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Ipsos: metade dos brasileiros se preocupa mais com o preço da energia do que com emissão de gases do efeito estufa

BRCOM by BRCOM
abril 23, 2026
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Ipsos: metade dos brasileiros se preocupa mais com o preço da energia do que com emissão de gases do efeito estufa


Quase metade da população brasileira (46%) apoia que o governo brasileiro priorize preços baixos da energia, mesmo que isso aumente as emissões de gases poluidores. O percentual é próximo à média global (50%). É o que mostra novo levantamento do instituto Ipsos divulgado ontem. A pesquisa “People and Climate Change” aponta também que o aumento do valor da tarifa é motivo de preocupação para 77% do país.
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—Isso ressalta a tensão entre a ambição climática e as realidades econômicas das famílias, dado o aumento dos custos de energia — afirma Priscilla Branco, diretora de Opinião Pública da Ipsos no Brasil.
Há, por outro lado, a percepção de que o governo brasileiro poderia ter uma atuação melhor na luta contra as mudanças climáticas. Sete em cada dez pessoas (71%) avaliam que o Brasil deveria fazer mais neste campo, percentagem que supera a média global (59%).
Dilema global
Editoria de Arte
A geração nascida entre 1946 e 1964 é a que mais chancela essa impressão (77%), enquanto aqueles nascidos entre 1997 e 2012 têm o menor percentual de concordância (67%). As mulheres brasileiras também esperam mais do Brasil em relação ao tema: 75%, contra 66% dos homens.
Ação individual
O relatório aponta ainda que, embora três dos últimos quatro anos tenham sido os mais quentes registrados no mundo, o desejo individual de agir urgentemente em relação às mudanças climáticas diminuiu nos 26 países estudados desde 2021.
O Brasil, no entanto, foi o que apresentou a menor queda entre as 31 nações mensuradas em 2026. Foram 7 pontos percentuais a menos em um ano, chegando a 70%. A média global é de 61%.
Os pesquisadores avaliam que a mudança não reflete apatia da população com relação ao tema, mas sim, uma transferência de responsabilidade.
— Os cidadãos estão, cada vez mais, buscando a liderança dos governos e das empresas, por entenderem que o peso da ação não pode recair apenas sobre os indivíduos. Nesse sentido, os dados nos mostram não uma história de indiferença, mas de exaustão e mudança de expectativas — aponta Branco.
O relatório chegou à conclusão de que há uma divisão de atitude entre os países de acordo com a situação econômica. Em nações de renda média, 71% acham que mais ações precisam ser tomadas. Já em países de alta renda, apenas 53% compartilham dessa opinião, apesar de os mais ricos, historicamente, demonstrarem maior responsabilidade pelas causas das mudanças climáticas.
Os dados globais ressaltam o temor com as consequências das mudanças climáticas. A maioria dos entrevistados expressa preocupação com ondas de calor (63%), tempestades devastadoras (63%), secas (60%) e poluição do ar (59%) que podem ocorrer em suas regiões no próximo ano.
Liderança questionada
A pesquisa identificou também uma percepção de falta de liderança por parte dos governos em todo o mundo com relação ao problema. Poucos acreditam que suas nações sejam uma liderança mundial no combate às mudanças climáticas: em 31 nações, 27% concordam que seu país se coloca como um líder mundial no tema, enquanto 34% discordam.
No Brasil, que sediou em novembro a COP30, conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas, 34% concordam com a afirmação e 31% discordam.
A transição energética foi um dos temas abordados na conferência. O Planalto determinou, em dezembro, a elaboração de um plano brasileiro, com um “mapa do caminho”, para a redução do uso de combustíveis fósseis. Impasses na gestão petista, entretanto, vêm travando a elaboração do documento.
Já o presidente da COP30, que mantém o mandato até a COP31, André Corrêa do Lago tenta viabilizar um mapa do caminho global. A iniciativa não encontrou consenso na conferência, sobretudo por conta da resistência de países produtores de petróleo. A proposta visa auxiliar o cumprimento de metas da ONU para reduzir a alta da temperatura no planeta.
A pesquisa foi realizada em 31 países entre os dias 23 de janeiro e 6 de fevereiro deste ano. A lpsos entrevistou um total de 23.704 adultos. No Brasil, a amostra consiste em aproximadamente mil indivíduos. Os dados são ponderados para que a composição da amostra de cada país reflita melhor o perfil demográfico da população adulta, de acordo com os dados do Censo mais recente.

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