
A Marchesi Antinori, maior vinícola familiar da Itália foi alvo de um roubo milionário. Ladrões roubaram 30 mil garrafas de vinho, avaliadas em cerca de € 5 milhões (US$ 5,6 milhões ou R$ 28 milhões), de seu centro de armazenamento na Toscana. A empresa acredita que o caso seja um dos maiores roubos de vinho da história recente, segundo o jornal britânico Financial Times.
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O episódio se junta a uma série de roubos de vinhos na Itália. Em comum, os crimes têm a escolha criteriosa das garrafas, que sugere conhecimento especializado sobre vinhos e informações privilegiadas sobre os alvos.
Com sede em Florença e uma história que remonta a 1385, a Antinori disse ao Financial Times que o grupo criminoso atacou, no último fim de semana, seu armazém em Cortona, na Toscana. O roubo ocorreu justamente quando a vinícola se preparava para despachar ao exterior uma grande remessa de alguns de seus rótulos mais valiosos.
De acordo com o FT, na noite de sábado, sete homens mascarados desativaram o sistema de alarme e fugiram com a carga em dois caminhões de grande porte. Entre os vinhos levados estavam milhares de caixas de Tignanello, Solaia e Guado al Tasso, três dos mais famosos tintos toscanos da vinícola. Cada garrafa costuma ser vendida no varejo por valores entre € 150 (R$ 842) e € 500 (R$ 2.809).
O furto só foi descoberto na manhã de segunda-feira, quando os funcionários chegaram ao local e perceberam que as garrafas haviam desaparecido. A vinícola dispõe de um amplo registro de imagens das câmeras de segurança que flagraram a ação. A polícia investiga o caso, mas ainda não efetuou nenhuma prisão até o momento.
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Renzo Cotarella, diretor-executivo da Antinori, afirmou ao jornal que a empresa — que registrou receita de cerca de € 263 milhões no ano passado e exporta para 170 países — decidiu alertar o mercado na esperança de que apreciadores de vinho na Itália possam ajudar a localizar as garrafas roubadas.
“Ainda esperamos conseguir recuperar os vinhos… Dois caminhões não podem simplesmente desaparecer. Esses vinhos têm um valor elevado, e não sei como poderiam vender tudo isso ao redor do mundo sem serem vistos”— disse Cotarella na entrevista ao Financial Times.
Garrafa de Guado al Tasso, um dos mais famosos tintos toscanos da vinícola Marchesi Antinori
Reprodução/Instagram
Segundo Cotarella, a vinícola Antinori também pretende “proteger o mercado”, alertando potenciais compradores de que garrafas oferecidas por fontes incomuns e a preços tentadores podem ser produtos roubados.
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O FT lembra que furtos de vinho não são incomuns na Itália. Tradicionalmente, no entanto, os criminosos costumam mirar restaurantes estrelados pelo Guia Michelin, que mantêm adegas abastecidas, levando poucas garrafas de altíssimo valor, que podem custar dezenas de milhares de euros cada. Também há casos de garrafas furtadas de caminhões durante o transporte.
Neste verão europeu, por exemplo, dois homens vestidos como trabalhadores, com capacetes e coletes de alta visibilidade, conseguiram abrir passagens no vidro blindado do famoso restaurante Affinatore, em Milão, e roubar várias garrafas do cobiçado Romanée-Conti, avaliadas em € 280 mil (cerca de US$ 313,5 mil e R$ 1,6 milhão) no total.
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A histórica Banfi di Montalcino informou neste verão no Europa o roubo de três mil garrafas de seus melhores vinhos da linha Alta Langa. O crime ocorreu em seu armazém no Piemonte. Segundo a vinícola, os ladrões “selecionaram cuidadosamente as garrafas”, demonstrando, pela escolha dos rótulos, que “sabiam exatamente o que estavam fazendo”.
Em setembro, acrescenta o FT, quatro criminosos roubaram três mil garrafas de populares vinhos Barolo da vinícola Conterno Fantino, também no Piemonte. A ação durou pouco menos de três horas e e eles usaram uma empilhadeira disponível no armazém.