O BNDES está preocupado com os efeitos de um ciclo prolongado de alta da taxa básica de juros, a Selic, sobre os financiamentos aos investimentos em infraestrutura, mas ainda há espaço para repetir, em 2025, um ritmo de aprovações de novas operações para o setor na casa de R$ 80 bilhões, segundo Luciana Costa, diretora de Infraestrutura e Mudança Climática do banco de fomento.
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A média de aprovações para a infraestrutura em 2023 e 2024, perto de R$ 80 bilhões, foi o dobro dos anos anteriores. A aceleração do ritmo, conforme Luciana, se deve tanto ao aumento da demanda — ou seja, ao crescimento dos investimentos em rodovias, linhas de transmissão, saneamento básico — quanto a uma atuação mais proativa do banco.
— Conseguimos, por enquanto, dobrar a aprovação. Obviamente, dependemos muito do ritmo dos leilões nos vários setores de infraestrutura. Setores que estão funcionando muito bem são saneamento e rodovias. Mobilidade urbana ainda não está onde precisaríamos, mas temos — afirmou Luciana.
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Em meio ao ciclo de alta nos juros, a proatividade do BNDES se traduz em medidas para aumentar a flexibilidade dos financiamentos. O objetivo é fazer ajustes nas condições financeiras, para tentar mitigar o impacto dos juros elevados no custo final das operações.
A flexibilidade se tornou importante também porque, desde 2018, com a mudança nos juros de referência dos financiamentos do BNDES, os financiamentos deixaram de ser subsidiados.
Sem os subsídios, o banco de fomento não tem como oferecer taxas substancialmente abaixo das de mercado, como no ciclo de expansão do crédito direcionado nos governos anteriores do PT.
— A estratégia é inovar na estruturação (dos financiamentos), porque é a forma que o BNDES tem de continuar relevante para o setor — disse Luciana.
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Segundo a diretora, o banco passou a utilizar “instrumentos mais líquidos”, como a aquisição de títulos de dívida — as debêntures de infraestrutura, incentivadas por isenção de Imposto de Renda — das empresas que apoia, inclusive com ofertas “em fases”. E reduziu a exigência de garantias. Também há uma tentativa de dar maior previsibilidade para os investidores.
— Para reduzir o custo do risco de dívida para o investidor, colocamos em lei que quando a empresa entra num leilão, pode escolher a TLP (a taxa de referência do BNDES) da data da licitação. Se, na data da contratação do financiamento, a TLP estiver menor, é possível optar pela taxa menor — disse Luciana.
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Apesar das medidas de alívio, a diretora do BNDES demonstrou preocupação com a duração do ciclo de aperto, iniciado pelo Banco Central (BC) em setembro do ano passado. Na semana passada, a taxa básica Selic foi elevada para 14,25% ao ano, o maior nível desde 2016.
— Se esse cenário permanecer por mais tempo, vai ter impacto grande nos leilões. Custo de capital é uma variável importante. Se continuar muito alto por muito tempo, alguns projetos vão deixar de ser bancáveis — afirmou Luciana.
A preocupação maior, porém, é de 2026 em diante.
— Este ano, vamos conseguir fazer os leilões que estamos estruturando em saneamento e rodovias. Daqui a pouco, as empresas estarão muito alavancadas e o custo de carregar dívidas estará mais alto — disse a diretora.
A duração do ciclo de alta dos juros importa porque as medidas de flexibilidade nos financiamentos são paliativas.
— Tem limite o que dá para fazer com inovação financeira. Todas as medidas reduzem custo de capital, mas temos que arrumar o caminho da estabilidade macro, para termos queda nas taxas de juros — completou Luciana.
