A lobista Roberta Luchsinger afirmou neste sábado que Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, se reunia “semanalmente” com ministros do governo do pai, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Investigada pela Polícia Federal (PF) por suspeita de tráfico de influência na gestão, Luchsinger disse que pretende propor um acordo de delação premiada.
— O Lula é um grande mentiroso quando fala: ‘Ela é uma pilantra, mas meu filho, não. Meu filho jamais sentou com algum ministro. O filho dele sentava semanalmente com ministros, seja para trocar figurinha, seja para trocar outro tipo de diálogo — afirmou em entrevista à CNN Brasil.
Ela e Lulinha são investigados no âmbito da Operação Sem Desconto, que apura o esquema de fraudes bilionárias no Instituto Nacional do Seguro Social(INSS). Os investigadores apontam que Luchsinger recebeu repasses do lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, que somam R$ 1,5 milhão e seriam referentes a serviços de consultoria, segundo ela. Em uma das transferências, o empresário informou a um interlocutor que o dinheiro era destinado ao “filho do rapaz”, possivelmente em referência a Lulinha, de acordo com a PF.
Luchsinger afirmou na entrevista que não pouparia o presidente ou Lulinha na possível delação premiada.
— (A PF) vai poder fazer o trabalho dela investigativo e contar com minha absoluta colaboração. Eu não vou poupar ninguém. Pode ser o presidente da República, que a meu ver é um grande mau caráter, é um grande mentiroso, e eu repito, um grande covarde. Não vou poupar filho de presidente, ninguém, porque o que está em questão é a verdade.
A lobista usou a entrevista para criticar Lula por ter se referido a ela como “pilantra” durante entrevista à TV Globo, em agosto.
— Não serei o boi de piranha que tanto querem colocar tudo em cima de mim. O que eu fiz, se for crime, vou responder, vou me defender, vou responder ao devido processo legal que, aliás, é uma coisa que o presidente da República sempre disse muito sobre ele, mas sobre os outros a gente vê que é o contrário.
Luchsinger também atacou Lulinha, com que tinha uma relação de amizade, segundo ela. A lobista afirmou que passou a receber ameaças, após ser chamada de “pilantra” pelo presidente da República, e reclamou de falta de ajuda, apesar de estar com os bens bloqueados.
— A partir do momento que o pai dele me chama de pilantra e me culpa e ele não se manifesta, ele é um covarde como o pai. Eles são cúmplices, eu sou a vítima — disse ela.
Antes da veiculação da entrevista, a CNN Brasil entrou em contato com o Palácio do Planalto e com a defesa de Lulinha para que se manifestem sobre as falas de Roberta Luchsinger, mas não houve retorno.
Lobista afirma que Lulinha se reunia 'semanalmente' com ministros e diz querer fazer delação premiada
