Liz Macedo, Duda Guerra, Sophia Florence. Influenciadoras de 14 a 16 anos que compartilham nas redes sociais suas rotinas de cuidado com a pele, atraindo um grande público de adolescentes que, inspirados, também passam a investir no skincare. Assim, cria-se uma tendência de adolescentes e pré-adolescentes aficionados pela beleza, investindo em produtos e cuidados, muitas vezes, sem qualquer indicação médica.
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“Temos observado o modismo dentro do consumo mercadológico com crianças e adolescentes fazendo um consumo inadequado de produtos de skincare, muitas vezes influenciados por blogueiras e influenciadores, que divulgam produtos inadequados para a idade desses pacientes”, alerta a dermatologista Dra. Claudia Marçal, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia.
O fenômeno é tão grande que, inclusive, recebeu um nome: “cosmeticorexia”. “Embora não seja reconhecido oficialmente pela Medicina ou Psicologia, o termo cosmeticorexia, formado a partir da fusão entre as palavras ‘cosmético’ e ‘anorexia’, refere-se ao comportamento obsessivo-compulsivo de adquirir e utilizar produtos de beleza precocemente, o que pode trazer consequências para a pele”, explica a farmacêutica Patrícia França, gestora científica da Biotec Dermocosméticos.
E os perigos são inúmeros. “Os componentes ativos desses produtos são substâncias como retinoides, ácidos e antioxidantes em altas concentrações. Essas substâncias podem machucar, queimar, fotossensibilizar a pele, provocando manchas e dermatites. Esses pacientes também podem formar erupções acneiformes e alergias; há também um processo de mudança da microflora cutânea, com hipersensibilização, predispondo a problemas futuros”, alerta a Dra. Claudia.
Segundo Patrícia França, além dos riscos para a pele, há ainda outro problema: a dismorfofobia. “Trata-se de um transtorno mental que causa preocupação excessiva com a aparência física, por vezes fazendo o paciente acreditar que que tem ‘defeitos’ que não existem ou são sutis, o que leva a um grande sofrimento psicológico e até mesmo a quadros de ansiedade e depressão”, ressalta a farmacêutica.
Isso quer dizer que crianças não devem usar cosméticos? A Dra. Claudia explica que o uso de produtos skincare pode ser indicado, dependendo da idade, pelo pediatra ou por dermatologistas.
“Nós temos muitas variedades dentro das marcas industrializadas ou por personalização na farmácia de manipulação. Diferentemente do que as informações das redes sociais promulgam, o pilar para a pele de um adolescente é uma rotina de cuidados básicos. Isso inclui: um bom sabonete, de preferência neutro, que pode ser formulado para controle de oleosidade, sendo utilizado duas vezes ao dia, de manhã e à noite; uma solução de limpeza ou uma solução micelar para fazer a complementação dessa higiene; um hidratante seroso, aquoso, leve, rico em substâncias que segurem água na pele; e um fotoprotetor indicado principalmente à faixa etária da adolescência”, afirma a médica.
“E à noite, além de lavar e limpar, muitas vezes usar um hidratante para dormir, e se houver alguma formação de acne, o médico poderá indicar secativos localizados, que são à base de ácido salicílico, peróxido de benzoíla e adapaleno”, acrescenta a dermatologista.
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Mas a farmacêutica Patrícia ressalta que é importante que esses cosméticos não contenham substâncias com potencial alergênico, já que a barreira cutânea ainda é frágil, ou comedogênico, pois adolescentes tem maior propensão à formação de acne.
“O hidratante pode estar associado a baixas doses de Vitamina C e Ácido Hialurônico, como é o caso do Teen Radiance, hidratante específico para adolescentes formulado com Hyaxel, um ácido hialurônico vetorizado em silício que proporciona hidratação intensa, e Ascorbosilane C. Esse ingrediente O combina ácido ascórbico puro (Vitamina C) com silício, o que faz com que seja liberado de maneira controlada na pele, garantindo efeito protetor e antioxidante prolongado. Já o Hyaxel é”, detalha.
A proteção solar, indispensável na adolescência assim como em qualquer idade, também deve ser feita com produtos específicos para essa faixa etária, que, de preferência, combinem a fotoproteção com ativos que ofereçam ação antioxidante, como o Teen Photoprotect.
“O produto é formulado com FPS 50 e conta com Pro.Care AOX, que possui poderosa ação antioxidante e anti-inflamatória, oferecendo proteção avançada contra agressores ambientais, incluindo a radiação solar, reforçando as defesas naturais da pele e protegendo o DNA das células, além de tornar a pele mais radiante e luminosa”, enfatiza Patrícia, que, por fim, ressalta que, seguindo esses passos e com produtos adequados, crianças e adolescentes podem manter uma rotina saudável de autocuidado que contribui para a preservação da fisiologia da pele e integridade da barreira cutânea.

