Uma jovem de 21 anos morreu 14 horas após procurar atendimento no Hospital Waterbury, em Connecticut, nos Estados Unidos, por causa de uma fratura no tornozelo. Dale Alice Martin teve uma parada cardíaca depois de receber medicamentos para dor, segundo um processo movido por seu pai, Lindsay Martin, que acusa a instituição de negligência médica. As informações foram divulgadas pelo jornal Hartford Courant, neste fim de semana.
De acordo com a ação, apresentada pelo advogado Christopher Mattei, a quantidade de analgésicos administrada teria comprometido a respiração da paciente, que também estava sedada. O documento afirma que ninguém verificou seu estado durante o período e que uma enfermeira só foi ao quarto às 7h de 10 de abril, quando Dale já havia sofrido uma parada cardíaca. Ela teve morte cerebral e permaneceu ligada a aparelhos por três dias, até que o suporte respiratório foi desligado, em 13 de abril.
Investigação aponta problemas na gestão do hospital
Na época, o Hospital Waterbury pertencia à Prospect Medical Holdings, empresa que entrou com pedido de falência três meses antes da morte da jovem. A companhia é acusada de reduzir equipes, investimentos em treinamento e recursos para equipamentos, comprometendo a qualidade do atendimento. A instituição pertence atualmente à UConn Health.
— O que esperamos descobrir é que este era um hospital que funcionava praticamente no limite, como resultado da desestruturação da infraestrutura interna promovida pela Prospect — afirmou Mattei ao Hartford Courant, ressaltando que a investigação deverá esclarecer se a gestão contribuiu para as circunstâncias da morte.
O caso também reacende o debate sobre a administração de hospitais por empresas de capital privado. Um estudo publicado na revista Annals of Internal Medicine identificou um aumento de 13% nas mortes de pacientes em prontos-socorros de instituições pertencentes a fundos de investimento privado. Já um relatório divulgado pelo senador americano Chris Murphy apontou que a Prospect adotou uma estratégia de venda de ativos acompanhada de cortes expressivos de pessoal.
Estudante de graduação da Trinity University, no Texas, Dale também dava aulas de música voluntariamente para crianças carentes. Em entrevista ao Hartford Courant, seu pai relatou a dificuldade da família para compreender o ocorrido.
— Durante três dias, ficamos de vigília em seu quarto de hospital, ouvindo os bipes dos monitores e vendo as máquinas manterem seus pulmões e coração funcionando, aguardando o término das 72 horas — disse Lindsay Martin.
Jovem de 21 anos morre após fraturar tornozelo; pai processa hospital por negligência nos EUA
