Projeto iniciado em 2019 e interrompido pela pandemia, o Teatro Opus Cittá, nova casa de espetáculos da Barra, abre as portas na próxima sexta-feira, no Città Office Mall, com previsão de oferecer atrações que vão de peças teatrais a apresentações musicais. Até o fim do ano, o funcionamento será em esquema de soft opening, tendo shows de humor como carro-chefe.
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Há três opções de configurações de público: mesas e cadeiras, plateia com poltronas de teatro ou pista, tudo para comportar atrações nacionais e internacionais.
— Seremos um teatro modular, cujo mapa de plateia varia conforme o tipo de espetáculo. Se tivermos um show internacional dançante, mais rock, temos o formato pista. Se for uma MPB intimista, mesas e cadeiras. Para um stand up comedy ou uma peça teatral, plateia. Isso nos dá a possibilidade de receber qualquer tipo de espetáculo — explica Graziele Saraiva, gerente-geral do Teatro Opus Città.
No formato pista, em que as poltronas do primeiro andar são retiradas, mas as do segundo e terceiro se mantêm, a capacidade da casa será de aproximadamente três mil pessoas. Já as configurações de plateia e de mesas terão capacidade para 1.600 e 1.300 pessoas, respectivamente. A administração planeja ainda receber eventos, aproveitando a área externa.
Na noite de inauguração, a atração será o espetáculo de humor “Tons de comédia”. No palco, o brasileiro Murilo Couto se apresenta ao lado do português Hugo Sousa e do angolano Gilmário Vemba. Pensado como um intercâmbio cultural entre países lusófonos, o trio já fez turnê passando por França, Portugal, Irlanda, Angola e Moçambique, e chegou agora ao Brasil.
— Eu nunca inaugurei nenhum teatro ou espaço. É uma pressão e uma moral, né? Ainda mais um bonitão assim. É uma honra estarmos lá com este show especial — celebra Murilo Couto, que voltou para a TV Globo este ano, no elenco do “Domingão com Huck”, depois de dez anos no SBT. — Portugal consome muitos artistas brasileiros; quando nossos comediantes vão para lá, metade da plateia é portuguesa. O mesmo acontece em Luanda, Moçambique e Cabo Verde. Já o contrário não acontece muito. Aqui no Brasil, somos mais fechados. Quando vi esses caras, fiquei impressionado, percebi que estava vacilando no meu mundinho. Quem não os conhece pode assistir com a certeza de que são alto nível.
Os companheiros estrangeiros de Couto neste espetáculo precedem outras atrações internacionais que já estão confirmadas na nova casa. No próximo dia 15 será a vez do comediante americano Morgan Jay. Sua conterrânea Kim Walker-Smith, cantora cristã, se apresenta no dia 7 de outubro. Já no dia 7 de fevereiro, canta o mexicano Christian Chávez, que fez sucesso na novela juvenil “Rebelde”.
Outros dois grandes nomes do stand up comedy se apresentarão no espaço em breve: Bruna Louise (16 e 17 de agosto) e Thiago Ventura (31 de agosto).
Até o fim do ano, a Opus, administradora do novo teatro e de outros oito pelo país, vai testar a operação e avaliar decisões tomadas a cada espetáculo. Por enquanto, ainda não há previsão de temporadas de peças teatrais: serão apenas apresentações únicas ou poucas sessões.
— O soft opening é um período de adaptação, formatação e organização. Isso em todos os setores que abrangem uma casa de espetáculo e um teatro. Desde formação da equipe, treinamento, pontos de vista técnicos, entendimento do funcionamento da casa a questões de acústica, luz e vídeos, entre outros — explica Graziele. — Optamos por começar com stand up comedies porque são espetáculos mais simples de serem montados, do ponto de vista técnico. Geralmente não têm grandes cenários. E é um tipo de produto cultural que arrasta multidões. O stand up no Brasil vive um momento muito especial, com teatros de Norte a Sul sempre cheios.
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O gênero, em que um ator apresenta textos de humor em tom de conversa no palco, muitas vezes inspirados em acontecimentos de sua própria vida, ganhou público por aqui na última década, impulsionado pela divulgação de seus números no YouTube e nas redes sociais. Thiago, com 10,1 milhões de seguidores no Instagram; e Bruna, com 6,3 milhões, têm hoje status de grandes estrelas. Já na plataforma de vídeos, são 6,35 milhões de inscritos no canal dele e 3,1 milhões no dela.
Originalmente, este tipo de espetáculo era apresentado em clubes de comédia, onde há um público bem menor e serviço de bar durante as apresentações. Em espaços maiores, como o novo teatro, o artista fica ainda mais confortável para mostrar o seu talento.
— O stand up era algo de clubes ou teatro de médio porte. Nos últimos anos, tomou essa proporção. Estamos em teatros que eram reservados para grandes musicais, por exemplo. Agora qualquer vagabundo xingando ganha esse palco (risos). Não sei para o dono do teatro, mas a gente se sente por cima — avalia Couto. — Com a plateia sentada numa boa cadeira e uma boa acústica, o comediante consegue ter outro tipo de controle. Temos o silêncio e a atenção total do público para fazer piadas mais sutis e trabalhar outras áreas. No bar de comédia, tem garçom passando e luz ligada. No caso de grandes arenas, onde alguns comediantes já se apresentam, também há uma briga pela atenção.
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Seja para os comediantes em questão ou para outros espetáculos, Graziele aponta ainda outros diferenciais da nova casa. Entre eles, um foyer em cada andar com paredes de vidro e vista para a Pedra da Gávea, o que deixa o local “instagramável”, segundo ela. A localização é outro ponto a favor:
— Estamos bem no início da Barra, perto do metrô e com uma estação do BRT logo na frente. É uma facilidade, já que sabemos que transporte público é uma dificuldade para quem consome shows e tem o hábito de ir à Barra. O estacionamento do Città também será uma vantagem, já que o movimento dos escritórios acontece durante o dia. No período noturno, quase todas as milhares de vagas estão disponíveis.