Eis aqui alguns frutos da história de amor entre duas pessoas que marcaram seu nome na arte do século XX. De um lado, a mineira Maria Martins (1894-1973), escultora e gravurista; junto com ela, o francês Marcel Duchamp (1887-1968), pintor, escultor e poeta. O caso deles durou não mais do que oito anos, mas rendeu muitas obras, alguma surpresa e o recente livro “Impossível”, de Francis M. Naumann (Ed. Pinakotheke).
O casal se conheceu em Nova York, em 1943, na vernissage de uma exposição de Maria, artista já reconhecida nas altas esferas culturais da cidade. Duchamp não ficava atrás em fama, sobretudo por seu destaque no cenário do movimento surrealista. Àquela época, vivia nos EUA para se manter longe da Segunda Guerra.
‘O impossível’, de Maria Martins
The Museum of Modern Art/Divulgação
A química ali entre eles bateu forte. Começaram a se visitar tão logo foi possível. Normal, só que tal romance gerou alguma surpresa porque ela era casada com o então embaixador do Brasil nos EUA, Carlos Martins. Alguém até perguntaria: e ele não dava bola? Pior que não. Tudo indica que o diplomata sabia da situação mas, para não contrariar a amada esposa, aceitava o caso mansamente. Vida que segue — e seguiu de maneira fecunda, deixando Maria e Duchamp livres parar procriar arte plena das suas intimidades.
“Impossível” fala disso. Entre dois ou três segredinhos de alcova, Naumann trata de como o casal exalta, em maior ou menor grau, essa união que, no fim das contas, mostrou-se mesmo impossível.
“Paysage Fautif” (1946), de Marcel Duchamp
Divulgação/Editora Pinakotheke
O livro comenta, por exemplo, sobre “Paysage Fautif”, peça em que Duchamp usou líquido seminal para expressar tão forte te(n)são sexual — criando, assim, arte orgânica por definição. Maria também traduziu essa “coisa tão erótica” em suas esculturas.
Naumann narra tudo com muita elegância, conduzindo um livro que abre caminhos, assim como a obra do casal — cujo legado, claro, foi muito além de criações concebidas durante uma paixão tão inesquecível quanto efêmera, como costuma acontecer.
Livro mostra obras de arte marcadas por forte tensão sexual do amor entre a artista mineira Maria Martins e Duchamp
