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setembro 29, 2026
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Investigação de celular roubado desarticula esquema de R$ 250 milhões do tráfico

Por · setembro 28, 2026
Esquema de distribuição de drogas de Boss e My Thor, chefes do CV, no eixo SP-Rio é alvo de operação


Um celular roubado durante um assalto em um sinal de trânsito de Fortaleza foi a peça que permitiu à Polícia Civil e ao Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) desvendar uma organização criminosa que, segundo as investigações, movimentou cerca de R$ 250 milhões com o tráfico internacional de drogas e a lavagem de dinheiro. A apuração revelou ainda a ligação de um policial civil com o grupo, após o número do agente ser encontrado salvo na agenda do traficante Laércio Isidoro do Nascimento Júnior, conhecido como Boss ou Gordão, segundo revelou reportagem do Fantástico, da TV Globo.
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De acordo com os investigadores, a quadrilha atuava como intermediária entre grandes fornecedores de drogas e chefes de facções criminosas, além de utilizar empresas para ocultar a origem de recursos ilícitos. Embora nenhuma droga tenha sido apreendida durante a operação, a Polícia Civil afirma que os integrantes mantinham uma sofisticada estrutura financeira para viabilizar o esquema.
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O erro que revelou a organização
Segundo a investigação, Boss mantinha dois aparelhos de telefone: um destinado exclusivamente às negociações do tráfico e outro para assuntos pessoais. A estratégia era separar sua identidade dos negócios criminosos.
A reviravolta ocorreu quando o celular usado nas transações foi roubado por um motociclista em Fortaleza. Na tentativa de recuperar o aparelho, Laércio passou a utilizar o telefone pessoal — o único que, segundo a polícia, possuía arquivos sincronizados na nuvem. Foi por esse número que ele continuou tratando de carregamentos de drogas e pediu auxílio a criminosos do Ceará, permitindo que os investigadores acessassem conversas e identificassem a rede.
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O promotor de Justiça Pablo Reis afirmou que Laércio exercia a função de matuto, termo usado no tráfico para designar o intermediário entre fornecedores e líderes de organizações criminosas.
“O Laércio é um matuto. O matuto faz a ligação de grandes fornecedores de drogas com líderes e chefes de facções criminosas”, afirmou o promotor.
Segundo o MPRJ, as agendas e conversas analisadas confirmaram que Laércio era identificado pelos traficantes como Boss, codinome que significa “chefe” em inglês.
Policial civil é investigado
Durante a análise dos contatos do traficante, a Polícia Civil encontrou o telefone de um policial civil salvo na agenda de Boss. As investigações apontam que os dois realizaram viagens incompatíveis com a renda declarada do agente.
O corregedor-geral da Polícia Civil, Alexandre Capote, disse que o policial foi intimado a prestar esclarecimentos, mas preferiu permanecer em silêncio.
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“Chamado para se explicar, esse policial se reservou o direito de permanecer em silêncio. Não conseguiu dar uma explicação razoável para esse tipo de viagem”, afirmou Capote.
Segundo o corregedor, uma das empresas ligadas ao policial desempenhava papel importante na ocultação de valores provenientes do tráfico.
“Conseguimos levantar que uma das empresas desse policial tinha um papel fundamental nessa dissimulação dos valores provenientes do tráfico de drogas”, disse.
Capote acrescentou que foi justamente a ligação entre o policial e Boss que permitiu aos investigadores chegar aos demais integrantes da organização criminosa.
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Fuzis e drones também eram enviados
A investigação continua em andamento. De acordo com a Polícia Civil, os agentes já identificaram que Laércio utilizava a mesma estrutura logística empregada no tráfico de drogas para enviar fuzis e drones a traficantes do Rio de Janeiro e de outros três estados.
Os investigadores ainda buscam localizar o celular roubado em Fortaleza, considerado uma das principais peças para aprofundar as apurações sobre o funcionamento da organização criminosa.
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