O interior de São Paulo vive dias de deserto. Nesta segunda-feira (8), cidades como São José do Rio Preto, Araçatuba, Franca e Barretos registraram índices de umidade relativa do ar próximos a 12% — patamar inferior ao do Saara, no norte da África, onde os níveis variam de 14% a 20%. Com temperaturas acima dos 35°C, o Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE) emitiu o segundo alerta via Cell Broadcast deste ano, direcionado a todos os celulares com tecnologia 4G ou 5G presentes nas áreas de risco.
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De acordo com o Mapa de Risco de Incêndio da Defesa Civil, os municípios atingidos encontram-se em nível de emergência para queimadas. A recomendação é evitar o uso de fogo para limpeza de terrenos, descartar corretamente bitucas de cigarro e não queimar lixo, já que qualquer faísca pode gerar grandes focos de incêndio.
A situação reflete a estiagem prolongada que atinge o estado. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), agosto terminou como o mês mais seco na capital paulista desde 2019, com menos da metade da média histórica de chuva. O fenômeno agrava os efeitos da baixa umidade e traz impactos diretos à saúde.
Moradores relataram nas redes sociais sintomas como garganta seca, tosse, olhos ardendo, cansaço e dores de cabeça. Para reduzir os riscos, autoridades de saúde reforçam medidas de prevenção: beber bastante água, hidratar pele, olhos e nariz, evitar atividades físicas nas horas mais quentes do dia e manter ambientes arejados. Crianças e idosos merecem atenção especial por estarem mais vulneráveis ao clima extremo.
Como mostrou o GLOBO, o cenário de estiagem que paira sobre o interior paulista é, na verdade, o resultado de uma herança climática desfavorável. Segundo Marcely Sondermann, meteorologista da Climatempo, a situação atual foi construída por uma sequência de eventos, incluindo a influência do fenômeno El Niño entre 2023 e 2024 e, principalmente, dois verões consecutivos com chuvas muito irregulares e abaixo da média.
Segundo a meteorologista, o prognóstico para os próximos meses exige cautela, mas aponta para uma melhora gradual. O mês de setembro ainda é considerado crítico, pois as chuvas que começam a retornar são esporádicas. A recuperação do déficit acumulado nos últimos anos será um processo de médio a longo prazo, que dependerá da confirmação das previsões para o próximo verão.