de comando dentro do reino, ajudando a analisar e selecionar alvos em apoio a seus aliados iemenitas, segundo um atual e um ex-funcionário americano, que falaram sob condição de anonimato para discutir questões operacionais. De acordo com eles, Washington também fornece reabastecimento aéreo para aviões de guerra sauditas que realizam patrulhas aéreas defensivas.
No mês passado, o Reino Unido também prometeu oferecer reabastecimento aéreo limitado aos aviões de guerra sauditas para fins defensivos. Não está claro se isso se estenderá à nova campanha. A França, por sua vez, afirmou no mês passado que enviaria tropas e outros recursos militares para proteger a infraestrutura energética saudita no Mar Vermelho.
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