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livro mostra como as plataformas lucram com a atenção dos usuários

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agosto 31, 2025
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O best-seller Capitalismo da Atenção chega ao Brasil: livre ficou cinco semanas seguidas na lista dos mais vendidos do New York Times — Foto: Divulgação

Se a atenção se tornou, como crava o jornalista Chris Hayes no subtítulo de seu novo livro, o recurso mais escasso do mundo, uma exceção paradoxal é a prontidão com que “Capitalismo da atenção” foi recebido nos EUA. Agora nas livrarias brasileiras, o primeiro tomo do selo Livros de Valor, da Editora Globo, gerou seguidas menções de seus colegas de labuta e de celebridades, entre elas o ex-presidente americano Barack Obama, e atraiu muitos leitores, fato atestado pelas cinco semanas seguidas na lista dos mais vendidos do New York Times.

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Obama não só incluiu, na última quarta-feira, “Capitalismo da atenção” em sua aguardada e já tradicional lista de títulos recomendados para se ler no verão do Hemisfério Norte, como escreveu: “Chris fez um guia útil sobre como as redes sociais e a economia da atenção distorceram nossa democracia e remodelaram nossas vidas”.

No dicionário do autor, capitalismo da atenção é a captura, sem permissão explícita, de um de nossos mais preciosos bens, o interesse, para monetizá-lo.

O best-seller Capitalismo da Atenção chega ao Brasil: livre ficou cinco semanas seguidas na lista dos mais vendidos do New York Times — Foto: Divulgação

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Hayes é âncora da rede de TV a cabo MSNBC, parte do conglomerado NBCUniversal/Comcast, e veterano repórter da também esquerdista, pela régua americana, revista The Nation. Ele ainda arrumou tempo para engendrar, em pouco mais de 200 páginas, crítica feroz às corporações, notadamente as big techs, ou, como prefere, “empresas de atenção”, que, não se distraia, lucram, e em escala jamais vista, com a sua capacidade, ou falta, de concentração. Pense em Apple, Amazon, Meta e afins.

Impressiona sua capacidade de explicar conceitos complexos com objetividade e busca por originalidade em terreno já desbravado, por, entre outros, só na zona norte do planeta e lançados no Brasil, Nicholas Carr (“A geração superficial”, finalista do Pulitzer), Nir Eyal (“Indistraível”), Johann Bari (“Os ladrões de atenção da vida moderna”), Cal Newport (“Trabalho focado”) e Jenny Odell (“Resista – não faça nada”).

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O título em inglês do livro de Hayes, em livre tradução, é o bem mais lírico “O canto da sereia”, que também batiza o primeiro dos oito capítulos da edição brasileira. Cioso de não ser acusado de disseminar pânico na era das fake news, o jornalista parte da “Odisseia” de Homero para apresentar um embasado painel de profecias e maldições relacionadas à emergência de novas tecnologias. E as discute sob a luz de Karl Marx, George Orwell e Aldous Huxley, indo da psicologia à neurociência e economia, da Bíblia ao tabloide britânico Daily Mail. Sem preconceito.

Chris Hayes, autor de "Capitalismo da atenção", do selo Livros de Valor, da Editora Globo — Foto: Virginia Sherwood/MSNBC/Divulgação
Chris Hayes, autor de “Capitalismo da atenção”, do selo Livros de Valor, da Editora Globo — Foto: Virginia Sherwood/MSNBC/Divulgação

Uma das questões enganosamente simples que “Capitalismo da atenção” escolheu responder é se o alerta feito sobre as sequelas da irreversível fragmentação de nosso cotidiano se assemelha mais à patrulha contra os gibis dos anos 1950 ou aos pioneiros antitabagistas. Gerações não se tornaram ignorantes literárias por devorarem Histórias em Quadrinhos, mas milhares de vidas foram salvas quando se acendeu o sinal vermelho sobre o cigarro.

“Capitalismo da atenção” derruba mitos tanto sobre os malefícios da distração quanto a obsessão atual pelo entretenimento. Por isso, reconhece-se aqui a considerável probabilidade de o resiliente leitor estar prestes a deixar esta resenha de lado. Uma tentativa de convencê-lo a seguir é a menção a uma das imagens cunhadas por Hayes, ironicamente repetida à exaustão nas redes sociais e em modelos de linguagem de inteligência artificial (IA). Uma de suas metáforas para a tiktotização de nossas vidas é a de que em nossas existências digitais comumente nos percebemos tentando “meditar dentro de um strip club”. Mire a tela de seu celular antes de sentenciar o paralelo como desnecessário mau gosto.

Pode-se sempre, claro, apelar ao senso comum. Ora, se as big techs desenvolveram algoritmos persuasivos que prejudicam nossa saúde, seguir o canto da sereia e trocar informações pessoais por acesso digital é uma escolha, no caso dos adultos sãos. Ninguém precisa ler, ver, ouvir ou clicar naquilo que parece alimentar desejos e impulsos imediatos. Ao mesmo tempo, render-se ao brilho, ao transe, ao jogo, é ação intrínseca à experiência humana, com resultados que podem ir da loucura a sacadas luminosas.

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O nó está, argumenta Hayes, no investimento das big techs em travestir armadilhas de livre arbítrio. Arma cada vez mais comum em um mercado ao mesmo tempo lucrativo e saturado, que disputa o foco do consumidor e busca retê-lo pelo maior tempo possível. Neste cenário, o prêmio maior é o foco “involuntário”, que transforma em cliques emoções como ódio, inveja, medo, raiva, fúria e indignação. Muitas vezes de forma automática, no sobe e desce dos dedos pela infinidade das redes sociais.

Para Hayes, o capitalismo de atenção desumaniza mentes assim como o industrial o fez com os corpos. Impacta de forma inédita a capacidade de pensar, os relacionamentos e, não menos importante, o modo como se atua na sociedade, inclusive o político.

Em entrevista ao Valor Econômico, Hayes destacou o fato de Donald Trump ter intuído que “a atenção é o recurso mais importante da nossa era”, positiva ou negativa. O presidente dos EUA abraçou um “discurso público absurdo”, a “política troll”, que recompensa no voto candidatos dispostos a fazer qualquer coisa para chamar a atenção, na lógica das plataformas. O dar de ombros a valores não oferece sequer a vantagem de se ir além da falsa dicotomia dos marqueteiros, que caracterizam políticos como heróis ou vilões. Mas retira da democracia parte central de sua aura. Preste atenção.

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