O influenciador Gabriel Spalone, denunciado por suposto “golpe do pix” que teria levado ao desvio de R$ 146 milhões, foi preso novamente nesta quinta-feira sob acusação de extorquir e ameaçar dois empresários com quem mantinha sociedade. As investigações apontaram que o dono das fintechs Dubai Cash e da Next Trading Dubai disse ser membro do Primeiro Comando da Capital (PCC).
Em nota, a defesa de Spalone disse que não teve acesso ao processo, que corre sob sigilo, mas negou qualquer vínculo do cliente com a facção criminosa.
“Eduardo Maurício, advogado de defesa de Gabriel Spalone, afirma que ainda não teve acesso ao processo, já que o mesmo está em segredo de justiça, mas assevera que seu cliente não integra o PCC, e que irá pleitear a sua liberdade em audiência de custódia e, se for o caso, a revogação de sua prisão preventiva”, diz a nota.
Spalone estava solto após a Justiça de São Paulo conceder liberdade provisória em fevereiro. O empresário havia sido preso em setembro anterior, depois de ser incluído na “lista vermelha” da Interpol. Ele foi detido na Argentina, transferido para o Brasil e teve a preventiva decretada em novembro. A defesa do influenciador sempre negou as acusações e disse que o cliente é inocente.
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Na audiência em que teve concedida a liberdade provisória, o empresário declarou rendimento mensal de entre R$ 35 mil e R$ 40 mil.
Na decisão, a juíza responsável afirmou que a lei impõe três condições para a prisão cautelar (antes do trânsito em julgado de uma condenação): prova da materialidade (que o crime foi cometido); indícios suficientes de autoria; e um requisito ligado à tutela da ordem pública ou econômica ou à conveniência da instrução criminal ou à garantia da aplicação da lei penal.
A magistrada destacou que os dois primeiros pontos estavam “evidenciados” nas provas juntadas ao processo, mas ressaltou que o acusado era primário e que o encarceramento provisório não se mostrava “plausível”, apesar de descrever os crimes apurados como “de considerável gravidade e reprovabilidade”.
“De toda forma, trata-se de voto de confiança conferido pelo Poder Judiciário, esperando que, com a oportunidade conferida de responder ao processo em liberdade, sejam cumpridas as cautelares impostas, com a manutenção da vinculação ao processo (comparecimento e endereço atualizado) e a distanciamento de práticas ilícitas, havendo neste ato advertência expressa e enérgica sobre os efeitos negativos em caso de reiteração criminosa”, escreveu a magistrada, na ocasião.
‘Golpe do pix’
Segundo o Ministério Público de São Paulo, Spalone e seus cúmplices utilizaram uma credencial válida de uma empresa prestadora de serviços do Itaú para realizar 607 transferências via Pix, em curto espaço de tempo, a partir de dez contas bancárias. No mês seguinte à primeira prisão, o MP ofereceu denúncia contra o empresário e outros dois homens por furto e associação criminosa.
Spalone e a dupla são suspeitos de participar de um esquema que desviou R$ 146 milhões via pix. Segundo o MP, mediante fraude e abuso de credencial, o trio subtraiu o valor do banco Itaú, que conseguiu estornar pouco mais de R$ 107 milhões. Restou um prejuízo de quase R$ 40 milhões.
A acusação formal destaca que o golpe foi executado em fevereiro de 2025. Parte “significativa” dos valores, ainda de acordo com o MP, foi direcionada a empresas ligadas a um dos denunciados, que acessava diretamente as contas beneficiadas. Spalone, por sua vez, foi acusado de atuar como operador das transações ilícitas — ele atuava, inclusive, em conexões feitas durante viagens internacionais, segundo a denúncia.
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