O Irã apresentou aos Estados Unidos uma proposta para reabrir o Estreito de Ormuz em um prazo de sete dias e, em seguida, retomar negociações abrangentes sobre seu programa nuclear, afirmou o ministro das Relações Exteriores iraniano na quinta-feira. O plano prevê, entre outras condições, a suspensão do bloqueio naval americano aos portos iranianos, o alívio das sanções sobre as vendas de petróleo do país e um cessar-fogo que inclua o Líbano.
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Abbas Araghchi, o ministro iraniano, detalhou a proposta à margem da Assembleia Geral da ONU, em Nova York. Segundo ele, o plano foi transmitido aos EUA por meio de mediadores, e Teerã está pronto para começar a colocá-lo em prática assim que Washington concordar com seus termos. O chanceler disse ainda que “seria melhor” se um acordo fosse alcançado antes das eleições de meio de mandato dos EUA.
— Apresentamos aos EUA, por meio dos mediadores, um plano segundo o qual, se determinadas condições forem cumpridas, o Estreito de Ormuz seria aberto ao fim do sétimo dia e as negociações seriam retomadas.
Pelas condições apresentadas por Teerã, todas as hostilidades no Oriente Médio seriam interrompidas durante os sete dias, inclusive no Líbano; os EUA liberariam ativos iranianos congelados, estimados em pelo menos US$ 12 bilhões; concederiam isenções às sanções sobre as vendas de petróleo do Irã; e encerrariam o bloqueio naval contra o país. No sétimo e último dia, Teerã reabriria o Estreito de Ormuz.
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Após a reabertura, segundo Araghchi, começariam imediatamente negociações sobre o programa nuclear iraniano. O presidente Donald Trump tem afirmado que seu principal objetivo é impedir que o Irã obtenha uma arma nuclear e que pretende alcançá-lo por meio de um acordo diplomático ou de novos ataques. Na ONU, Trump ameaçou o país com a “aniquilação” caso o país não chegasse a um acordo.
Arábia Saudita ‘cética’
À AFP, o porta-voz da Guarda Revolucionária, Hossein Mohebi, disse que o fim das hostilidades no Iêmen também estava entre as exigências do Irã. Não está claro, porém, se o conflito entre os rebeldes houthis, apoiados por Teerã, e a Arábia Saudita faz parte da proposta apresentada. Até agora, nenhum comunicado oficial esclareceu a posição.
Antes, a Arábia Saudita e outros países do Golfo haviam defendido a retomada das negociações e indicavam que poderiam aceitar um acordo que concedesse ao Irã um papel temporário na gestão de Ormuz. A posição saudita mudou, porém, depois que os houthis tomaram de forças pró-governo a estratégica costa iemenita do Mar Vermelho e um importante oleoduto saudita foi atacado. Agora, segundo a Associated Press, Riade está cética sobre o acordo.
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No início deste mês, líderes do Golfo planejavam se reunir em Omã para discutir um acordo em elaboração entre Omã e Irã sobre o Estreito de Ormuz, que separa os dois países. A reunião, no entanto, acabou cancelada depois que a Arábia Saudita pediu alterações no texto, apenas algumas delas aceitas por Teerã, segundo uma fonte ouvida pela AP.
Instrumento de pressão
A interrupção do tráfego no Estreito de Ormuz tornou-se um dos principais instrumentos de pressão de Teerã durante a guerra. Antes do conflito, cerca de um quinto do petróleo e do gás comercializados mundialmente passava pela rota marítima. O Irã exige atualmente que embarcações obtenham sua autorização para atravessar o estreito, sob a justificativa de razões de segurança e soberania, e navios que não cumprem a exigência têm sido atacados.
A proposta apresentada nesta semana se assemelha ao memorando de entendimento firmado em junho entre Trump e o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian. O acordo pretendia pôr fim à guerra, reabrir o Estreito de Ormuz e abrir posteriormente negociações sobre o programa nuclear iraniano, mas rapidamente fracassou depois de interpretações divergentes sobre seus termos e da retomada das hostilidades.
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Autoridades iranianas afirmaram que o novo plano é, na prática, semelhante ao entendimento de junho, mas foi elaborado para avançar em ritmo muito mais rápido. O acordo anterior previa um período de 60 dias até as negociações nucleares, enquanto a nova proposta comprime as primeiras etapas em sete dias.
Discussões positivas
Uma autoridade americana a par das conversas afirmou que o governo Trump mantém discussões positivas e construtivas com o Irã por meio de mediadores, mas ressaltou que Washington não pretende se precipitar para fechar um acordo. Trump também afirmou que não tem pressa para chegar a um entendimento, apesar do impacto dos preços elevados. Araghchi afirmou ainda que aguarda uma resposta e que a China, cujo presidente está em visita oficial aos EUA, apoia a proposta iraniana.
O ministro iraniano reuniu-se na terça-feira com o enviado americano Steve Witkoff e Jared Kushner, genro de Trump. Representantes do Catar mediaram o encontro, definido pelo chanceler como “produtivo”. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Ismaeil Baghaei, disse que novas reuniões mediadas podem ocorrer.
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A guerra dos EUA contra o Irã se estende há quase sete meses. O conflito começou no fim de fevereiro, quando Estados Unidos e Israel lançaram ataques aéreos que mataram o então líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei, e integrantes da cadeia de comando militar. Trump afirmou inicialmente que a guerra duraria apenas algumas semanas. Desde então, o conflito provocou repercussões globais nos preços do petróleo.
Trita Parsi, vice-presidente executivo do Quincy Institute, afirmou que Araghchi sugeriu que um acordo rápido poderia beneficiar Trump antes das eleições de meio de mandato e, ao mesmo tempo, aliviar a pressão econômica sobre o Irã. Segundo Parsi, porém, permanece uma “profunda desconfiança”, inclusive sobre a possibilidade de Teerã estar tentando ganhar tempo para reduzir suas dificuldades econômicas.
— Esta é uma jogada inteligente — disse Ali Vaez, diretor para o Irã do International Crisis Group. — Eles sabem que é muito tentador para Trump porque encerra uma guerra impopular e reduz os preços da energia na reta final para as eleições de meio de mandato. Mas também restabelece um acordo que era, em grande medida, favorável aos iranianos. Um cronograma mais curto para chegar à questão nuclear deve ser atraente para um presidente impaciente.
(Com AFP e New York Times)
Irã propõe acordo para reabrir Estreito de Ormuz em sete dias se EUA aceitarem condições
