“É uma conquista e também um agradecimento ao país que me recebeu”, afirma a artista ítalo-brasileira Maria Bonomi, de 90 anos, sobre a retrospectiva “A arte de amar, a arte de resistir”, que abre sábado, com mais de 250 obras de suas sete décadas de carreira, no Paço Imperial — prédio que viu na infância ao desembarcar na Praça XV durante a Segunda Guerra Mundial. Destaque do ciclo expositivo que inaugura outras cinco mostras, a exposição com curadoria de Paulo Herkenhoff e Maria Helena Peres, companheira da artista, ocupa 11 salas com uma “seleção sui generis”, nas palavras de Bonomi.
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Do político ao poético, as diferentes plataformas exploradas pela artista estão ali: os primeiros contatos com a gravura, sua principal linguagem artística; trabalhos emblemáticos como a xilogravura “Balada do terror”, sobre os anos de chumbo da ditadura; fotos de obras em espaços públicos de São Paulo; figurinos e cenários. Dentre as peças inéditas, há um conjunto de três esculturas em homenagem à parceira de mais de 20 anos, celebrada nas salas “Amor inscrito” e “Lena”.
— São obras intimistas, com pretensão altamente erótica, feitas em vários suportes e que formalizam esse sentimento tanto do ponto de vista visual, como do tático. Tudo que está aqui é para ser tocado, vivenciado — explica Bonomi, aludindo às esculturas, instalações e matrizes interativas presentes na exposição, um dos muitos aspectos de vanguarda em sua obra.
As outras mostras novas são “Prêmio Pipa — Ano 16”, com obras dos quatro vencedores; “Poéticas do ruído”, com trabalhos de ganhadores anteriores; e individuais de Volupsa Jarpa, Analu Cunha e João Modé.
- O que: “A arte de amar, a arte de resistir”, de Maria Bonomi.
- Onde: Praça Quinze de Novembro 48, Centro.
- Quando: ter a dom, das 12h às 18h. Até 16 de novembro. Abertura sábado, às 15h.
- Quanto: grátis.