
Um imigrante dominicano ficou ferido após ser baleado por um agente do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) na quinta-feira, enquanto estava em um carro com uma criança de 5 anos no bairro de Marble Hill, no Bronx, em Nova York. O disparo ocorreu durante uma operação para prender um homem em situação migratória irregular, segundo o Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS).
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O porta-voz do DHS afirmou à AFP que a operação tinha como alvo um cidadão dominicano em situação irregular e com condenações anteriores. Segundo o órgão, o agente disparou durante a abordagem, e os próprios policiais prestaram os primeiros socorros ao homem, que foi levado a um hospital.
O prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, classificou o episódio como um “incidente revoltante”. Segundo ele, os agentes cercaram o veículo antes de abrir fogo e usavam coletes de construção e máscaras que escondiam seus rostos.
— A rua estava lotada de famílias e crianças. Uma criança de cinco anos estava sentada no banco traseiro. Graças a Deus, ela não sofreu nenhum dano físico — afirmou Mamdani durante uma entrevista coletiva no local.
O prefeito também questionou a possibilidade de os agentes serem identificados durante a operação.
— Nada permitia identificá-los razoavelmente como agentes — declarou.
Imigrante dominicano é baleado por agente do ICE na frente de criança de 5 anos em Nova York
AFP
Governo americano alega ligação com gangue
O DHS afirmou que o homem ferido teria ligações com a gangue dos Trinitarios, que, segundo o órgão, feriu gravemente a tiros um agente da patrulha de fronteira no ano passado.
O departamento também declarou que o imigrante havia sido preso pela polícia de Nova York em 7 de dezembro de 2023, mas foi libertado dias depois. O governo atribuiu a soltura às políticas migratórias dos democratas, que classificou como “irresponsáveis”.
A cidade de Nova York, reduto democrata, mantém uma relação tensa com o ICE e limita ao máximo sua cooperação com a agência. A atuação federal na metrópole se intensificou desde o retorno do republicano Donald Trump à Casa Branca.
Mamdani afirmou ter tentado negociar por telefone com Trump e com o secretário do DHS, Markwayne Mullin, a libertação do homem ferido.
— Essas negociações fracassaram. Há poucos instantes, o ICE colocou o homem em um veículo descaracterizado e o levou às pressas — disse o prefeito.
A governadora de Nova York, Kathy Hochul, pediu às autoridades federais que esclareçam “as circunstâncias deste incidente”.
Protestos e pedidos de investigação
Na noite de quinta-feira, opositores ao ICE se reuniram no local dos disparos e depois seguiram para as proximidades do hospital onde o homem foi atendido, segundo a AFP.
A tensão aumentou quando alguns manifestantes tentaram impedir a saída de carros do estabelecimento. As forças de segurança os afastaram da entrada e instalaram barreiras.
A New York Immigration Coalition, organização que defende os direitos dos migrantes, exigiu uma investigação e a divulgação das imagens das câmeras corporais utilizadas pelos agentes do ICE.
Uma auditoria municipal publicada em maio apontou que 5.567 pessoas haviam sido presas pelo ICE em Nova York e arredores entre 20 de janeiro de 2025 e 10 de março de 2026.