Um ipê-amarelo (Handroanthus albus) sobreviveu às chamas que destruíram parte do Parque Estadual da Serra da Concórdia, entre Valença e Barra do Piraí, no Sul Fluminense, no fim de semana. A árvore, que teve o tronco escurecido pelo fogo, mas manteve a copa florida, foi registrada em foto pelo professor Ricardo Antônio durante uma visita educacional à unidade administrada pelo Instituto Estadual do Ambiente (Inea).
- ‘Apaixonada por mim mesma’: Presa no Rio por associação ao tráfico, estudante de veterinária publicava vídeos dançando e em academias
- Jaé: após um mês de operação exclusiva do novo cartão, prefeitura evita falar em ‘caixa-preta’
As chamas consumiram cerca de sete hectares de Mata Atlântica. O fogo foi combatido por guarda-parques de diferentes unidades de conservação vinculadas ao Inea, que atuaram em conjunto para evitar que o incêndio se alastrasse. A suspeita é de que a origem tenha sido criminosa. O caso foi registrado na 91ª Delegacia de Polícia Civil de Valença, que abriu investigação para identificar os responsáveis.
Floração de ipês no Rio
Enquanto na Serra da Concórdia, em Valença, o ipê-amarelo resistiu ao fogo e se transformou em símbolo de resiliência, na capital a mesma espécie mostra sua força de outra maneira: embelezando a paisagem urbana. O amarelo intenso da espécie que floresce na Avenida Presidente Antônio Carlos, no Centro, tem quebrado a rotina monocromática da região de prédios empresariais.
A temporada de floração dos ipês, que vai até outubro, não se limita ao amarelo. As árvores, conhecidas por perderem todas as folhas no outono e inverno, exibem também flores brancas, violetas, roxas e rosas.
Segundo o biólogo Marcus Nadruz, do Jardim Botânico do Rio, os ipês podem viver até 100 anos, embora não cheguem à longevidade de árvores como o jequitibá, que alcança 800 anos. A madeira do ipê é considerada resistente, usada desde a marcenaria até em mastros de vôlei de praia. A reprodução se dá de forma natural, com o vento espalhando as sementes que encontram solo favorável para germinar.
O ciclo de cores também varia conforme os meses. As flores roxas e rosas costumam despontar entre julho e agosto, enquanto os ipês-amarelos e brancos florescem mais tarde, entre setembro e outubro.
Símbolo da natureza brasileira
O ipê-amarelo é considerado a flor símbolo do Brasil desde 1961, quando um decreto presidencial oficializou sua escolha. Conhecida pela resistência da madeira e pela beleza das flores, a espécie está profundamente ligada à identidade nacional. O nome “ipê” vem do tupi e significa “árvore cascuda”. A espécie é nativa da Mata Atlântica, mas também se espalha por outras regiões do país, sendo associada à vitalidade e à esperança.