Entender a posição de quarterback é um importante primeiro passo para quem quer começar a acompanhar a NFL e o futebol americano. Mais do que passar a bola oval ou mesmo colocá-la embaixo do braço e resolver com as próprias pernas, este jogador é responsável por controlar o ritmo de jogo e ser o principal líder dos demais companheiros. E, na tarde de amanhã, o Maracanã terá um confronto entre dois dos melhores da atualidade, mas que ainda têm coisas a provar na carreira: Dak Prescott e Lamar Jackson.
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O primeiro comanda o Dallas Cowboys, que “recebe” o Baltimore Ravens, do segundo, a partir das 17h25 deste domingo, no primeiro jogo da liga de futebol americano no Rio de Janeiro. Em condições normais de temperatura e pressão, tendem a liderar suas equipes para uma partida animada no Brasil. Ambas iniciaram a temporada com uma vitória e uma derrota, e querem voltar aos Estados Unidos com campanha positiva.
Melhor versão
No entanto, fato é que Lamar será a principal estrela no gramado do Maracanã. Dono de dois prêmios de jogador mais valioso de uma temporada — MVP —, tendo sido apenas o quarto quarterback negro a alcançá-lo, o atleta de 29 anos integra o seleto grupo de três ou quatro nomes considerados de elite na posição na atualidade, fazendo os Ravens quase sempre figurarem entre os candidatos ao título — não são campeões desde a temporada de 2012.
Acima de tudo, o camisa 8 ajuda a revolucionar a posição desde que chegou à liga em 2018, apontando recorrentemente como já sendo o maior de todos os tempos na característica de double-threat — ameaça dupla, em inglês. Ou seja, o quarterback que passa e corre com qualidade similar. Isso representa ameaça constante para defesas, que costumam ter dificuldade para prever seus movimentos.
Lamar já se tornou o quarterback com mais jardas corridas na história — 6.596. Por outro lado, nunca conseguiu levar os Ravens a dar os passos finais. Sem sequer ter disputado um Super Bowl, a grande decisão da NFL, ele costuma ser criticado com razão por não brilhar nos momentos-chave dos play-offs da temporada.
Lamar Jackson em treino do Baltimore Ravens no Rio de Janeiro
Alexandre Cassiano
Nada que abale o carisma de um atleta que atrai muitos fãs, inclusive no Brasil, e admite sentir a necessidade de mostrar sua versão mais madura, especialmente em um ano no qual os Ravens viram o treinador John Harbaugh sair após 18 anos, e dar lugar a Jesse Minter.
— Acredito que preciso ser a melhor versão de mim mesmo, com certeza. Há muitos jovens no elenco, assim como jogadores vindos de outros times, tentando entender como as coisas funcionam por aqui. Mesmo que tenhamos um novo técnico, eles ainda vão olhar para mim, porque sou o quarterback da franquia — respondeu em coletiva concedida ontem após o treino do time, no CT do Botafogo.
Missão ingrata
Do outro lado, Dak Prescott ocupa o cargo apontado por muitos como o “mais ingrato do esporte dos EUA”: ser o quarterback do Dallas Cowboys. A equipe esportiva mais valiosa do planeta e a que tem mais torcedores no país — por isso, apelidado de “America’s Team” — também vive às voltas com o jejum de títulos que já completou três décadas — o último dos cinco foi conquistado em 1995.
Não que o camisa 4 não conheça muito bem o lugar onde pisa. Afinal, é o titular da equipe desde que chegou à liga, em 2016, e o quarterback mais longevo dos Cowboys em todo este período de seca. No último domingo, quando a equipe bateu o Washington Commanders, tornou-se o recordista de touchdowns passados (249) na história da franquia.
Dak Prescott, quarterback do Dallas Cowboys
Stacy Revere / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / Getty Images via AFP
O papel de líder foi realçado quando venceu o prêmio Walter Payton Man of Year em 2022. A honraria que carrega em forma de patch no uniforme desde então é concedida anualmente ao jogador da liga que mais mostra compromisso com a comunidade ao seu redor. Para Dak, estar no Brasil também diz respeito a impactar mais pessoas.
— Vou lembrar das pessoas com quem eu tiver contato, por mais que seja uma viagem a negócios e na qual não vamos poder ver muitas coisas. Mas vou aproveitar o tempo extra com os companheiros. Boas memórias e grandes conexões sempre são feitas. Tenho a esperança de inspirar alguém, ou simplesmente ser legal com alguém, seja no hotel, na rua ou no jogo. Precisar dar tudo de mim lá — declarou também ontem, após o treino no CT do Flamengo.
Mas tal qual Lamar, Prescott sempre deixou a desejar nos momentos decisivos. Mesmo à frente de elencos considerados muito completos ao longo de suas temporada na liga, sequer disputou uma final de conferência, o estágio anterior ao Super Bowl. Aos 33 anos, ainda é considerado um jogador de muita energia e que contagia os seus arredores, mas que não provou a veia vencedora. Bem ou mal, é a cara das gerações mais recentes dos Cowboys.
Estes são os potenciais protagonistas da partida de amanhã. As duas equipes desembarcaram no Rio na manhã de ontem e realizaram durante a tarde os únicos treinamentos que farão na cidade. Neste sábado, eles devem fazer o reconhecimento do gramado do Maracanã, que já recebeu todas as demarcações e está pronto para o “NFL Rio Game”.
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