A atriz e roteirista Suzana Pires comprou os direitos do livro “Tieta”, de Jorge Amado, e vai protagonizar e roteirizar uma nova adaptação cinematográfica da obra. Em entrevista ao site, ela fala da sua relação com o autor:
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— Sempre fui fascinada pelo universo e pela obra de Jorge Amado. Tive a sorte de, aos 17 anos, fazer uma novela baseada em um livro dele, que foi “Tocaia Grande”, na Manchete (veja foto abaixo). Depois, em 2012, voltei a fazer um personagem dele em “Gabriela”. Acho que é o maior autor que temos, principalmente para o universo feminino. Ele mostra bem o que a estrutura em que vivemos faz com as mulheres e o que elas têm que fazer de volta para terem um lugar de existência.
Ela conta que a adaptação será focada em conhecer mais profundamente as personagens Tieta e Perpétua.
— O filme é focado nas emoções dessas mulheres, em quem são elas sem a caricatura. Estou em cima do roteiro há três anos. O livro tem muitos personagens. Foi um trabalho de um ano e meio para entender quais personagens eu iria fundir, qual história iria contar — explica ela, que ainda não escolheu a atriz para o papel de Perpétua.
A atriz diz não se intimidar com as comparações com Betty Faria e Sônia Braga, que já viveram Tieta:
— Betty Faria e Sônia Braga são duas deusas da minha vida, referências. Só o fato de eu pensar que vou fazer o mesmo personagem que elas fizeram já é incrível. Eu tenho uma relação de inspiração, e não de competição com elas.
Suzana foi morar nos Estados Unidos há quatro anos para trabalhar como roteirista. Ela afirma que pretende conciliar o trabalho por trás das câmeras com a carreira de atriz:
— Quando eu vim para cá, eu achei que fosse ficar seis meses e voltar para o Brasil, mas o mercado foi me absorvendo. É muito gratificante vir para cá como roteirista, conseguir espaço para abrir a minha empresa, a Spiritus, uma boutique de conteúdo. Estou sendo uma ponte, uma conectora de talentos brasileiros com estúdios daqui.
Circulando no meio artístico em Hollywood, ela conta que já fez amigos famosos:
— Isso foi ficando natural. A Sharon Stone escreveu o prefácio do meu livro. Ela é uma pessoa incrível, que me deu muita força. Conheço bastante gente do backstage também, vários roteiristas. No fim das contas é todo mundo gente. Você vai desmistificando porque todo mundo mora aqui. É como o Rio de Janeiro, onde é normal ver o Chico Buarque caminhando na orla. Aqui é igual, mas ao invés do Chico Buarque vai ser o Keanu Reeves. São atores, pessoas sensíveis. Regina King é uma mulher incrível, é a mais próxima de mim.
Suzana detalha a rotina no país.
— Aqui é menos colonial. Se você quiser ter uma cozinheira, você vai pagar caro, é o correto. Você começa a medir isso. Você fala: “Então é melhor eu fazer o meu próprio almoço”. Eu não sei cozinhar direito, mas agora consegui me encontrar. Estou começando a aprender a fazer um refogado, um negócio, compro muita coisa pronta de boa qualidade. Vou me organizando. Eu tenho uma faxineira, a Eli, que é minha amiga maravilhosa. Ela é uma mexicana que, além de faxineira, é hand woman. Faz tudo: conserta, pendura coisas. Vem uma vez por mês, e eu dou uma manutenção. E vou te falar a verdade: não cai o dedo. Estou gostando de, depois de já ter uma vida superestabilizada no Brasil, cheia de gente para me servir, viver uma realidade em que eu preciso aprender a fazer as coisas, o que é normal. Tem sido bem interessante — diz ela, que mantém uma casa no Brasil, para onde viaja duas vezes ao ano.
Ela está namorando há um ano um professor de bioquímica americano chamado Robert:
— Eu tenho um tipo de fama no Brasil que não é de histeria, é a fama de as pessoas falarem comigo. É como se eu tivesse um monte de amigo na rua. É uma coisa gostosa, nunca tive problema com isso. Mas na hora de conhecer alguém, de namorar, tem sempre uma barreira. Quando eu vim para cá, eu entrei em todos os aplicativos de namoro e coloquei meu outro sobrenome, Suzana Carvalho. Não contei para ninguém que era atriz. Fui conhecendo pessoas e fui sentindo que tem uma outra chegada quando a pessoa não sabe que você trabalha nesse meio. Eu tive uns três namoros que foram mais rápidos, e ano passado eu conheci o Robert. Eu acho que agora posso dizer que estou conhecendo o que é o amor. Aos 50 anos (ela tem 49).
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Suzana fala da importância de se respeitar e esperar pela pessoa certa:
— Eu não tolerei na minha vida um homem que seja me tratando mal. Já fui traída, já fui isso, aquilo, mas eu saí fora. No primeiro sinal tem que sair fora. E eu paguei um preço emocional com isso. Eu sofri muito. Eu fiquei muito só. Depois eu fui entendendo que essa solidão foi a melhor declaração de amor para mim. Eu já vim com esse chip de que o meu feminino não iria precisar casar ou ter filho para ser feminino, mas no fundo você quer esclarecer para a sociedade, quer mostrar que você tem alguém, você quer se encaixar de alguma forma. O que eu posso dizer é que eu esperei até chegar uma pessoa que realmente gosta de mim do jeito que eu sou. É um cara que não está preocupado em me controlar, isso não faz parte dele, por isso está dando certo. Estou feliz com ele. É uma felicidade calma, de me sentir vista, respeitada e valorizada.
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