A Polícia Civil de São Paulo decidiu afastar neste sábado (17) três delegados, um investigador e um carcereiro por suspeitas de regalias em uma cadeia em que está preso Milton Leite. O ex-vereador é investigado por suposto envolvimento em um esquema de ligação entre o PCC e o setor de transporte público de São Paulo e está preso desde 18 de setembro na cadeia pública de Mogi das Cruzes, no interior paulista.
Na sexta-feira (16), uma operação realizada pelo Ministério Público de São Paulo apurou a suspeita de regalias a presos na Cadeia Pública de Mogi das Cruzes, em São Paulo. O ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo Milton Leite (União) teria sido beneficiado com visitas e outros benefícios incompatíveis com o cárcere na unidade. Durante a operação, investigadores apreenderam R$ 155 mil e US$ 10 mil (cerca de R$ 55 mil) com o carcereiro da cadeia de Mogi.
Tudo começou após uma denúncia anônima que apontou um fluxo constante de visitantes dos presos, muitos deles sem qualquer vinculação familiar. Segundo o MP, o padrão é “completamente destoante” das condições de Leite e outros custodiados.
Neste sábado (17), a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP) divulgou que foi determinado o afastamento imediato do carcereiro que foi alvo da operação na sexta, além de três delegados e um investigador que atuam na delegacia seccional de Mogi das Cruzes. Também foi instaurado um Inquérito Policial e um procedimento disciplinar.
“A medida foi adotada pela Polícia Civil para garantir a continuidade das apurações sem eventuais interferências, após a tomada dos depoimentos dos cinco servidores, prestados à Corregedoria Geral da corporação neste sábado (17), no âmbito da investigação de suspeitas de favorecimento indevido a presos na Cadeia”, diz a SSP, em nota.
Segundo apuração do g1, entre os que visitaram Milton Leite sem autorização formal estão Valdemar Costa Neto, presidente do PL, e os deputados estaduais Delegado Olin (PP) e Rogério Franco (PL). Para o MP, os fatos investigados podem configurar crimes de corrupção passiva e ativa, prevaricação, entre outros.
Imagens de câmeras de segurança mostram a chegada de uma caminhonete ligada à empresa da família de Milton Leite à cadeia nos dias 8 e 9 de outubro e a entrada de um carro de luxo na unidade. As imagens também registram a chegada de uma viatura descaracterizada ao 1º Distrito Policial, da qual desembarcaram dois homens e uma mulher que aparenta ser uma delegada.
Segundo a investigação, um dos homens entrou na cadeia e retornou com Milton Leite, levado à delegacia pela entrada administrativa, de acesso restrito. O ex-vereador permaneceu no local por quase uma hora e depois foi levado de volta à carceragem. Pouco depois, a mulher deixou a delegacia na mesma viatura. Segundo as informações apuradas, o processo não informa o motivo da retirada de Milton Leite da cadeia nem do encontro na delegacia.
Justiça prorroga prisão
A Justiça de São Paulo prorrogou na quinta-feira (15), por mais 30 dias, a prisão temporária de Milton Leite. A investigação, conduzida pela Polícia Civil com participação do Ministério Público de São Paulo (MP-SP), busca esclarecer como integrantes da facção teriam estabelecido relações com empresas de ônibus, empresários e agentes públicos, além de apurar possíveis interferências em decisões estratégicas do setor.
Milton Leite é apontado pelos investigadores como possível articulador político desse esquema e suspeito de ser o proprietário de fato da Transwolff, empresa que já havia sido alvo de uma investigação sobre lavagem de dinheiro para o PCC. Ele nega as acusações.
A apuração que levou à prisão do ex-vereador foi feita com análise de celulares e de conversas atribuídas a integrantes da organização criminosa. Em um dos diálogos, um homem apontado como membro do PCC afirma que seria necessário envolver Milton Leite para resolver uma questão. Em outra conversa, os investigadores identificaram preocupação em informar o político sobre acontecimentos relacionados à UpBus, outra empresa de transporte coletivo investigada.
A defesa de Milton Leite já havia recorrido ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) para tentar revogar a prisão temporária. Em 25 de setembro, o ministro Rogerio Schietti Cruz negou liminarmente o pedido. Os advogados alegaram que o ex-vereador tem comorbidades e pediram, alternativamente, que ele cumprisse prisão domiciliar com monitoramento eletrônico.
Ao se apresentar à polícia, Leite afirmou ser inocente e disse confiar no trabalho das autoridades. A prorrogação da prisão temporária não representa condenação: as suspeitas continuam sob apuração, e o ex-parlamentar tem direito à presunção de inocência e à ampla defesa.
Polícia afasta delegados, investigador e carcereiro por suspeita de regalias na cadeia onde Milton Leite está preso
